sábado, 28 de novembro de 2020

Carne e Osso. O trabalho em frigoríficos brasileiros.

Creio que todos (as) leitores (as) desse blog conhecem o filme de Charles Chaplin Tempos Modernos. Trata-se do insuperável filme sobre o mundo do trabalho nos primórdios do capitalismo. Um dos pontos altos de Chaplin, além do humor cáustico, são as cenas de aceleração do trabalho visando a produtividade. Tempo e movimento, com o taylorismo, passaram a ser objeto de estudos científicos. Cenas de um capitalismo "bonzinho".

Carne e osso. O trabalho em frigoríficos brasileiros. ONG Repórter Brasil.


Agora, participando de um curso de formação, "Educação, Sociedade e Sindicalismo", promovido pelo coletivo de formação da APP-Independente, em parceria com o NESEF, da UFPR, destinado à preparação de lideranças sindicais, foi abordado o tema das transformações no mundo do trabalho e os impactos dessas mudanças sobre a saúde do trabalhador. Os palestrantes foram o Dr. prof. Caio Antunes e a Dra. professora Joana Alice Ribeiro de Freitas. A professora, em sua fala, recomendou o documentário Carne e Osso, que fala sobre o trabalho nos frigoríficos bovino, suíno e de aves no Brasil. Hoje mesmo assisti o documentário, uma vez que ele está disponível gratuitamente, bastando uma clicada no Google. O documentário é estarrecedor. Tempo e movimento é o grande tema. Tantos movimentos por minuto..., sob intensa fiscalização e controles remotos de medição de produtividade e controles, como distrações, idas ao banheiro... A fixação de metas é um assédio permanente. Deixo o link das falas:

 https://www.youtube.com/watch?v=5NeWcXQgf78&t=18s&fbclid=IwAR3pgLREVlZFW58vMKIVSFJHoV-pfkbkKVHYQhmkanIz2k-QudixpWKDxKc

O resultado desse processo só poderia dar no adoecimento. Adoecimento brutal, tanto do corpo como da mente. Movimentos repetitivos e a sua intensificação causam o "apodrecimento" do sistema muscular e nervoso. Os médicos do trabalho ganham, entre os trabalhadores, um sugestivo apelido de "Doutor Diclofenaco", visto ser este o remédio que sempre receitam. Se em Tempos Modernos havia o humor cáustico, a gravidade da situação atual nos frigoríficos brasileiros impede qualquer relação com o humor, por mais irônico que se pretenda ser. Tudo é uma tragédia, uma horrível tragédia.

O trabalho é a única forma da sobrevivência do ser humano, se relacionando, portanto, com a vida, com a sobrevivência, ou melhor com a morte. Não vou tecer comentários, para que, ao vê-lo, aflorem apenas os seus sentimentos. E se, ao final, conseguir ainda defender o sistema capitalista, creio que você terá atingido um elevado grau de desumanidade e poderá se candidatar a exercer a função de "capitão do mato" num frigorífico desses, ou se candidatar a um cargo político por partidos ligados ao bolsonarismo.

Pelo fato de o documentário estar livremente disponível no Google creio não ter problemas em sua reprodução. O faço no intuito de lhe dar maior visibilidade. O documentário consumiu dois anos de pesquisa, sob a responsabilidade da ONG Repórter Brasil e veio a público no ano de 2011. Dou a ficha técnica: Direção: Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros; roteiro e edição: Caio Cavechini; fotografia: Lucas Barreto; pesquisa: André Campos e  Carlos Juliano Barros; produção executiva: Maurício Hashizume e coordenação geral de Leonardo Sakamoto. Parabéns pelos muitos méritos da ONG "Repórter Brasil". Segue o link de acesso.

https://www.youtube.com/watch?v=887vSqI35i8


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