sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

O Quarto de Jack. Lenny Abrahamson.

Quando algum filme recebe a indicação ao Oscar de melhor filme, pode ter certeza que ele tem méritos por ter recebido esta indicação. Isso ocorre com O Quarto de Jack. É um filme muito lindo e que mexe profundamente com o emocional. Não concorre apenas ao Oscar de melhor filme, mas também aos de melhor roteiro adaptado, de melhor atriz para Joy (Brie Larson) e de melhor diretor para Lenny Abrahamson.
O romance de Emma Donoghue, que ela mesma adaptou para o filme.

O roteiro é adaptado do romance Room da irlandesa canadense Emma Danoghue, escrito em 2010. Alguns afirmam que ela teria se inspirado no caso do austríaco que manteve presa a sua filha por 20 anos e com ela ela teve sete filhos, em um caso que se tornou famoso. Mas isso são coisas da imaginação. A adaptação do romance mereceu a indicação ao Oscar de melhor roteiro adaptado e foi escrito pela própria autora do livro.

Vamos a alguns elementos do filme. A primeira parte passa-se no quarto, O quarto de Jack. Jack é um inteligente menino de cinco anos. O quarto é dividido com a sua mãe, Joy. Ele é um minúsculo esconderijo onde Joy foi aprisionada pelo Nick, que a mantém prisioneira com o filho. A relação entre a mãe e o filho é extremamente afetuosa, mas que não esconde também momentos de profunda tensão, especialmente quando das visitas de Nick. A situação se complica quando Joy percebe que Nick está desempregado e os mantimentos básicos começam a faltar. Essa situação poderia redundar em morte, jamais em libertação. 
Cartaz promocional de O Quarto de Jack.


Joy estabelece um plano, envolvendo o pequeno Jack. Ele simula uma doença. Nick não se comove para levá-lo a um médico. Então o plano passa pela morte. Jack é enrolado num tapete e Nick o leva e o abandonaria num bosque, mas instruído pela mãe, numa diminuição da velocidade do carro, o pequeno e esperto menino salta e é acudido. Nick, desesperado, empreende fuga. A polícia facilmente desvenda o caso e libertam também Joy. Os dois recebem tratamento de adaptação. Não sei porque, mas me lembrei da Alegoria da Caverna.

A adaptação ao mundo, fora do quarto, não é fácil. A relação de Joy com o seu pai é complicada e o fato ganha a mídia. A entrevista toma rumos complicados e Joy entra em pânico, tentando o suicídio. O pequeno Jack sente a falta da mãe, que está em recuperação. Nesse momento ocorre a cena mais emocionante do filme. A cena do corte do cabelo de Jack. Nele estava, simbolicamente, na imaginação do menino, a força para viver. A música sempre acompanha devidamente o volume das emoções. Outra cena marcante é quando Jack fala que sente saudades do quarto e aponta o motivo para tal. Ali a mãe esteve sempre presente. Nunca lhe faltou.
A maravilhosa relação entre Joy e Jack no quarto.

Entre as dificuldades de adaptação ao mundo real, existe uma volta ao quarto. O filme insinua que a adaptação ao mundo real já estava completa. Jack com muita naturalidade se despede dos poucos objetos que havia no quarto, dando adeus à cozinha, à banheira, ao guarda-roupa, à cama e ao aparelho de televisão, com a qual dividira o seu mundo entre a imaginação e o real. O teor do filme é um tema muito sensível e extremamente ao gosto do povo americano e como está revestido de muita beleza e ternura é candidatíssimo ao Oscar. Um, mas que não está em jogo, ele já ganhou. Aquele que proporcionou ao público as maiores emoções.

Ponto alto do filme é a interpretação da mãe e do menino. O menino é encantador, de uma inteligência cativante. Joy, a mãe, interpretada por Brie Larson tem a indicação para a melhor atriz, sendo apontada como franca favorita para receber o prêmio. São atuações impecáveis. As indicações ao Oscar são em quesitos de substância, como melhor filme, direção, roteiro adaptado e melhor atriz.

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