quinta-feira, 17 de abril de 2014

Audiência Pública na Câmara dos Deputados sobre a Petrobras.

Mais uma tarde acompanhando a questão da Petrobras. Desta vez, a Audiência Pública realizada pela Câmara dos Deputados, em uma de suas Comissões. Hoje o convidado foi o ex diretor, Nestor Cerveró, que em 2006, ocupava o cargo de diretor da área internacional da empresa. Isto é relevante, pois toda a celeuma em torno do caso Pasadena, passou por suas mãos. Foi dele o relatório que deu base para que o Conselho Diretor da empresa aprovasse, por unanimidade, a hoje questionada compra da refinaria americana.
 foto: Agência BrasilNestor Cerveró justifica a deputados compra de refinaria
Nestor Cerveró, calmo, tranquilo e acima de tudo transparente, na Audiência Pública de hoje na Câmara dos Deputados.

Vamos contextualizar um pouco. Em 1998, quando FHC ainda era presidente da República, houve a decisão  sobre a internacionalização da Petrobras e da compra de uma refinaria nos Estados Unidos. Ela foi comprada em 2006. Agora, em 2014 esta compra está sendo trucidada, a tal ponto que a bancada oposicionista está pedindo uma CPI, sobre o caso. Foi um bom negócio, ou não foi um bom negócio? Eis a questão. A questão se agravou quando a presidente Dilma, que presidia o Conselho em 2006, afirmou que não teria aprovado a compra, se no relatório apresentado pela empresa, constassem todas as cláusulas essenciais do contrato. Estas cláusulas eram realmente essenciais?

Ontem, na Audiência Pública no Senado, Graça Foster disse que sob o olhar de hoje, Pasadena não foi um bom negócio. Que a entrada em cena do Pré-sal alterou profundamente o mercado do petróleo e que, a partir de 2008, houve novas alterações na conjuntura, com a grave e longa crise da economia mundial. Mas que isso não poderia ser visto, não era previsível, em 2006. Falou da complexidade do mercado do petróleo, um mercado de muitas variáveis. O essencial, em 2006, envolvia o refino de petróleo pesado que o Brasil tinha sobrando. Que hoje, Pasadena perdeu o caráter de prioridade nos investimentos da empresa, que hoje ela está em operação, refina cem mil barris dia e que ela gera lucros.
Graça Foster e o senador Lindbergh Farias, presidente da CAE e da reunião conjunta desta terça (Geraldo Magela/Agência Senado)
Graça Foster no Senado ontem. Houve contradições entre os depoimentos? Pasadena foi um bom negócio, ou não.

Hoje (16.04.2014) foi a vez de Nestor Cerveró. Ele foi na qualidade de convidado, mas os que lhe fizeram o convite, não foram nada cordiais para com o convidado. Cerveró, a exemplo de Graça Foster, é um quadro técnico da empresa, que ascendeu à diretoria, e que tem 39 anos de serviços prestados. Primeiro fez uma explanação técnica, relatando todo o caso da compra da refinaria americana. Aí começou o seu calvário e a sua crucifixação, afinal de contas, estamos em plena semana santa. Em minhas observações cheguei a quatro conclusões sobre o objetivo dos tucanos e de seus asseclas menores, mas não menos irados. Em primeiro lugar, tentaram incriminar de todas as formas a presidente da República Dilma Rousseff; em segundo lugar, tentaram por todos os meios qualificar Pasadena como um negócio desastrado e malfadado; em terceiro, incriminar Cerveró, se ele não entregasse a presidente Dilma e, finalmente, criar uma CPI seletiva, que investigasse única e exclusivamente a Petrobras.

Cerveró se comportou de forma absolutamente digna, em nenhum momento se exaltou, embora provocado permanentemente e se absteve de qualquer ilação de caráter pessoal. Sobre a sua troca de diretoria e a posterior aposentadoria, disse que estes são procedimentos absolutamente normais dentro da empresa. Que chegou a condição de diretor por seus méritos e não por indicação política, como os deputados procuravam insinuar. Disse não haver contradição entre as suas declarações e as de Graça Foster de que na época, tudo indicava que a compra seria um grande negócio. De certa forma invejou os comentaristas esportivos, que podem comentar um jogo, após o seu término. Falou das mesmas alterações na conjuntura de mercado que a presidente Foster apontara no dia anterior. A mídia já está apontando contradições entre as falas. Olhares contaminados, todos certamente. Poucas vezes vi tanta parcialidade, certamente em nome da neutralidade, na cobertura de um fato, como os comentários de Josias de Sousa, na transmissão pela UOL, cheio de interjeições, exclamações e interrogações, Viu isso! -  hum!?! - hã!?! Ah bom! e por aí afora.
Esta logomarca, criada no governo de FHC, preparava o caminho para a privatização da Petrobras. Esta logomarca fala mais do que todo o estardalhaço que a oposição está fazendo e revela as suas intenções mais profundas.

Cerveró se mostrou visivelmente cansado, de tanto responder as mesmas perguntas. É que os deputados queriam ouvir, não o que Cerveró tinha para dizer, queriam ouvir respostas que se encaixassem em seus objetivos, que favorecessem a sua sanha em desmerecer a Petrobras. Enquanto não ouviam o que queriam, procuravam tumultuar todo o processo. A condução dos trabalhos, embora imparcial, foi no mínimo, frágil. Nos dois primeiros blocos, apenas deputados oposicionistas fizeram questionamentos. Apenas no último bloco é que deputados da situação vieram em defesa do ex diretor. Entre eles esteve o deputado Dr. Rosinha, aqui do Paraná, que falou do comprometimento dos deputados oposicionistas com o imperialismo internacional. Pintou no ar, por um pequeno momento, um certo clima pré 1964. Por pouco tempo, mas que permeia todo o cenário brasileiro, desde o FLA X FLU entre a UDN entreguista e o PTB nacionalista.

No último bloco também houve a intervenção do ex comunista Roberto Freire, que se dirigiu ao convidado, lhe fazendo horríveis ameaças, do que será a sua vida, após a instauração da CPI. O que eu concluo disso tudo? Há 16 anos é que o governo está nas mãos do PT e que ao longo destes dezesseis anos houve avanços econômicos e sociais enormes. Isto ocorreu porque fomos governados sob o princípio de que o Brasil é uma Nação, uma Pátria e não um mercado, como os tucanos o fizeram no governo FHC. Mercado é uma lugar em que existe espaço para a competição e a seleção/exclusão, enquanto que a Nação ou a Pátria é um local de acolha de todos os filhos desta Pátria. Um local em que os excluídos do processo de seleção também se sentem acolhidos.
 

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