quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Samba-enredo. Mangueira 2020. A Verdade Vos Fará Livre. E também o da Portela.

Mangueira fazendo história. Já em 2019 a escola brindou o povo brasileiro com uma maravilhosa aula de história, de história do Brasil, de um Brasil não oficial. Uma história de um povo negro e índio, num tempero de raças e muita dor. Vamos relembrar.
Já em 2020 a escola volta com outro tema maravilhoso, um tema religioso. Jesus volta à terra, volta para o Rio de Janeiro, volta para o "Buraco quente", onde começou a Mangueira. Jesus volta, filho de carpinteiro, pai desempregado. E a mãe: Maria das Dores Brasil. Os tempos são obscuros, mas a esperança brilha, mesmo na escuridão. E seguem duas mensagens fantásticas: Não tem futuro sem partilha - Nem Messias de arma na mão.
O samba, que é uma reza, foi composto por Manu da Cuíca e Luiz Carlos Máximo. É narrado em primeira pessoa, isto é, o Jesus da gente é o próprio narrador. Uma letra para tempos obscuros e de muita intolerância não apenas no campo religioso, mas em todas as formas possíveis. Vamos primeiro à letra e depois ao samba cantado pela escola.
Mangueira
Samba que o samba é uma reza
Se alguém por acaso despreza
Teme a força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra do Buraco Quente
Meu nome é Jesus da Gente
Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil
Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque de novo cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais que a escuridão
Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem Messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão
Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E num domingo verde-e-rosa
Ressurgi pro cordão da liberdade
Vamos ao samba cantado pela escola:
Por ser lindo demais, também deixo o samba enredo da Portela:

“GUAJUPIÁ, TERRA SEM MALES” Autores: Valtinho Botafogo, Rogério Lobo, José Carlos, Zé Miranda, Beto Aquino, Pecê Ribeiro, D’Sousa e Araguaci Intérprete: Gilsinho Clamei aos céus A chama da maldade apagou E num dilúvio a terra ele banhou Lavando as mazelas com perdão Fim da escuridão Já não existe a ira de Monã No ventre há vida, novo amanhã Irim Magé já pode ser feliz Transforma a dor Na alegria de poder mudar o mundo Mairamuana tem a chave do futuro Pra nossa tribo lutar e cantar Auê, auê, a voz da mata, okê, okê arô Se Guanabara é resistência O índio é arco, é flecha, é essência Ao proteger karioka Reúno a maloca na beira da rede Cauim pra festejar… purificar Borduna, tacape e ajaré Índio pede paz mas é de guerra Nossa aldeia é sem partido ou facção Não tem “bispo”, nem se curva a “capitão” Quando a vida nos ensina Não devemos mais errar Com a ira de Monã Aprendi a respeitar a natureza, o bem viver Pro imenso azul do céu Nunca mais escurecer Índio é tupinambá Índio tem alma guerreira Hoje meu Guajupiá é Madureira Voa Águia na floresta Salve o Samba, salve ela Índio é dono desse chão Índio é filho da Portela

https://www.youtube.com/watch?v=xsPswtxm3cE

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