terça-feira, 18 de maio de 2021

DRUK. Mais uma rodada. Melhor filme estrangeiro.

No domingo, 25 de abril  de 2021, ocorreu a solenidade da premiação do Oscar - 2021. Com a pandemia tudo foi diferente. A cerimônia e a forma de ver os filmes. Mas, com listagem em mãos, vamos dar um jeito para assistir, ao menos, os que receberam as principais estatuetas. Comecei pelo melhor filme em língua estrangeira, Druk. Mais uma rodada, por saber que o filme contava com a atuação de professores, embora a educação, propriamente dita, não seja o tema central. Ele versa sobre bebidas alcoólicas e desempenho profissional e relacional.

Druk. Mais uma rodada. Thomas Vinterberg. Melhor filme estrangeiro. Dinamarca.

Com o tema do álcool já apresentado, vamos a algumas considerações em torno do filme. O filme é dinamarquês e os quatro atores principais são professores do ensino médio (Mads Michelsen, como Martin, o ator protagonista, Thomas Bo Larsen, Magnus Millang e Lars Rauthe). Como professor, a primeira percepção que eu tive foi a dos ambientes frequentados pelos professores. Seriam ambientes totalmente proibidos a professores brasileiros desse mesmo nível de ensino. Me refiro especialmente ao restaurante frequentado, na cena principal do filme, aquela em que o tema do álcool começa a ser discutido.

Com vida estável e relativamente tranquila (embora a questão econômica, de longe, resolva todos os problemas do ser humano), os quatro professores se reúnem num jantar, para discutirem, no país berço do existencialismo, o tédio em suas vidas e o baixo desempenho profissional e relacional em suas vidas. Martin, professor de História, acabara de dar uma entediante aula sobre Winston Churchill. Os das outras áreas não tinham performance melhor, como é mostrado pelas aulas de música e de educação física. E surge a proposta.

De acordo com a teoria de um conterrâneo, o ser humano tem uma defasagem de 0,05º de álcool em sua corrente sanguínea, o que explicaria o baixo desempenho em suas atividades. Isso pode ser facilmente corrigido, tomando cerveja, vinho ou vodca, para que o organismo humano sempre esteja nesse nível, que seria o adequado. Convenhamos, uma teoria um tanto estranha. Eles passam a testá-la e, efetivamente melhoram, e muito, os seus desempenhos. E, ainda em caráter experimental, aumentam as doses, até tomarem porres homéricos.

Martin, em uma aula de história contrapõe personagens que beberam a outros que eram até abstêmios. Entre os beberrões se situa Churchill e Hemingway e entre os abstêmios figurava Adolf Hitler. (Eu, particularmente me lembrei do nosso grande e querido Lima Barreto e os seus Diário de hospício e O cemitério dos vivos). Em casa, no começo, dão mais atenção a filhos e esposas. Mas com o aumento das bebedeiras, o óbvio acontece. Os quatro resolvem escrever sobre os resultados da experiência e não a recomendam a ninguém. Concluem que, por em prática essa teoria, eles seriam levados ao alcoolismo.

Até um aluno, tímido e travado na fala, na prestação de uma prova oral, é induzido pelo professor a tomar o gole do encorajamento, do se soltar. Isso faz com que ele, de travado, passe a fazer uma excelente explanação sobre o pai da filosofia existencialista dinamarquês, Soren Kierkegaard.

O filme é tratado de forma leve e com muito humor. Vi até classificações em que é apontado como um drama/comédia. Creio que a questão do álcool merece uma palavra ou uma interrogação. O filme induz ao hábito de beber, reforça o uso da bebida de quem tem tendências? Da minha parte, não faço juízos morais, mas confesso que senti uma vontade bastante grande de tomar uma cervejinha ou uma taça de vinho, num brinde ao fantástico Dionísio. O filme começa e termina com festa e a presença de muita bebida, com a participação, tanto dos professores, quanto dos alunos. A cena final é uma alusão ao subtítulo do filme - Mais uma rodada. Cena que, por sinal, está sendo muito elogiada pela crítica. O filme tem a direção segura de Thomas Vinterberg.

Quanto a palavra Druk, do título, pesquisei bastante, mas não encontrei nenhuma explicação quanto ao seu uso. Então, eu recorri ao vizinho povo alemão e busquei o significado da palavra Druck, que eu sabia que significava - pressão, ou impressão - de imprimir. Pode ser, então, pressão por desempenho? Vou investigar um pouco mais.

Também lembrei de uma cena já distante na memória, possivelmente dos anos 1970. Eu acompanhava a minha mãe em uma consulta médica, na cidade de São Sebastião do Caí. Minha mãe morava na cidade vizinha de Harmonia. Eu já morava no Paraná. Após a consulta, iniciei uma rápida conversa com o médico, que foi parar no filho de um vizinho de minha mãe, que tratava do problema do alcoolismo com ele. Lembro da fala. "Ontem, eu o dispensei do tratamento aqui no consultório". Especificando, ele declarou que o rapaz, antes de iniciar o tratamento queria, ainda antes, fazer a sua mais uma rodada. Ao que o médico lhe retrucou: "Ou o tratamento começa agora, ou não te trato mais".


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