quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

A - Mais-Valia - em pequenos tópicos. Explicada por Leo Huberman. - A história da Riqueza do Homem.

A finalidade deste post é a de explicitar de uma maneira simples e fácil, um conceito extremamente complexo e fundamental para a compreensão do funcionamento do modo de produção capitalista. Trata-se do conceito de MAIS-VALIA, conceito pelo qual Marx fez a sua maior denúncia sobre a exploração contida no sistema capitalista, qual seja - o não pagamento de todas as horas trabalhadas e a sua apropriação pelo dono do capital, ao comprar a força de trabalho dos trabalhadores. Esta explicitação se encontra no importante livro de Leo Huberman, História da riqueza do homem.

História da riqueza do Homem. Leo Huberman. Zahar. 1983. Tradução Waltensir Dutra.

O livro de Leo Huberman está dividido em duas partes. Na primeira - Do feudalismo ao capitalismo - ele relata a formação histórica do surgimento do sistema com a superação do sistema feudal. São séculos de história. Na segunda parte o autor se dedica à análise das contradições internas desse sistema, que são irreversíveis e que trazem como consequência uma infinidade de guerras. O sistema tem como principal finalidade a obtenção de lucro e este é obtido pela Mais-valia, ou seja, pelas horas de trabalho que não são pagas ao trabalhador. Este trabalhador foi forjado dentro do próprio sistema, ao  transformá-lo de um artesão em um trabalhador "livre". Livre de tudo, despojado de tudo, menos de sua força de trabalho, que ele é obrigado a vender, por necessidade de sobrevivência. O principal teórico do valor do trabalho foi David Ricardo. Foi sobre essa teoria que Marx se debruçou para desvendá-la. Agora sim, vamos ao livro, aos tópicos explicativos do conceito.

"A teoria da mais-valia de Marx resolve o mistério de como o trabalho é explorado na sociedade capitalista. Vamos resumir todo o processo em frases curtas:

O sistema capitalista se ocupa da produção de artigos para a venda, ou de mercadorias.

O valor de uma mercadoria é determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário encerrado na sua produção.

O trabalhador não possui os meios de produção (terra, ferramentas, fábricas etc.).

Para viver, ele tem de vender a única mercadoria de que é dono, sua força de trabalho.

O valor de sua força de trabalho, como o de qualquer mercadoria, é o total necessário à sua produção - no caso, a soma necessária para mantê-lo vivo.

Os salários que lhe são pagos, portanto, serão iguais apenas ao que é necessário à sua manutenção.

Mas esse total que recebe, o trabalhador pode produzir em parte de um dia de trabalho.

Isso significa que apenas parte do tempo estará trabalhando para si.

O resto do tempo, estará trabalhando para o patrão.

A diferença entre o que o trabalhador recebe de salário e o valor da mercadoria que produz, é a mais-valia.

A mais-valia fica com o empregador - o dono dos meios de produção.

É a fonte do lucro, juro, renda - as rendas das classes que são donas.

A mais-valia é a medida da exploração do trabalho no sistema capitalista".

Está aí, - simples assim. Mas vale a pena seguir a leitura por mais um parágrafo. Nele encontramos uma perspicaz observação, da comparação entre Abraham Lincoln  e a teoria da mais-valia de Marx. Leo Huberman foi professor e diretor do Departamento de Ciências Sociais da famosa Universidade Colúmbia de Nova York. Vejamos:

"Kark Marx era um atento estudioso da história americana, e portanto é provável que conhecesse os escritos e discursos de Abraham Lincoln. Não sabemos se Lincoln teve a oportunidade de ler qualquer dos trabalhos de Karl Marx. Mas sabemos que sobre certos assuntos seus pensamentos eram idênticos. Vejamos esse trecho de Abraham Lincoln: 'Nada de bom tem sido, ou pode ser, desfrutado sem ter primeiro custado trabalho. E como a maioria das coisas boas são produzidas pelo trabalho, segue-se que todas essas coisas pertencem, de direito, àqueles que trabalharam para produzi-las. Mas tem ocorrido, em todas as eras do mundo, que muitos trabalharam e outros, sem trabalhar, desfrutaram uma grande proporção dos frutos. Isso está errado e não deve continuar. Assegurar a todo trabalhador o produto de seu trabalho, ou o máximo possível desse produto, é o objetivo digno de qualquer bom governo". In Leo Huberman. História da riqueza do homem. Zahar. 19ª edição. 1983. Páginas 232-234).

Deixo ainda o link da resenha do livro.

http://www.blogdopedroeloi.com.br/2026/01/historia-da-riqueza-do-homem-leo.html

E ainda a teoria dos modos de produção - da Contribuição à Crítica da Economia Política:

http://www.blogdopedroeloi.com.br/2015/11/prefacio-contribuicao-critica-da.html