segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Obama ou Romney.

Não posso deixar passar a oportunidade de fazer um pequeno comentário sobre as eleições nos Estados Unidos, que se realizarão no dia amanhã. Não comentei as eleições de Curitiba, por absoluta falta de entusiasmo, por terem sido tão sem graça! Mas, é inacreditável ainda ver candidatos que põe em cena fuguras maiores do que eles, os próprios candidatos, como foi o caso de um deles, com relação a uma suposta super secretaria de segurança. O mais interessante da eleição curitibana foi o seu primeiro turno, não o segundo. O segundo era óbvio demais.
Gosto muito de um Nobel de economia americano, chamado Paul Krugman, especialmente de um de seus livros, chamado A consciência de um liberal. (Record -2010). O livro todo é uma discussão sobre as funções do Estado nesse mundo envolvido por crises. Ele é hoje um dos maiores defensores do Estado de bem estar, ou da social democracia, do mundo.
O meu comentário praticamente se restringe ao primeiro parágrafo de sua coluna desta semana, escrita para o New York Times. Vejamos o que ele diz:

 Se o Obama for reeleito, ele irá expandir a cobertura de seu sistema de saúde, aumentar os impostos sobre os ricos e intensificar a regulamentação sobre as atividades de Wall Street. Mas, se, em vez disso, Mitt Romney vencer, ele irá encolher substancialmente a cobertura do sistema de saúde, diminuir os impostos sobre os ricos, a níveis jamais vistos nos últimos 80 anos, e relaxar a regulamentação financeira.

Seria acrescentar mais uma pitada de política externa, de que Obama dará continuidade a uma política de abrandamento em ações relativas ao Iraque e ao Afganistão e manter a atual política com relação ao Irã e que, ao contrário, Romney endureceria todas essas relações, e teríamos dados suficientes para entender relativamente bem essa eleição. A América Latina, mais uma vez, não consta na agenda.

Creio que a grande pergunta que especialmente os brasileiros se fazem, é: por que o Obama tem tantas dificuldades para vencer essas eleições? Creio que a resposta não é tão complicada assim. Em primeiro lugar eu citaria a falta de entusiasmo para com as próprias eleições. Obama sucede a Obama e não a Bush, como foi na eleição anterior. E isso num país de voto facultativo é tudo. Mas aí a pergunta é outra. Por que Obama não entusiasma mais? A resposta possivelmente esteja nos limites de sua atuação como presidente. O poder do presidente, embora grande, tem os seus limites. Implementar políticas de Estado, num país que tem a cultura ligada a questão da responsabilidade individual, não é fácil. O que alega Obama em sua defesa? Que ele precisa de mais um mandato para implementá-las. Especialmente o seu plano de seguridade social e a política de geração de empregos, via crescimento econômico, a ser impulsionado com ações de Estado. Para implementá-las precisa de mais impostos e não dar toda a liberdade ao capital. É o que Krugman fala, na sua fabulosa capacidade de síntese. E isso hoje, é toda uma teoria econômica, que se opõe a toda uma cultura americana, com exceção aos anos trinta, da política do New Deal.

Por outro lado, não intervir, desregulamentar ou a autoregulação do mercado e o favorecimento das políticas de acumulação pela isenção de impostos sobre o grande capital como condição para o crescimento econômico, é a outra grande teoria hoje em cena e que é defendida pelos neoliberais, pelos adeptos da globalização e especificamente nos Estados Unidos, pelos defensores do Tea Party, o ultraconservadorismo americano. Os governos Bush são o exemplo de execução dessa políticas.

Duas frases para refletir a respeito: A primeira é de Hobsbawm, quando afirma que a acumulação capitalista ocorre de uma forma tão espontânea como os combustivos fósseis produzem a poluição. A segunda é uma constatação disso. A tomo de Zigmunt Bauman, de seu livro Globalização - As consequências humanas. (Zahar, 1999): "Comentando a descoberta feita no último informe da ONU sobre o desenvolvimento de que a riqueza total dos 358 maiores 'bilionários globais' equivale à renda somada dos 2,3 bilhões mais pobres (45% da população mundial), Victor Keegan, chamou o reemabaralhamento atual dos recursos mundiais de 'uma nova forma de roubo de estrada'. Com efeito, só 22 por cento da riqueza global pertencem aos chamados países em desenvovlimento, que respondem por cerca de 80 por cento da população mundial" (pág. 78). Em outras palavras, a acumulação chegou a tais níveis, que 358 bilionários tem a mesma riqueza que 2,3 bilhões de pessoas. Isso tem ou não tem consequências?

Uma pergunta como conclusão: A serviço de quem devem os governantes colocar o poder do Estado? A serviço desses bilionários globais ou das populações que efetivamente precisam de ações do Estado, através de políticas públicas?

Não é de se imaginar também que a política americana caia a níveis tão baixos como chegou dessa vez. A difamação que a ultra direita faz de Obama, desacredita de todas as próprias instituições americanas, ao questionar a cidadania de seu presidente.
Eu, particularmente, fico na torcida pelo Obama.





       

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