sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Gravidade. O Filme de Alfonso Cuerón.


"Do ponto de vista  cultural, há mudanças nas formas de produção, circulação e consumo da cultura dentro de um remapeamento e uma contestação dos ideais modernistas da racionalidade, da totalidade, da verdade, do progresso, de uma razão universal sobre o lugar do indivíduo na história e na sociedade. Segundo a interpretação de Braudillard, citado por Giroux, os signos substituem a lógica da produção e do conflito de classe. Há uma proliferação de significados, gerando uma sociedade em que imperam as simulações, num mundo de imagens e fantasias eletrônicas. É uma sociedade saturada de mensagens da mídia que não tem correspondência com conteúdos modernos tais como valores humanos, dignidade, luta política, ação do sujeito, ideologia etc. Não há nada que se assemelhe a uma apreensão da essência do real, a uma leitura em profundidade do real. Nada que requeira uma epistemologia que assegure a validade da verdade. Ao contrário, a realidade está na superfície, no espetáculo, nos simulacros, providos por novas fontes de tecnologia e informação"(pág.145).
Cartaz de divulgação do filme Gravidade.

Já usei, várias vezes, este texto para ilustrar o que seria a pós-modernidade do seu ponto de vista cultural. O texto é de José Carlos Libâneo, e faz parte de um artigo que leva por título Pedagogia e modernidade: presente e futuro da escola. Faz parte do livro organizado por Paulo Ghiraldelli Jr., intitulado Infância, Escola e Modernidade. Neste texto a pós-modernidade também é explicada do ponto de vista filosófico, econômico e político.

Bem. Fui assistir o filme com o maior número de indicações para o OSCAR de 2014, Gravidade, que junto com Trapaça, tem dez indicações cada um. O filme tem como tema uma aventura espacial, sei lá. É ficção científica e, definitivamente, descobri que ficção científica não é a minha praia. O filme é uma sucessão de cenas em que a sobrevivência seria algo totalmente impossível. Deixo para o site do Adoro Cinema, dar a síntese do filme.

"Matt Kowalski (George Clooney) é um astronauta experiente que está em missão de conserto ao telescópio Hubble juntamente com a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock). Ambos são surpreendidos por uma chuva de destroços decorrente da destruição de um satélite por um míssil russo, que fez com que sejam jogados no espaço sideral. Sem qualquer apoio da base terrestre da NASA, eles precisam encontrar um meio de sobreviver em meio a um ambiente completamente inóspito para a vida humana". Eu diria mais, completamente desconhecido para o público.

Isto faz com as sequências do filme sejam de difícil compreensão. Você não sabe o que está acontecendo e nem consegue imaginar saídas lógicas. É uma sequência de situações limite, que sempre dão certo. Afinal Sandra Bullcok sempre sobrevive. Em condições normais ela teria morrido mil vezes. Mas este é o mundo da ficção científica, do mundo do imaginário. Tudo é possível. Agora vamos ao que o filme tem de maravilhoso. Imagens, as mais lindas possíveis. O universo é realmente espetacular e fantástico.

Outra característica importante do filme é que ele é um filme solo. Só aparece Sandra Bullock. Tirando as cenas iniciais, em que ela contracena com George Clooney, é só ela. E sempre em situações limite, sempre acossada pela perspectiva da morte iminente. São 90 minutos de filme, show de técnica e de imagens, mas que para mim, particularmente, demoraram mais do que as três horas de O Lobo de Wall Street. A cena dela voltando à terra...

Cena constante no filme. Sandra Bullock lidando com os equipamentos espaciais.

Sempre nas tentativas de auxiliar na interpretação procurei recursos me colocando na situação do diretor, do roteirista, procurando ver a sua intenção, ver as contextualizações, ver os objetivos e as possibilidades e só consegui explicações mesmo, no texto de abertura deste post. É um filme espetáculo, show de técnica, de imagem, de fotografia e de som, com uma dupla de atores mais do que consagrados. Sandra Bullock tem a indicação para a melhor atriz. Vamos ainda observar as demais indicações para o OSCAR. São dez ao todo. Um recorde junto com Trapaça.

Gravidade concorre como melhor filme (sem a minha torcida), melhor atriz (Sandra Bullock), melhor diretor (Alfonso Cuarón), melhor trilha sonora (Steven Price), melhor edição, melhores efeitos visuais, melhor fotografia, melhor desenho de produção, melhor edição de som e melhor mixagem de som. Como podem observar, a maior parte das indicações, são indicações de ordem técnica. A crítica, de maneira geral recebeu muito bem o filme, mas é um filme que vai passar rapidamente, ao menos pela sua história e pela sua mensagem. Observem que não tem indicação para roteiro. Ainda em tempo. O filme ganhou rasgados elogios de James Cameron e figura na lista dos 10 melhores filmes de 2013, elaborada por Quentin Tarantino.

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