terça-feira, 20 de novembro de 2012

O Novo Conflito Israel X Palestina.

Uma das minhas ex alunas, daquelas boas alunas, me manda um e-mail perguntando sobre o silêncio da mídia, sobre o novo conflito entre israelenses e palestinos. A pergunta talvez hoje não faça mais sentido, mas ela me mandou este e-mail no sábado. Acho que hoje, a crise tomou tal volume que não dá mais para silenciar. A crise começou no dia 14 de novembro. Mas concordo com a sua percepção de que a mídia procura silenciar, quando possível, a respeito de algumas questões, mesmo quando elas são de vital importância para a humanidade. Tenho algumas observações a respeito do novo conflito.

Em primeiro lugar estou falando em novo conflito. Desde a criação do Estado de Israel existem na região conflitos do gênero. Mesmo antes existiram ali conflitos de natureza semelhante. O último deles foi há quatro anos e nele morreram 1400 palestinos e 13 israelenses. Terminei de consultar os números sobre o atual conflito: 116 contra três. No conceituado blog do Sakamoto ele fala ser horrível fazer um placar, ou um rancking sobre mortos. Mas ele nos dá uma idéia da desproporcionalidade. Por isso, Sakamoto, não hesita em afirmar, que essas mortes constituem um verdadeiro crime de Estado. Quando ele apresentou os números, eram 30 por um. Agora já dá praticamente 40 por um. Há quatro anos foi bem pior.

Observei também as declarações do presidente Obama. Três até agora. A primeira foi no sentido de que Israel tem o legítimo direito de defesa. Independente do que aconteceu no dia 14, Obama já alegou o legítimo direito de defesa. A segunda declaração foi uma exortação pelo cessar fogo por parte dos dois lados e apenas num terceiro momento ele manda a secretária Hilary Clinton para participar nas negociações para o cessar fogo. Em campanha ele defendia a criação do Estado Palestino, com base nas fronteiras  existentes em 1967. Esse apoio incondicional do presidente dos Estados Unidos é que dá a força para as ações do governo de Israel. Elas são simplesmente legitimadas pela maior potência do mundo. E de maneira incondicional.

Enquanto isso o Irã de Mahmoud Ahmadinyjad, fala de crimes de guerra praticados por Israel e o presidente egípcio falava de agressões israelenses contra o povo palestino. Já Dilma Roussef oficiava a ONU, solicitando de Ban Ki - moon providências e mostrando a preocupação do Brasil com o uso desproporcional da força no conflito entre Israel e Palestina. O conflito, por enquanto, envolve o lançamento de foguetes palestinos contra o território israelense e a resposta do mesmo gênero por parte dos israelenses. Israel, porém, ameaça com a ocupação terrestre da faixa de Gaza, um estreito canto de terras entre o mar e o Egito, onde os palestinos vivem praticamente confinados. A outra área de palestinos é a Cisjordânia.

Neste momento as expectativas de um cessar fogo estão mais otimistas. Méritos para o presidente egípcio, Mohamed Mursi, posto como mediador. Mas nada muito animador, no sentido de uma paz mais definitiva. A questão real do conflito são questões de geopolítica e que envolvem poder e riqueza acima de tudo, provocando apetites por parte das maiores potências do mundo. Para nós simplesmente é dito que são conflitos étnico-raciais e religiosos. A questão é extremamente confusa para merecer apenas uma breve análise.

Roger Cohen, do The New York Times, perspicazmente introduz um elemento nem sempre perceptível no debate. As operações militares israelenses sempre ocorrem às vésperas de eleições. Assim teria acontecido com a Operação Vinhas da Ira, Operação Chumbo Derretido e com a atual Operação Pilar de Defesa. Cohen fala da radicalidade de políticos, citando especificamente Gilad Sharon, o filho de Ariel Sharon: Precisamos arrasar vizinhanças inteiras em Gaza. Arrasar a faixa inteira de Gaza. Os norte americanos não pararam com Hiroshima - os japoneses não se renderam com a rapidez desejada, por isso, eles atingiram Nagasaki também. Gaza deve ficar sem eletricidade, sem gasolina ou veículos que se movam, nada. Aí podemos exigir de fato um cessar fogo.

Dá para negociar? Pelo lado Palestino também existe uma questão muito séria. Quem os representa? São muitos grupos e que tem entre si profundas divergências. Não existe um comando unificado. Apesar das brutais diferenças entre as forças, os dois lados tem enormes capacidades de provocar dores e sofrimentos ao adversário e, enquanto não se desarmarem os espíritos, poderemos ter breves períodos de paz, que já devem ser festejados, mas não se vislumbra, ao menos para um futuro próximo, uma paz que efetivamente ponha termo ao conflito. Enquanto isso as dores e as angústias se multiplicarão por todos os lados. E os ódios também.


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