sábado, 5 de dezembro de 2020

PAPA JOÃO XXXIII. Thomas Cahil.

Seguramente um livro cuja leitura faz muito bem. O li pela primeira vez em janeiro de 2010. O retomei agora, lendo-o bem mais atentamente, com muito mais cuidado. Nunca me canso em afirmar que o papa João XXIII foi a maior das influências que eu recebi em minha vida, especialmente em meus anos de formação nos seminários de Bom Princípio (1957-1958), Gravataí (1959-1964) e Viamão (1965-1968). O pontificado de João XXIII foi exercido durante os anos de 1958 a 1963, e a sua vida entre os anos de 1881 a 1963. Guardo ligeiramente na memória, o evento da morte e a troca dos papas.

Papa João XXIII. Thomas Cahill. Objetiva 2002. Tradução de Ana Luiza Dantas Borges.

Mas o objetivo deste post é o livro de Thomas Cahill, Papa João XXIII, da editora Objetiva. A publicação é do ano de 2002. Cahil é ex-diretor de publicações religiosas da Doubleday e leva a sua vida entre  as cidades de Nova York e de Roma. Na biografia ele mostra uma profunda admiração e carinho pelo papa que, segundo ele, dirigiu suas palavras ao mundo, e não apenas aos cristãos católicos, como os papas costumavam fazer. Cahill também é homem de profunda erudição, mostrando um domínio quase absoluto do complexo tema da história dos papados. Humanidade e sensibilidade perpassam a biografia. Também é verdade que a vida do biografado em tudo contribuiu para isso.

Na orelha de capa encontramos dois parágrafos que pretendem sintetizar o livro. O primeiro versa sobre o pontificado, buscando também uma retrospectiva histórica dos papados e o segundo versa sobre o ser humano extraordinário que o papa João XXIII foi. Vejamos: "Papa João XXIII começa com a história concisa, mas de alcance geral, da Igreja Católica e do papado, culminando no breve, mas inesquecível, reinado de Angelo Giuseppe Roncalli como Papa João XXIII, em meados do século XX. Aos 76 anos ele não era uma figura pública muito conhecida, nem um teólogo altamente treinado; assim, de início, acreditou-se que seria apenas um papa de transição. Durante seu reinado, entretanto, ele instituiu mudanças produtivas e sem precedentes, que refletiram sua preocupação com as aflições da humanidade.

Em uma prosa agradável e apaixonada, Cahill acompanha a vida do Pontífice de suas raízes camponesas ao marcante Segundo Concílio do Vaticano, com sua ênfase na justiça social para todos, assinalando o começo de uma verdadeira mudança na Igreja Católica e em sua relação com o mundo moderno. Nesta biografia que cativará igualmente católicos e não católicos. Cahill combina, com sua rara habilidade, imaginação, discernimento interpretativo e erudição, conseguindo, assim, refletir a intuição, espontaneidade e visão imparcial do próprio Papa João XXIII".

O livro, de 295 páginas, está dividido em quatro capítulos, uma pequena introdução, epílogo, notas e fontes e agradecimentos. Dou o título e subtítulo dos capítulos: I. Antes de João: Da congregação à Igreja e ao Padrão da Ortodoxia. A Igreja Imperial. Os Romanos e os Bárbaros. As duas espadas. A necessidade da Reforma e somente o papa. Muita história e erudição, uma história da constituição do papado, passando por crises e afirmações. Um belo capítulo.

II. Angelo, o homem: De camponês a padre. De secretário a historiador. De servente a arcebispo. De diplomata a patriarca. Um capítulo muito rico. Apresenta a sua trajetória de vida pessoal, de sua infância e juventude para penetrar na história italiana e mundial desse período. Sofia, Constantinopla e Paris entram em cena na vida de Angelo.

III. Roncalli, o pastor; João, o Papa. Veneza. O Vaticano: O patriarca de Veneza ganha projeção e é alçado à condição de Papa, escolhido em seu 11º escrutínio. Rompe a tradição dos conservadores Papas Pio, retoma Leão XIII, convoca o Concílio Vaticano II e escreve as progressistas encíclicas Mater et Magistra e Pacem in Terris. Sublinhei, em especial, uma frase: "Não foi o Evangelho que mudou; nós é que começamos a compreendê-lo melhor" e anotei duas observações: Pasolini produz e dirige o filme O Evangelho segundo São Mateus em sua homenagem e Os Noivos, de Alessandro Manzoni era um de seus livros de cabeceira. Já o separei para a leitura.

IV. Depois de João: Paulo VI. João Paulo II. Apresenta Paulo VI como seu continuador, na conclusão do Concílio e com a bela encíclica Populorum Progressio. Depois se acomoda sob a influência dos Conservadores. Já João Paulo II representa uma volta a Pio XII e se apresenta ao mundo não mais como um Papa universal mas como um policial universal, muito mais preocupado em punir do que em perdoar. Retrocessos de um papado interminável, de um Papa que "viajou o mundo, sem se dirigir ao mundo" mas apenas aos cristãos católicos do mundo.

Volto à minha formação. Tenho muito orgulho dela. Também saí da roça - de agricultura primitiva para o seminário. Ainda em Bom Princípio, recebemos a notícia da morte de Pio XII e de sua sucessão por João XXIII. Em Gravataí acompanhamos o Concílio Vaticano II e a Doutrina Social Católica por suas encíclicas e em Viamão acompanhamos um pouco do pontificado de Paulo VI. Nos chegavam as primeiras influências de uma visão progressista, humana e fraterna de mundo. Tenho muito orgulho dessa minha formação. O livro/biografia é também um belo exercício da compreensão e do significado vivenciado da riqueza da palavra "alteridade".

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