sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A Chegada. Denis Villeneuve.

Quando fui ao cinema para ver A Chegada eu já sabia que eu não iria ver um filme de simples entretenimento. Li as críticas e já sabia que se tratava de um filme de ficção científica e estes filmes, de uma maneira geral, não são de fácil assimilação. Ao assisti-lo, fiquei em estado de concentração total, dedicando um grande esforço para, especialmente, entender a mensagem do filme ou então compreender as intenções de seu diretor. Não foi e continua não sendo uma tarefa fácil.
Cartaz promocional de A Chegada.


Ao sair do cinema, entretido em reflexões, permaneci bastante confuso em relação ao roteiro, que tem duas histórias entrelaçadas, com belíssimas conexões, mas não tão simples de serem estabelecidas. Para compreender bem este filme, ele necessariamente precisa ser visto mais vezes. Mas em hipótese alguma, deixa de ser um belo filme.

Acessando os sites de crítica cinematográfica estranhei a existência de poucos comentários sobre o mesmo. Os existentes, de maneira geral são curtos e me pareceram receosos de entrar mais profundamente na temática. Mas vamos a alguns elementos fundamentais do roteiro. Como nos diz o título do filme, A Chegada, se refere à chegada de alienígenas ao planeta terra. Eles chegam a diferentes locais, determinados pela importância geopolítica dos tempos de hoje, embora a ocorrência do fato nos remeta ao futuro. 

Também a cobertura midiática é dos tempos atuais. Da mesma forma também se deu a entrada em contato com estes alienígenas, marcada pelo confronto, pelo enfrentamento militar. Mas aí entra em cena um coronel americano que se diferencia (O filme é canadense), contratando especialistas em comunicação para com eles estabelecer contato e lhes decifrar as intenções. Se estão em missão de paz ou então, com a visão dos humanos, em missão de conquista, de dominação.

Aí já temos a centralidade do enredo estabelecida, bem como os personagens protagonistas. O militar americano é o coronel Weber (Forest Withaker) que será o encarregado de contratar os especialistas para a decifração dos sinais e assim estabelecer, com os alienígenas, um processo de comunicação e verificar as intenções que eles tem a sua Chegada à terra. Esta missão é confiada à Doutora Louise Banks (Amy Adams) renomada linguista, auxiliada por um físico, Ian Donelli (Jeremy Renner). Estes personagens não conhecem limites para cumprirem sua missão, arriscando suas vidas e o próprio destino da humanidade, em caso de recepção hostil.

Em seu trabalho a Dra. Louise é tomada por reminiscências de sua memória e estabelece relações magistrais com a sua filha, uma criança que também alça as suas primeiras investidas na busca da interpretação e compreensão do mundo. Para mim estas foram as cenas mais primorosas do filme, embora feitas por imagens não tão explícitas. A morte desta filha, a relação com o pai não estão bem explicitadas. Também, já ao final, como coroação do trabalho, uma compensação amorosa, com a intenção de geração de um filho entre os dois cientistas ocorre. Seria este um sinal de que a humanidade não é tão ruim assim e que ainda há motivos para novas vidas serem geradas.

A missão dos extra terrestres era a de salvar a humanidade. Salvá-la do quê? Isto também não está explicitado, mas creio que não haveria nenhuma necessidade de explicitação, uma vez que conhecemos a sua realidade. A Dra. Banks recebe inclusive um envolvente agradecimento do comandante chinês da operação desta missão. Também existe uma bela mensagem de "soma de esforços", de cooperação entre as missões dos diferentes locais em que os extra terrestres apareceram, deixando de lado os princípios norteados pela competição.

O filme é canadense, com roteiro de Eric Heisserer e direção de Denis Villeneuve. Mereceu oito indicações ao Oscar, a saber: melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia, melhor mixagem de som, melhor edição de som, melhor edição de arte e melhor edição. Um filme a ser observado e muito bem observado.

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