segunda-feira, 7 de setembro de 2026

História Viva. Maquiavel, o gênio de Florença. O homem que revolucionou o pensamento político.

Tenho em minha biblioteca algumas revistas que são verdadeiras preciosidades. Entre elas está  História Viva - Grandes temas - edição especial temática número 15, da Duetto Editorial. O tema da edição especial é Maquiavel, o gênio de Florença - O homem que revolucionou o pensamento político. São 98 páginas de contextualização histórica, de análise e de repercussão da principal obra do gênio, que viveu na cidade de Florença entre os anos de 1469 a 1527. O esplendor da principal cidade do Renascimento ocorreu entre os séculos XIV e XVI. Esta revista, com certeza, mereceria outra edição especial, na forma de livro.

Revista História Viva. Grandes temas. Maquiavel, o gênio de Florença.

Como no meu blog estou fazendo algumas resenhas em torno de Maquiavel, eu não quero deixar de por os leitores  em contato com um dos trabalhos mais bem feitos em torno do seu O Príncipe. Mas como o espaço do blog não é apropriado para análises mais longas, vou tentar, ao menos, apresentar os temas abordados por diferentes especialistas e dar destaque a algumas frases essenciais presentes na obra. Creio que vai ser bastante útil. São 20 os temas abordados. Apresento o título do Sumário, o título do artigo e os subtítulos. Vejamos:

Apogeu cultural. Os 300 anos em que Florença esteve no centro artístico e político do mundo. A autoria é de Maria Berbara (Páginas 6 a 19). 300 anos no epicentro comercial e cultural do mundo. - O controle dos Médici foi fundamental para elevar o poderio econômico e expansionista da região italiana. - A partir de Dante, a língua italiana seria estabelecida, e a partir de Giotto, as artes visuais ganhariam unidade. - No final do século XIV, Florença viveu uma série de desastres naturais, políticos e financeiros, que levaram a cidade à beira do cataclismo, com a revolta dos Ciompi, os fiadores de lã. A família Médici emergiu na arena política ao final do século XVI. Uma cilada, preparada por uma família rival, levou uma tragédia ao lar dos Médici; Giuliano foi assassinado, - Savonarola assume o poder de Florença com o objetivo de livrar a cidade do profano: cosméticos, jogos, livros e arte. - A Contra-Reforma fez Florença abandonar seu projeto republicano, que havia sobrevivido por 400 anos. Os Médici governariam até 1737.

Galeria de arte. O ápice do Renascimento e as obras que marcaram o século XVI. O texto tem a assinatura de Luiz Marques (Páginas 20 a 29). Galeria de arte Florentina. - Como nos indica o título, trata-se de uma galeria onde figuravam as principais obras de arte do período.

O príncipe inspirador. A ascensão de César Bórgia, o filho do papa, que quase unificou a Itália. A autoria do texto coube a  Alain Decaux (Páginas 30 a 39). César Bórgia, o protagonista da obra prima. - O homem que melhor incorporou a ideia de que os fins justificam os meios trocou o hábito religioso pelas armas e tentou barbaramente reunificar a Itália. Na suntuosa Roma, César Bórgia viveu sua ascensão como filho de um grande senhor, no caso, o papa Alexandre VI. - A preferência explícita do pai pelo irmão alimentava o ódio em César, ao mesmo tempo que o afastava das armas. -  Com a sensação de ter o mundo nas mãos, César solidificou a amizade com o rei francês Luís XII e combateu a seu lado. - Com a morte de Alexandre VI, o duque Valentino (César) perdeu tudo. Exilou-se no reino de Navarra, onde viveu sua batalha final.

Contexto histórico. A compreensão do pensamento de Maquiavel é indissociável da análise de sua época. O texto, mais uma vez é de Luiz Marques (Páginas 40-41). Consta de um mapa político da época de Maquiavel e uma sugestiva frase: "Não inflige dor um porco a outro um cervo a outro: somente o homem outro homem mata, crucifica e despoja" (O asno, de Maquiavel).

Vida e obra. Pontos cruciais do percurso do pensador florentino. É mais um texto de Luiz Marques (Páginas 42 a 43). Trajetória para a criação de uma filosofia. Entre a prática e a análise, momentos determinantes na vida do florentino.

Biografia. A vida do secretário da República que se tronou o mais brilhante historiador e teórico da política florentina. Outro texto de Luiz Marques (Páginas 44 a 53). De homem de Estado a pensador político. - Maquiavel colocou a serviço da República toda sua lucidez para entender e antever os momentos cruciais de Florença.  - Em suas legações pela Europa conhece César Bórgia e Leonardo da Vinci, que se tornaria seu grande amigo. - Livre da prisão e da tortura, Maquiavel retirou-se para Percussina, onde escreveu sua grande obra, O príncipe. - De volta à vida política, o pensador florentino viu sua bandeira triunfar, mas já era tarde para a Itália.

A gênese da obra. Durante o exílio forçado, Maquiavel compõe seu livro mais célebre. A autoria é de Luiz Marques (Páginas 54-55). No exílio nasce o teórico. Afastado de Florença, Maquiavel mantém uma rotina simples e intelectualmente produtiva. 

