sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A Guerra da Secessão não acabou. Apontamentos em torno da eleição de Obama.


Fiz algumas observações em torno da eleição presidencial dos Estados Unidos. Como já mencionei anteriormente fiquei na torcida por Obama. Não deu outra. Mas vamos às observações.

A primeira: A)Votação por grupos:

Vitórias de Obama:
Entre os negros:                        93%  contra 07%.
Entre os latinos:                        71%   contra 27%.
Entre os asiáticos:                     73%  contra  26%.
Entre as mulheres:                     55%  contra  44%.
Entre os jovens: até 29 anos:     60%  contra  37%.

Vitórias de Romney:
Entre os brancos:                       59%  contra  39%.
Entre os homens                        52%   contra  45%
Mais de 65 anos                        56%   contra  44%.

B) Votação por Estados: Traça-se praticamente a geografia da Guerra da Secessão. Na costa leste, na sua parte norte até a região dos lagos a vitória é de Obama, que também vence em toda a costa oeste. Romney e os republicanos vencem no sul e praticamente em todo o meio oeste. Na primeira proclamação de resultados, Obama já saía vitorioso, com a conquista de 303 delegados contra 206 de Romney. Para ser eleito são necessários 270 votos de delegados. Aos 303 votos já obtidos por Obama, precisam ser somados os 29 votos da Flórida, onde ele venceu por vantagem mínima. Portanto, ao final Obama obteve o voto de 332 delegados. O Mississipi e o Alabama continuam sendo os mesmos.
Uma única observação. Em As Correções - Jonathan Franzen - estabelece um diálogo do velho Alfred, com um cagalhão que o atormenta. Depois de o cagalhão afirmar que todos os americanos deveriam ir para a cadeia ele arremata: "O engraçado, Fred, é que as únicas pessoas que não precisam ser mandadas para a cadeia são os homens do norte da Europa e da classe média alta. E você ainda reclama por eu querer as coisas do meu jeito". Deixo para a sua livre interpretação e associação.

A segunda: Volto a citar Paul Krugman. Mais especificamente, o que ele escreveu um pouco antes das eleições:
Se o Obama for reeleito, ele irá expandir a cobertura de seu sistema de saúde, aumentar os impostos sobre os ricos e intensificar a regulamentação sobre as atividades de Wall Street. Mas, se, em vez disso, Mitt Romney vencer, ele irá encolher substancialmente a cobertura do sistema de saúde, diminuir os impostos sobre os ricos, a níveis jamais vistos nos últimos 80 anos, e relaxar a regulamentação financeira.
Por essa afirmação percebe-se que a eleição era disputada entre uma visão social democrata da política, contra a sua versão neoliberal. Venceu a social democracia, que responsabiliza o Estado por deveres de cidadania, que passam a ser as funções do Estado. Não se pode deixar o mercado às soltas.

A terceira são as considerações de Thomas Friedman sobre o resultado das eleições, em sua coluna no New York Times. Ele arrasa com os republicanos. Ele começa citando uma frase de Mitch McConnell, um importante líder republicano, feita em 2010: A coisa mais importante que desejamos é fazer com que o presidente Barack Obama seja um presidente de um só mandato.
Por essa afirmativa dá para entender que os republicanos tudo fizeram para impedir um bom governo por parte de Obama. Friedman parte do princípio de que, pelo estado da economia e com oito milhões de desempregados, essa seria a vez do partido republicano ganhar as eleições. Não as ganhou pelo que ele diz, de excesso de idéias ruins. E aponta essas idéias ruins, que pesaram na hora do povo votar: a questão da imigração, das condições climáticas, sobre a criação de empregos e das questões morais como gays e aborto.
Afirma que os americanos estão muito preocupados com essas questões e que veem com clareza que devem ser adotadas políticas que atenuem os efeitos dos desastres provocados pelo clima, que precisam de uma política para os imigrantes, especialmente a força de trabalho altamente qualificada e que a questão dos direitos de homosexuais precisam ser reconhecidos, pois praticamente todos os americanos convivem com essas situações em suas famílias.
Afirma ainda que o partido Republicano é dominado por uma ideologia da extrema direita e que, para vencer eleições, ele precisa de uma guinada para o centro. Aponta , no entanto, para a dificuldade de um candidato nessas condições, ser vitorioso, nas prévias que escolhem o candidato.
Sobre Obama diz que o povo lhe deu o seguinte recado: "Você não acertou tudo da primeira vez, mas vamos lhe dar uma segunda chance".
A grande preocupação de seu segundo governo deverá então ser a de se voltar prioritariamente para a economia e mais especificamente para a geração de empregos. Muito mais do que para as políticas sociais, tema com o qual, muito se desgastou em seu primeiro governo.
Também deverá ser um governo disposto a muitas negociações, para lidar com a oposição, uma vez que tem minoria na Câmara dos Deputados.

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