quarta-feira, 16 de abril de 2014

Audiência Pública no Senado sobre a Petrobrás.

Dediquei a tarde de ontem a acompanhar a Audiência Pública no Senado Federal sobre a Petrobras, em que mais de trinta senadores (as) questionaram  Graça Foster, a presidente da empresa. De uma maneira geral houve equilíbrio nas questões levantadas e os senadores oposicionistas, aproveitando o holofote, pediam a CPI exclusiva da Petrobras, enquanto que a situação dizia que a empresa já estava sendo suficientemente investigada, ou então defendiam a CPI ampliada, envolvendo também denúncias contra administrações do PSDB e do PSB. É compreensível que o assunto ganhe grande ressonância, em vista das eleições de outubro, cada vez mais próximas.
 
Graça Foster na Audiência Pública no Senado, sobre a Petrobras. Calma tranquila e transparente.

A Petrobras é uma empresa criada em 1953, no governo de Getúlio Vargas, após forte campanha nacionalista, sob o lema O Petróleo é Nosso. A maioria das consultorias apontava pelo menos três motivos para o insucesso do empreendimento: Não havia petróleo no Brasil; não havia um quadro técnico que poderia dar sustentação ao empreendimento e que não havia dinheiro para financiar o projeto. Em contrapartida, havia vontade política e determinação para criá-la. Como resultado, temos aí, hoje, a maior entre as empresas brasileiras.

A Petrobras entra em cena cada vez que o calendário eleitoral se aproxima. O governo de Fernando Henrique Cardoso foi um governo altamente privatista, defendendo uma economia absolutamente em consonância com o mercado e o Brasil era apresentado ao mundo, não mais como uma Nação, mas sim, como um mercado emergente. Houve até uma proposta de troca do nome da empresa, para que o seu nome soasse mais facilmente para os operadores do mercado e tivesse retirada a lembrança de Brasil, com o final bras, em seu nome. Passaria a se chamar Petrobrax. Alguns milhões chegaram a ser gastos com o desenho da nova logomarca da empresa. A reação foi enorme e FHC amarga índices de popularidade inexpressiva até hoje.
A logomarca da Petrobras, quando sob o governo de FHC, ela esteve para ser privatizada.

Em 2002 Lula vence as eleições. A situação da Petrobras tem pouca repercussão na mídia. A politização na eleição de 2006, ocorre através da CPI dos Correios, que termina com o escândalo do chamado mensalão, que empurra a eleição para um segundo turno. Aí a Petrobras entra em cena. A campanha é politizada. Em menos de um mês, Geraldo Alckmin perde três milhões de eleitores, que tivera na primeiro turno, para Lula. Na politização do debate a questão da Petrobras foi decisiva. Em 2010, José Serra tentou levar a Petrobras ao debate, mas sem êxitos.

Endividamento, baixa das ações da empresa no mercado e a compra de uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos se transformaram num vulcão de denúncias contra a empresa, que já teve dois desenlaces. O afastamento de um seus diretores e a prisão de outro.  A questão central é a compra da refinaria americana por um valor x, junto com uma empresa belga e a compra posterior desta empresa, por uma cláusula do contrato, por um valor muito mais alto.

Escolados e escaldados com a CPI que levou ao dito mensalão, a situação está tentando de todas as formas evitar a CPI. Por sua vez, animados com a perspectiva eleitoral, a oposição quer desgastar o governo até às últimas consequências, contando com os holofotes da TV Senado. Pois bem, numa tentativa de evitar a CPI, Graça Foster compareceu a uma Audiência Pública no Senado, realizada no dia de ontem (15.04.2014).    
 Outra imagem de Graça Foster, durante a Audiência Publica no Senado, sobre a Petrobras.

Graça Foster iniciou por uma exposição técnica, que eu não assisti. Vi isso sim, desde as primeiras, até as últimas intervenções dos senadores (as) e as respostas da presidente. Alguns senadores foram mais agressivos ou até indelicados, como o senador Álvaro Dias, que falou em abismo econômico e ético na empresa e o líder da oposição, o senador Mário Couto, que acusou Graça, lendo matéria da Folha de S.Paulo, que fazia pesadas incriminações ao marido de Graça, em contratos com a empresa. Como o senador não se conformava com a resposta negando a acusação, o senador Suplicy ajudou ao Senador oposicionista a ler corretamente a matéria. Mário Couto omitia na sua leitura um "não". Dias atrás ele já havia pedido impeachment, da presidente Dilma.

A celeuma, no momento, está diretamente relacionada a refinaria de Pasadena. Em 2006, quando Dilma comandava o Conselho Administrativo da Petrobras, foi aprovado, por unanimidade, a compra desta refinaria. Hoje esta compra está sendo apontada como um mau negócio. Dilma se justificou de que o Conselho aprovou a compra, em função de um relatório incompleto, que omitia dados. Esta compra já causou a demissão do então diretor internacional da empresa, que omitiu os dados, Miguel Cerveró. Em torno deste fato é que houve os maiores questionamentos na Audiência Pública.

Muito tranquila, calma, sem em momento algum elevar a voz, Graça foi respondendo aos diversos questionamentos. A compra de Pasadena foi planejada em 1998, no governo FHC, para a expansão internacional da empresa. Que a compra, com os dados omitidos, parecia ser um bom negócio, devido a complexidade do negócio do petróleo, (exportação/importação/refino) e da economia mundial em expansão. Depois o quadro mudou e sob a ótica de hoje, este negócio não seria prioritário. Que o valor da compra não foi de $ 42 milhões, (como afirma a mídia e a oposição) e sim, mais de $ 370 milhões. Que a refinaria recebeu os investimentos de manutenção necessários a todas as refinarias e que hoje ela dá lucro.

Graça Foster esclareceu a todos os questionamentos com muita firmeza e transparência. A Petrobras não é administrada como uma quitanda.

Diz que a Petrobras não é administrada como uma quitanda (em resposta ao senador Pedro Taques), que ela é séria e distinta de muitas empresas do setor, em todo o mundo. Reconheceu erros de planejamentos, que levam a revisão de contratos e que o endividamentos está em torno de 270 bilhões de reais, endividamento todo ele de caráter produtivo, de investimento. Disse ainda, que de quinze bancos internacionais que acompanham a empresa, cinco recomendam a compra de ações e os outros dez recomendam àqueles que as possuem, para que não as vendam. Enfim, procurou tranquilizar a todos de que a situação da empresa é boa e que vem ao Senado, para dar explicações, por um dever de sua função.


Graça Foster se saiu muito bem e houve, praticamente, unanimidade em tecer elogios a sua conduta a frente da empresa. Qualificativos generosos não faltaram em nenhum momento. Ela e funcionária de carreira da empresa, tendo ingressado nela como estagiária. Carreira brilhante, que certamente, palestrantes da área transformariam em case de sucesso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pelo comentário. Depois de moderado ele será liberado.