quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Notas esparsas e desalinhadas para uma análise de conjuntura.

Do prefácio de A mundialização do capital, de François de Chesnais. Escrito em 1996.
Livro que comprei em 2001, no Fórum Social Mundial.


"É na produção que se cria a riqueza, a partir da combinação social de formas de trabalho humano, de diferentes qualificações. Mas é a esfera financeira que comanda, cada vez mais, a repartição e a destinação social dessa riqueza".

"Os outros baseiam-se em transferências efetivas de riqueza para a esfera financeira, sendo o mecanismo mais importante o serviço da dívida pública e as políticas monetárias associadas a este. Trata-se de 20% do orçamento dos principais países e de vários pontos de seus PIBs, que são transferidos anualmente para a esfera financeira".

"o nível de endividamento dos estados perante os grandes fundos de aplicação privados (os 'mercados') deixa-lhes pouca margem para agir senão em conformidade com as posições definidas por tais mercados... salvo que questionem os postulados do liberalismo. Pelo contrário, assim que surgem dificuldades, as instituições financeiras internacionais e as maiores potências do globo precipitam-se em defesa dos privilégios desse capital monetário..."

"Mas há certos campos, como o das finanças, onde soa incongruente, a ideia da 'irreversibilidade'".

Globalização - as consequências humanas - Zigmunt Bauman.

"A nação-estado parece que se está desgastando ou talvez 'definhando'. As forças erosivas são transnacionais" (64).

"O que é opção livre para alguns abate-se sobre outros como destino cruel".

"Comentando a descoberta feita no último Informe da ONU sobre o desenvolvimento de que a riqueza total dos 358 maiores 'bilionários globais' equivale à renda somada dos 2,3 bilhões mais pobres (45% da população mundial), Victor Keegan chamou o reembaralhamento atual dos recursos mundiais de 'uma nova forma de roubo de estrada'. Com efeito, só 22% da riqueza global pertencem aos chamados 'países em desenvolvimento', que respondem por cerca de 80% da população mundial" (78).

O Capital. Thomas Piketty.
O lançamento de 2014. Muito comentado.


"Quando a taxa de remuneração do capital ultrapassa a taxa de crescimento da produção e da renda, como ocorreu no século XIX e parece provável que volte a ocorrer no século XXI, o capitalismo produz automaticamente desigualdades insustentáveis, arbitrárias, que ameaçam de maneira radical os valores de meritocracia sobre os quais se fundam nossas sociedades democráticas. Existem, contudo, meios pelos quais a democracia pode retomar o controle do capitalismo e assegurar que o interesse geral da população tenha precedência sobre os interesses privados, preservando o grau de abertura econômica e repelindo retrocessos protecionistas e nacionalistas". Introdução. - Ong inglesa: 1% da população mais rica tem a mesma riqueza que os outros 99%.

Pós-neoliberalismo. As Políticas Sociais e o Estado Democrático. org. Emir Sader e Pablo Gentili.

Um balanço do neoliberalismo - Perry Anderson.
Este livro foi escrito como indicativos ao governo Lula, se tivesse ganho em 1989.


"O remédio, então, era claro: Manter um Estado forte, sim,  em sua capacidade de romper o poder dos sindicatos e no controle do dinheiro, mas parco em todos os gastos sociais e nas intervenções econômicas. A estabilidade monetária deveria ser a meta suprema de qualquer governo. Para isso seria necessária uma disciplina orçamentária, com a contenção dos gastos com bem-estar, e a restauração da taxa 'natural' de desemprego, ou seja, a criação de um exército de reserva de trabalho para quebrar os sindicatos. Ademais reformas fiscais eram imprescindíveis, para incentivar os agentes econômicos. Em outras palavras, isso significava reduções de impostos sobre os rendimentos mais altos e sobre as rendas. Desta forma, uma nova e saudável desigualdade iria voltar a dinamizar as economias avançadas, então às voltas com uma estaglaflação, resultado direto dos legados combinados de Keynes e de Beveridge, ou seja, a intervenção anticíclica e a redistribuição social, as quais haviam tão desastrosamente deformado o curso normal da acumulação e do livre mercado. O crescimento retornaria quando a estabilidade monetária e os incentivos essenciais houvessem sido restituídos" (11).

Renato Janine Ribeiro. Orelha do livro O ódio à democracia, de Jacques Rancière.
Lançamento de 2014. Ótimo para entender o ódio ao PT.


 "Nos últimos anos, o Brasil se tornou um exemplo de inclusão social, com dezenas de milhões de pessoas saindo da pobreza e da miséria para terem uma vida melhor. Em que pese a inclusão ter ocorrido sobretudo pelo consumo - mais que pela educação -, ela mudou o país. Hoje, ninguém disputa o Poder Executivo atacando os programas de inclusão social. Eles se tornaram um consenso junto à grande maioria dos eleitores. Entretanto, um número expressivo de membros da classe média os desqualifica, alegando diversos pretextos. Para eles o Brasil era bom quando pertencia a poucos. Assim, quando os polloi - a multidão - ocupam os espaços antes reservados às pessoas de "boa aparência", uma gritaria se alastra em sinal de protesto.

O que é isso, senão o enorme mal-estar dos privilegiados quando se expande a democracia? Democracia é hoje um significante poderoso, palavra bem-vista e que agrega um número crescente de possibilidades, indo da eleição pelo povo até a igualdade entre os parceiros no amor. Mas essa expansão da democracia incomoda. Daí, um ódio que domina nossa política, tal como não se via desde as vésperas do golpe de 1964, condenando medidas que favorecem os mais pobres como populistas e demagógicas". 






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