quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Coringa. Todd Phillips.

Coringa, ou Joker no original, é um filme altamente polêmico. Ele está totalmente centrado no personagem Arthur Fleck, interpretado por Joaquin Phoenix, um palhaço, que está diante dos problemas que o mundo lhe apresenta, agravados por graves distúrbios mentais, originários tanto na sua estrutura individual, quanto dos gerados pelo seu convívio social. A primeira cena já apresenta Arthur como problemático, o que é evidenciado pela sua irritante e desconcertante risada, diríamos, totalmente desprovida de sentido.
Cartaz promocional do filme.

A origem dos problemas de Arthur então começam a ser mostrados. Ele faz tratamento psíquico, complementado com o uso de medicamentos. Tanto o tratamento quanto os remédios lhe são cortados em função de ajustes econômicos feitos pelo Estado. O filme remonta ao final dos anos 1970 e na sua transição para os anos 1980. Há comentaristas que remetem esse fato para uma crítica ao neoliberalismo, que começa a ser implementado com força.

Os problemas de Arthur passam a ser explicitados, com destaque para o relacionamento com a sua mãe e a sua paternidade. O ricaço da cidade, Thomas Wayne, fora a grande paixão de sua mãe. Esses desajustes são marcados também pelo desemprego e pela precariedade do exercício de sua profissão. O palhaço tem que se dedicar à alegria e felicidade dos outros, sem ninguém se importar com a sua. Também o desemprego grassa em Gotham city, a cidade dos acontecimentos. Os desajustes de Arthur desembocam em atos de violência.

Os comentaristas veem no filme um tributo a Martin Scorsese, fato que teria levado ao convite para que Robert de Niro interpretasse Murray Franklin, e aos filmes de Batman. Não tenho condições de entrar nesses méritos.

Vamos a uma sequência de fatos que envolvem o conturbado personagem. Ele sofre agressões quando tem a sua placa de publicidade furtada. Reage a agressões sofridas no metrô, partindo para a vingança e matando os seus três agressores. Mata a sua mãe, sufocando-a no hospital. Procura tirar satisfações com Thomas Wayne e lhe faz ameaças, que envolvem também o seu filho. É óbvio que passa a ser perseguido pela polícia, que é apresentada em sua forma toda trapalhona. Mata um colega de profissão e se prepara para ir a um famoso programa de televisão do apresentador Murray Franklin. Antes, em casa, já fizera simulações ou ensaios sobre como seria a sua participação.

É nesse ponto que o filme atinge o seu ponto máximo. Nada dá certo. O apresentador se vê em apuros, já que o convidado em nada colabora para que a entrevista desse certo. Os diálogos mostram as amarguras e os ressentimentos de Arthur, que culminam com a cena de violência explícita de tiros frontais no apresentador. É o momento também que exige a maior concentração do expectador para captar o teor dos diálogos desse momento.

Depois disso o caos se instaura na cidade em função de uma rebelião popular contra os ricos da cidade. Será o momento em que Arthur, mais uma vez consegue despistar a perseguição policial e fazer o seu último ajuste de contas com o ricaço da cidade, Thomas Wayne. Seriam os acertos com o suposto pai, nem que adotivo?

Inicialmente o filme foi muito bem recebido, tanto pela crítica, quanto pelo público. Mais tarde apareceram críticas e dúvidas sobre o filme, sem dúvida, uma grande crítica à estrutura econômica e social desse nosso mundo. Ele incitou a luta de classes? Sim ou não? Ou seria apenas uma explosão de violência individual, fruto de muitos desajustes? O filme é uma incitação à violência, ao uso de armas, no país que consagra o seu uso? Seria um convite para fazer ajustes sociais com as próprias mãos?

Com certeza que é um filme diferente e que certamente receberá prêmios, com possibilidades de Oscar para melhor filme e ator. A direção é de Tod Phillips e roteiro escrito pelo diretor em companhia de Scott Silver. Merece também uma atenção especial a trilha sonora de Hildur Guonadótor, em especial a sua letra, que reflete os problemas do personagem central e fazendo interrogações sobre o sentido da vida. Deixo ainda espaço para os adjetivos usados pelo Omelete. Perigoso, problemático, violento, inconsequente, irresponsável e polêmico. Bom filme!

O filme mereceu onze indicações ao Oscar, o maior entre todos:
Melhor filme
Melhor ator
Melhor fotografia
Melhor figurino
Melhor direção
Melhor montagem
Melhor cabelo e maquiagem
Melhor trilha sonora original
Melhor edição de som
Melhor mixagem de som
Melhor roteiro adaptado.

Recebeu dois Oscar. O do cobiçado melhor ator e o de melhor trilha sonora.

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