quinta-feira, 3 de março de 2016

O Regresso. Alejandro G. Iñárrítu.

O Regresso me fez lembrar de outro filme, que no ano de 2014 recebeu 10 indicações ao Oscar. Trata-se de Gravidade, filme em que Sandra Bullock, se fosse na vida real, teria morrido um milhão de vezes. A lembrança deste filme se deve a situação idêntica, que ocorre com Leonardo DiCaprio, que vive, em 90% do filme, nos limites entre a vida e a morte. Em condições reais não teria, nem sequer, sobrevivido ao ataque do urso.
Cartaz promocional do filme O Regresso.

Outra interrogação que também me fiz, ao longo de todo o filme, foi sobre a intenção do mesmo. Quais seriam as reais intenções para a realização deste filme? Apenas na parte final aparece com clareza que se trata de mostrar a vingança de Hug Glass (Leonardo DiCaprio) sobre John Fitzgerald (Tom Hardy), por este haver matado traiçoeiramente o seu filho. Muita luta e muita ação e, sempre no limite dos personagens.

Seguramente não é este o tipo de filme que eu gosto. Eu gosto de dramas psicológicos íntimos, de diálogos que reflitam sobre o drama vivido pelos personagens e não de filmes de ação e de luta. No entanto, não questiono a atuação de Leonardo DiCaprio, que por esta sua atuação recebeu o prêmio de melhor ator e, muito menos, os méritos de Alejandro Gonzáles Iñárrítu, bicampeão do Oscar de melhor diretor. Destacaria as belas paisagens como um dos grandes méritos do filme. Vales de rios, tempestades de neve e belos amanheceres. Por outro lado, muito sangue. Destacaria ainda a bela mensagem junto ao índio enforcado: "Somos todos selvagens".
Uma das cenas mais famosas. A luta com o urso.

No Adoro Cinema, que costuma publicar a melhor e a pior avaliação de seus leitores, coube ao leitor que fez a pior avaliação conferir ao filme a nota de 0,5, afirmando que o filme é ruim e cansativo. Quanto ao cansativo, pode até ser, mas ruim, não. Afirma ainda que Leonardo DiCaprio quase não fala. Isso me fez perguntar pelo merecimento de prêmio como melhor ator. Será que todas as suas potencialidades de interpretação puderam ser avaliadas, ou o prêmio teria sido conferido pelo conjunto de sua obra, de interpretações sempre significativas do ator? Por fim este leitor recomenda: "Não percam o seu tempo e dinheiro". Jamais eu chegaria a tanto.

Se não me atrevo a criticar a atuação de DiCaprio e de Iñárrítu, admitiria, no entanto, contestar a sua indicação como candidato ao Oscar de melhor filme. Como podem ter observado, não gostei muito deste filme. É o quinto filme com indicação de melhor filme que vejo e, por enquanto, eu lhe atribuiria o quinto lugar. Volto a destacar. Não é o gênero de filme que eu gosto. Facilmente eu o substituiria pelo Oito Odiados ou pelo A Grande Aposta.
DiCaprio recebendo o Oscar de melhor ator. Belo discurso ambiental.

Mas do que mais gostei foi o posicionamento de DiCaprio ao receber o seu troféu. Um comentário duro e certeiro sobre a questão da preservação ambiental, sem romantismos: Transcrevo na íntegra: "O Regresso foi sobre a relação do homem com a natureza, um mundo que teve em 2015 o ano mais quente já registrado. Nossa produção teve que se mudar para a parte mais ao sul do planeta só para achar neve. A mudança climática é real. Está acontecendo agora".

E acrescentou: "É a ameaça mais urgente à nossa espécie, e precisamos trabalhar coletivamente e parar de procrastinar. Precisamos apoiar os líderes do mundo todo que não falam pelos grandes poluidores e grandes corporações, mas que falam por toda a humanidade, pelos povos indígenas do mundo, pelos bilhões e bilhões de pessoas desamparadas que serão as mais afetadas por isso, pelos nossos netos, e por essas pessoas que tiveram suas vozes afogadas pela ganância política". 

Acabo de ler a crônica de meio de semana que Veríssimo publica nos jornais. Ele fala de DiCaprio. Vejamos: "Não entendi o Oscar para o Leonardo DiCaprio, que, no filme, passa tanto tempo sofrendo que não tem tempo para atuar (deveriam ter dado o prêmio para a ursa)".

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