A natureza das coisas. O teórico visita as questões morais da tradição clássica e mostra no Príncipe, que a política é fruto da história real dos homens. A autoria é de Newton Bignotto ( Páginas 56 a 59). O Príncipe - a história real dos homens. - Na sua célebre obra, Maquiavel muda o tradicional foco de análise e aprende com o regime existente. - Maquiavel procede a uma luta feroz contra a tradição, produzindo uma nova compreensão do que seja a política. 

Os jogos do poder. As considerações morais apresentadas por Maquiavel em dois momentos de sua vida. O texto é de José Alves de Freitas Neto (Páginas 60 a 63).  A Moral do Poder. - As incômodas considerações éticas sobre como os governantes devem proceder para serem amados e temidos pela população. - Maquiavel não distingue ética de política em sua obra, mas faz críticas a uma certa ética cristã e aos resultados que esta provocou na Itália. 

Nem manual, nem tratado. Obra de Maquiavel deve ser lida como uma explicação sobre a busca da manutenção do poder. A autoria coube a Rafael Ruiz. (Páginas 64 a 67). De Aristóteles à tradição moderna. Maquiavel rompe com o modelo clássico ao considerar a capacidade de obter resultados de um governante, mais importante que a moral. - O homem prudente de Maquiavel, que sabe usar o momento, as ações e as palavras para bem governar, pode não existir, é utópico.

A cidade vista por dentro. Livro encomendado por um Médici retrata o amor do pensador por Florença. O texto é de Helton Adverse (Páginas 68-69). A visão pessoal da cidade. - Obra encomendada pelo cardeal Médici marca a volta de Maquiavel à vida política.

Influência do pensamento. O legado das ideias de Maquiavel percorre cinco séculos de filosofia política. O texto novamente é de Luiz Marques (Páginas 70-71). A Fortuna crítica.

A reação iluminista. Voltaire assina refutação dos escritos do florentino. Outro texto de Luiz Marques (Páginas 72 a 75). Voltaire contra a arte da maldade. - O filósofo francês, revisou os manuscritos, editou e assinou o prefácio para o libelo Anti-Maquiavel, escrito por Frederico II, rei da Prússia. - A crítica de Voltaire visa historiografia, que tendia a justificar o absolutismo, e sobretudo Amelot de la Houssaye, o tradutor para o francês.

Contra o moralismo. Hegel analisa O Príncipe como metáfora do Estado. Mais um texto de Luiz Marques (Páginas 76 a 79). Entre o Renascimento italiano e a Alemanha de HEGEL. Filósofo critica moralistas e transforma a figura do príncipe de Maquiavel na imagem de um poder legítimo e universal, metáfora do Estado. Para Hegel, Maquiavel soube ter o frio juízo a ver que, para salvar a Itália, era preciso unificá-la em um único Estado.

Escritos do cárcere. Para Gramsci, Maquiavel encarna revolução falida. Mais uma vez Luiz Marques (Páginas 80 a 83). - Gramsci e a revolução burguesa falida. Nos escritos do pensador italiano, Maquiavel ocupa uma posição central, como o teórico dos Estados Nacionais regidos pela monarquia absoluta. 

Eternas interrogações. Raymond Aron e o caráter enigmático do autor. De novo Luiz Marques (Páginas 84 a 87). Aron e as interrogações sem resposta. Para o pensador francês, O Príncipe é uma obra cuja clareza aparente ofusca e cujo mistério e os simples leitores tentam em vão penetrar. 

Mal versus liberdade. Strauss ressalta o pensamento diabólico. Novamente Luiz Marques é o autor do texto (Páginas 88 a 91). Strauss e o retorno do "Old Nick". Para o filósofo do neoconservadorismo norte-americano, os Estados Unidos são o único país fundado em uma explícita oposição aos princípios maquiavélicos.

O Príncipe e a prosa. De Sanctis situa escritos na história literária. Texto mais uma vez de Luiz Marques (Páginas 92-93). A prosa italiana moderna por DE SANCTIS. Sem preocupar-se com a forma, o pensador florentino teria criado um modo puro de escrever.

A verdade libertadora. Para Papini, Maquiavel põe à mostra a feiura que ninguém quer ver. Outra vez, texto de Luiz Castro (Páginas 94 a 97). Papini e o estilo realista no pós-guerra. Polêmico e pragmático, o escritor defende e compara sua prosa ao modelo duro adotado por Maquiavel. 

Ponto final.  Por Antônio Valverde. (Página 98). Como ler Maquiavel hoje. Compreender o escritor florentino atualmente é pensar a política como ação que mira o bem público futuro.

Deixo ainda os dois posts anteriores sobre o pensador. 

http://www.blogdopedroeloi.com.br/2026/08/maquiavel-newton-bignotto-filosofia.html

http://www.blogdopedroeloi.com.br/2026/09/nicolau-maquiavel-o-cidadao-sem-fortuna.html




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