quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Oscar 2019. A Favorita.

Iniciei hoje, 5 de fevereiro, oficialmente, a temporada relativa ao Oscar - 2019. Embora eu já tenha assistido o Nasce uma estrela, em função de uma outra atividade (http://www.blogdopedroeloi.com.br/2018/11/cine-debate-itau-viver-mais-e-portal-do.html), hoje fui assistir A Favorita. A escolha foi aleatória, mas devo dizer que gostei muito. Pretendo assistir, ao menos, os filmes que receberam a indicação para o melhor filme. 
Cartaz promocional de A Favorita.


A Favorita é um filme dirigido por Yorgos Lanthimos e que tem como roteiristas Débora Davis e Tony McNamara. O seu enredo tem por cenário a Inglaterra do século XVIII, sob o reinado da rainha Anne. O exército inglês, em guerra com a França, é comandado pelo duque de Marlborough e a situação não é das mais confortáveis, especialmente, em função da absoluta falta de comando e de interesse por parte da rainha. Ela simplesmente não está aí para nada.

Se ela está totalmente ausente, assim como a nobreza  que a cerca, o mesmo não ocorre com Sara Churchill. Ela manobra o governo, ou algo parecido com isso. Sara é a duquesa de Marlborough, amiga, confidente e amante da rainha. Esta está sempre doente, acometida de fortes ataques da gota. Doença que, por sinal, é  chamada de a doença dos reis. Para ela havia poucos tratamentos na época. Ervas medicinais e massagens apenas aliviavam as dores. As massagens geralmente iam para além das partes afetadas pela doença. Isso ao menos é o que é dito no filme.  As cenas também se voltam ao Parlamento, ao seu fausto e inutilidade. Tudo em contraste com o sofrimento e a miséria do povo. O aumento dos impostos paira no horizonte, constantemente. A rebelião popular também.

O cenário do filme muda com a chegada à corte de Abigail Masham, uma menina aparentemente tímida e inofensiva, mas que promete agir nos limites do que lhe é permitido pela sua moral. É seduzida a trabalhar para grupos, pela sua posição privilegiada de proximidade com a rainha. Mas Abigail trabalha apenas para si mesma. Aí começam os conflitos com a duquesa, que vai perdendo o seu posto. Abigail está em franca ascensão. A rainha confessa que adora a sua língua penetrando em seu corpo. Abigail trama o afastamento de Sara, o que consegue com relativa facilidade. Um pouco de veneno ajuda. Aos poucos lhe toma, por completo, o seu lugar. As intrigas são sórdidas. A rainha, cada dia mais, beira à loucura e terminada nela mergulhada.

Creio que a grande intenção dos roteiristas e do diretor foi o de mostrar as intrigas da corte e a sua distância das aspirações populares. Nem mesmo o país em guerra lhes interessava ou lhes dizia qualquer respeito. Em compensação os atrativos da vida fácil tomavam conta do cotidiano. Este é um dos focos. O outro, com certeza, é a mostra das possibilidades da maldade humana, o agir apenas de acordo com os interesses próprios. A menina Abigail não perde tempo e por não ter limites em seu agir moral, logo atinge os objetivos junto ao poder. Suas maldades são as suas virtudes.

Quero ainda expressar a sensação que tomou conta de mim, ao longo do filme. Estabeleci paralelos com a atual realidade brasileira, com o Brasil pós golpe 2016 e a ascensão do dito cujo ao poder. Não gostaria de nominá-lo. Um presidente enfermo e sem condições de falar (Davos), em virtude de sua total ignorância. (A rainha, ao discursar perante o parlamento, simplesmente desmaiava). Enquanto isso o poder brinca com a população, que vive uma já longa crise de desemprego e sofre com as políticas de austeridade, que paulatinamente vão lhe retirando direitos. E o pior, um povo alheio à política, o alçou aos poderes supremos do país. Tristes tempos, todos os tempos.

O filme tem muitas virtudes. É muito bem feito e agradabilíssimo de assistir. É divertido. Ironia, sátira e cinismo sempre são e serão formas inteligentes de mostrar a realidade. A recomposição do cenário da corte é maravilhoso. Está disputando 10 indicações a Oscar. Três delas vão para a atuação do seu trio feminino. Olívia Colman (a rainha) disputa a indicação de melhor atriz e Rachel Weisz (Sara) e Ema Stone (Abigail), a de melhor atriz coadjuvante. Também são indicados, Yorgos Lanthimos, para a melhor direção e os roteiristas Débora Davis e Tony McNamara, para o melhor roteiro original. Sobram ainda as indicações técnicas para a melhor direção de fotografia, direção de arte, montagem e figurino. Dez no total, empatando assim com Roma, o filme de Alfonso Cuarón.

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