quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Fátima Bezerra. A Única governadora eleita em 2018.

O caráter patriarcal da sociedade brasileira se manifestou fortemente no processo eleitoral de 2018. A misoginia dominou a campanha da eleição para presidente e, apenas uma mulher venceu a eleição para um governo estadual. Foi Fátima Bezerra, na terra natal de Nísia Floresta, no Rio Grande do Norte. Fátima é paraibana, mas muito cedo tomou o rumo da cidade de Natal, em busca de estudo e  oportunidades. Fátima é a entrevistada do mês da revista CULT, número 241, dezembro de 2018.
CULT 241, dezembro de 2018. A entrevista com Fátima Bezerra.


Da entrevista, em que falou bastante sobre o projeto "Escola sem Partido", considerado por ela como "um desserviço à educação brasileira", me chamou particular atenção a matéria de apresentação, uma espécie de introdução para a entrevista. Nela é destacada a sua trajetória de vida. Fátima é paraibana, de Nova Palmeira, filha de pai pequeno lavrador e de mãe parteira, que realizava os partos gratuitamente. Nesta eleição, pela primeira vez o Rio Grande do Norte ultrapassou a casa dos seis dígitos numa eleição para governador. Mais de 1,2 milhões de votos. Mas vamos a sua trajetória.

Fátima é pedagoga formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Já em seu tempo de estudante participou do congresso de construção da UNE, em Salvador, no ano de 1979, ainda em pleno regime militar. Como pedagoga, a escola foi o seu local natural de trabalho, nas redes municipal de Natal, e estadual do Rio Grande do Norte. Da atividade estudantil passou rapidamente para a atividade sindical. Foi duas vezes presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Rio Grande do Norte, cumpriu dois mandatos de deputada estadual, três como deputada federal e um como senadora, este interrompido com a eleição para o governo do Estado. Uma carreira só de êxitos

O Rio Grande do Norte é um estado um tanto paradoxal. É considerado o Estado pioneiro na participação política, pois "vieram de lá o primeiro voto feminino, em 1927, com a professora Celina Guimarães Vianna; a primeira prefeita da América Latina, Alzira Soriano, em 1929, e o maior número de governadoras na história da redemocratização - Bezerra é a terceira, precedida por Wilma de Faria (PSB) e Rosalba Ciarlini (DEM). Mas é também o estado com maior número de mortes de mulheres e casos de estupro registrados do Sistema Único de Saúde.

Para esses números negativos, ela aponta a cultura do patriarcado, que alimenta a causa machista, como a sua grande causa. Convoca ainda as mulheres para uma mais efetiva participação na política, condição absolutamente necessária para a consolidação de nossa frágil democracia. "Precisamos de mais mulheres na política", afirma. A entrevista acompanha a sua trajetória política, além de se ocupar com temas candentes da atual política brasileira, como o "Escola sem Partido", sobre a questão do feminismo no Rio Grande Norte, a terra de Nísia Floresta, a primeira educadora feminista, e obviamente, sobre Jair Bolsonaro, o presidente eleito.

Com a leitura desta matéria uma questão passou a me intrigar muito. Também no Paraná temos pessoas que militam no Sindicato dos Trabalhadores em Educação, na Central Única dos Trabalhadores e no Fórum Estadual dos Servidores Públicos e que também participaram e participam do processo político eleitoral e o máximo que se conseguiu foi a eleição de um deputado estadual. A questão que me intriga é a seguinte. Por que os nossos representantes não conseguem os mesmos êxitos de Fátima Bezerra? Será que o problema está na qualidade da representação ou na formação política da base destas entidades? Deixo a questão para a reflexão e para o debate.








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