terça-feira, 26 de setembro de 2017

O novo discurso da direita. TRUMP na ONU.

No dia 19 de setembro de 2017 o presidente Donald Trump discursou pela primeira vez na ONU, por ocasião da realização de sua Assembleia Geral, desfilando o novo ideário da direita, formalizado por Stephen Miller, o ideólogo da extrema direita da vez. O discurso teve um tom nitidamente intimidador e apavorante. Ameaçou a Coreia do Norte de destruição total, sobrando também para o Irã e para a Venezuela. O discurso foi considerado como o novo manifesto ideológico para o nacional populismo do nosso tempo.
Trump em seu primeiro discurso na ONU. Ameaças à Coreia do norte.

O elemento mais inovador de seu discurso foi a ameaça direta e a convocação das Nações Unidas para combater os regimes depravados, afirmando que "se os justos não enfrentarem os perversos, então o mal triunfará". Kim Jung-un foi o alvo mais direto de seu discurso, chamando-o de homem-foguete, em missão suicida para ele e o seu regime.

O discurso retomou os principais temas que o levaram à presidência, o da "América em primeiro lugar". Convocou as nações para um redespertar nacionalista, para um reavivamento patriótico de nações orgulhosas, convencidas da necessária missão de proteger e defender os seus cidadãos, lhes oferecendo segurança. Sobraram ataques aos processos de globalização e aos diferentes tratados de livre comércio, responsáveis pela destruição de inúmeros empregos. Rússia e China também receberam menções. A Ucrânia e o mar do sul da China foram as responsáveis por estas menções.

O discurso tinha como destinatário preferencial as classes médias, para quem deu o seu recado: "vocês jamais serão esquecidos". Também pretendeu atingir as democracias liberais europeias, assustadas com o processo de globalização e com os fluxos migratórios. Sobre os refugiados falou que eles deveriam ser protegidos em seus países de origem. Com o custo de cada refugiado dá para salvar dez, em suas casas. Afirmou ainda ser esta a verdadeira ação humanitária.

Aproveitando ainda a Assembleia em reunião, lembrou qual seria a função da ONU, a de neutralizar a ação de estados canalhas como a Coreia do Norte e o Irã. Exortou ainda os países de valores e culturas diferentes a conviverem com as nações soberanas. Como visto, a arrogância e a prepotência de sempre. Os Estados Unidos se consideram como o novo país com o qual Deus celebrou a aliança de povo eleito.

A política externa americana assentou suas novas bases ao final da bipolaridade e da guerra fria, assumindo o papel de única nação hegemônica do mundo. Ataques preventivos em defesa da democracia fariam parte de suas políticas. Depois do 11 de setembro não suportariam mais ataques em seu território. Atacariam os inimigos onde estes se encontrassem.

O elemento novo do discurso é certamente o ataque à globalização, utilizando para isso o velho e forte espírito nacionalista. Os nacionalismos exacerbados foram os grandes responsáveis pelos maiores problemas que a humanidade já enfrentou, como o surgimento do fascismo e do nazismo. O seu apelo é extremamente popular e por isso mesmo tão perigoso. Não estamos vivendo em tempos de espírito pacífico. O sistema capitalista é bélico em sua raiz.

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