sábado, 23 de março de 2013

Hitchckok - Uma Biografia em cima de um Filme - Psicose.

Está passando nos cinemas um filme muito interessante. Trata-se de uma biografia do grande diretor de cinema Alfred Hitchckok, ou mais precisamente, uma reconstituição das filmagens do seu, possivelmente, mais famoso filme e, um dos melhores da história do cinema mundial: Psicose. Assisti Hithckok, sem botar defeito. Ninguém do lado a comer pipocas, conversando ou dando dando gargalhadas. Estive absolutamente só no cinema, isto já na sua segunda semana de exibição e, em um único cinema.
O cartaz do filme foca o casal Alfred ( Anthony Hopkins) e Alma (Helen Mirren), que tem desempenho para lá de extraordinário.

O filme é uma transposição para o cinema do livro de Stephen Rebelo Alfred Hithckok and the making of Psycho, que mostra os bastidores da filmagem de psicose (Psycho), o grande filme do diretor, do ano de 1960. Hitchckok já era um diretor consagrado, mas encontrou dificuldades de toda ordem para a realização deste filme: descrédito por parte da Paramount, dificuldades com a sua produção, doenças pessoais e as suas intrigas com a esposa Alma Reville, além das rabugices comuns a quase todos os diretores.Uma das coisas mais notáveis do filme é ver a atuação da censura, extremamente conscienciosa em encontrar e eliminar cenas de violência e de nudez. Os bons costumes precisariam ser preservados! Quanta hipocrisia!

Hitchkok resolve bancar o filme com recursos próprios, relativamente poucos, perante os seus outros filmes.Fez em torno dele o maior mistério. Comprou os direitos do livro de Robert Bloch por apenas U$ 9.000,00 e mandou comprar todos os exemplares existentes, evitando assim, que o final da história fosse conhecida pelo público. Fez de Psicose o filme de sua vida. A ele dedicou o máximo de esforço.
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Uma das mais famosas cenas do cinema mundial. A cena do assassinato de Marion, em Psicose. Um filme de 1960.

A história é relativamente simples. Marion (Janett Leigh) dá um desfalque de U$ 40.000,00 na imobiliária em que trabalha e sai a vagar mundo afora, numa sexta feira. Hospeda-se no decadente hotel de beira de estrada, que fora desviada e, que por isso, raras vezes, ainda recebia hóspedes. É recebida por seu proprietário, Norman Bates (Anthony Perkins) que a cerca de todas as atenções. Bates vive um conflito com a mãe, que não quer, em hipótese alguma perder o filho. Depois de oferecer um lanche para a hóspede, esta vai dormir, sem antes tomar um banho. É assassinada durante o banho, deixando no vaso do banheiro um rascunho de cálculos, que darão depois a pista de que havia se hospedado no hotel.

O assassinato no banheiro é a cena mais famosa do filme. Nela não podia mostrar nem nudez, nem violência. Todo mundo imaginava que se tratava de um filme de terror, mas como sabemos, Hitchckok é o mestre do suspense. A violência é apenas sugerida. O esmero do diretor, nesta cena, merece grande destaque no filme/biografia. O detetive particular contratado pela irmã de Marion também morre assassinado no mesmo hotel, quando começa a desvendar o mistério da morte de Marion. A partir daí a história é esclarecida. A mãe de Bates já estava morta há mais de dez anos, mas Bates ainda era totalmente dominado por ela. Para não se envolver com Marion e permanecer fiel à mãe é que a assassina. É impressionante o quanto Hitchckok se envolveu com esta história. Dramas de sua vida particular devem ter contribuído para isso.

O filme teve problemas também com a sua distribuição, pois, ninguém acreditava nele, um mero filme de terror. Assim o consideravam. Foi, no entanto, uma surpresa geral. Dos cerca de U$ 800.000,00 investidos, houve um retorno entre U$ 40 e 50 milhões de arrecadação. Os filmes posteriores do diretor, agora ainda mais famoso, não alcançaram o mesmo êxito de Psicose. A opção do filme, pelo branco e preto, foi uma opção de custos, de pouco dinheiro disponível para a sua realização. Não passou a ser visto como um filme de terror. O suspense, tão característico de seu diretor, foi a sua grande marca. O filme foi absolutamente inovador para a sua época. 

O que torna interessante ver agora este filme biográfico, ainda que restrito aos bastidores de um único filme? Creio que todo o filme que mostra bastidores de filmagens, os chiliques de diretores enlouquecidos, merece a curiosidade dos expectadores. Neste caso é muito mais, pois se trata simplesmente de Alfred Hitchkok como diretor e os bastidores não são os de um filme qualquer. O filme também merece ser visto pela atuação de seus principais atores. Anthony Hopkins é perfeito como Hitchckok e tão perfeito quanto, é o trabalho de Helen Mirren, como sua esposa, auxiliar e espécie de assistente para tudo, Alma Reville. O trabalho de  Scarlett Johansson, como Jane Leigh, a Marion de psicose, também não deixa a desejar.

Hitchckok suspeita de Alma, de um envolvimento seu com o escritor do livro, Stephen Rebello. Os ciúmes são doídos. Hitchckok, por sua vez aprecia bastante as loiras que trabalham em seus filmes. Com o sucesso do filme, Hitchckok, nas homenagens que recebe, dedica o êxito do filme ao incansável trabalho de Alma, a única loira merecedora de seu carinho, afeto e, finalmente, reconhecimento. Alma diz que esperava por uma declaração dessas há mais de trinta anos. Um filme para ser visto. Foi uma surpresa para lá de agradável. Finalmente uma dica importante. É absolutamente imprescindível ver Psicose antes. O filme tem a direção de Sacha Gervasi.

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