quarta-feira, 10 de março de 2021

SAPIENS. Uma breve história da humanidade. Yuval Noah Harari.

Há uns dois anos fui consultar um oftalmologista. Coisas de rotina, nada de especial. A conversa, por óbvio, girou em torno de leituras. Falei das minhas preferências pelos clássicos, das biografias, dos romances históricos e dos livros de teoria política. Ele, por sua vez, confessou todo o seu entusiasmo pelo best seller do Yuval Noah Harari, Sapiens - Uma breve história da humanidade. Falei que não conhecia o livro e prometi que iria lê-lo.

Sapiens - Uma breve história da humanidade. 2020. L&PM. Tradução de Janaína Marcoantonio.

Tenho uma certa prevenção com relação a best sellers e dificilmente os leio. Mas agora, lendo o livro do Juremir Machado da Silva, Raízes do conservadorismo brasileiro - a abolição na imprensa e no imaginário social, vi referências muito elogiosas ao livro e, como o Juremir tem bons créditos comigo, li o livro. O projeto do livro é realmente grandioso. Não deve ser nada fácil querer condensar toda a história do Homo sapiens em apenas 459 páginas. Mas o Yuval o conseguiu.

Para a primeira apresentação tomo a contracapa do livro: "O que possibilitou ao Homo sapiens subjugar as demais espécies? O que nos torna capazes das mais belas obras de arte, dos avanços científicos mais impensáveis e das mais horripilantes guerras?

Nossa capacidade imaginativa. Somos a única espécie que acredita em coisas que não existem na natureza, como Estados, dinheiro e direitos humanos.

Partindo dessa ideia, Yuval Noah Harari, doutor em história pela Universidade de Oxford, aborda em Sapiens a história da humanidade sob uma perspectiva inovadora. Explica que o capitalismo é a mais bem sucedida religião; que o imperialismo é o sistema político mais lucrativo; que nós, humanos modernos, embora sejamos muito mais poderosos que nossos ancestrais, provavelmente não somos mais felizes.

Um relato eletrizante sobre a aventura de nossa extraordinária espécie - de primatas insignificantes a senhores do mundo".

Essa eletrizante aventura é narrada em quatro partes e ao longo de vinte capítulos. Na primeira parte é apresentada a Revolução Cognitiva. Ela nos é descrita em quatro capítulos, a saber: 1. Um animal insignificante; 2. A árvore do conhecimento; 3. Um dia na vida de Adão e Eva; 4. A inundação.

Na parte dois, outra revolução nos é apresentada, a Revolução Agrícola. Também ela nos é mostrada em quatro capítulos: 5. A maior fraude da história (Seria o sedentarismo?); 6. Construindo pirâmides; 7. Sobrecarga de memória; 8.  Não existe justiça na história.

Na parte três, o autor nos apresenta o que ele chama de: A unificação da história, contada ao longo de cinco capítulos: 9. A seta da história; 10. O cheiro do dinheiro; 11. Visões imperiais; 12. A lei da religião; 13. O segredo do sucesso.

Na quarta parte, estamos de volta com as revoluções. Dessa vez nos é apresentada a Revolução Científica, esta em sete capítulos: 14. A descoberta da ignorância; 15. O casamento entre ciência e império; 16. O credo capitalista; 17. As engrenagens da indústria; 18.  Uma revolução permanente; 19. E eles viveram felizes para sempre; 20 O fim do Homo sapiens. Por fim o epílogo, de apenas uma página e meia, O animal que se tornou um deus nos é apresentado.

Na contracapa também lemos a nota do Financial Times, de que "Este livro fascinante não pode ser resumido; você simplesmente terá de lê-lo". Também eu tomo esse caminho, mas não sem antes apontar para três capítulos irretocáveis. Os de número oito, sobre as injustiças das desigualdades entre os homens ao longo de toda a história, o de número 16, sobre o credo capitalista, em que ele conta a história da Holanda, para depois nos mostrar o inferno do mundo da ganância e o de número 19, onde mostra as relações entre a economia, o progresso e a felicidade.

Como costumo deixar um ou dois parágrafos como aperitivo para a leitura, tomo dois, já da parte final do livro. O primeiro, do capítulo 19 em que o autor nos faz este belo questionamento: "Nosso mundo moderno se orgulha de reconhecer, pela primeira vez na história, a igualdade elementar entre todos os humanos, porém pode estar prestes a criar a sociedade mais desigual de todas. Ao longo da história, as classes superiores sempre afirmaram ser mais inteligentes, mais fortes e, em geral, melhores do que as classes inferiores. Normalmente, elas estavam se iludindo. Um bebê nascido em uma família camponesa pobre tendia a ser tão inteligente quanto o príncipe-herdeiro. Com a ajuda de novas capacidades médicas, as pretensões das classes superiores podem logo se tornar uma realidade objetiva". p. 422.  Eita  Admirável mundo novo!

O segundo, é o parágrafo final do livro: "Além disso, apesar das coisas impressionantes de que os humanos são capazes de fazer, nós continuamos sem saber ao certo quais são nossos objetivos e, ao que parece, estamos insatisfeitos como sempre. Avançamos de canoas a galés a navios a vapor e naves espaciais - mas ninguém sabe para onde estamos indo. Somos mais poderosos do que nunca, mas temos pouca ideia do que fazer com todo esse poder. O que é ainda pior, os humanos parecem mais irresponsáveis do que nunca.  Deuses por mérito próprio, contando apenas com as leis da física para nos fazer companhia, não prestamos conta a ninguém. Em consequência, estamos destruindo os outros animais e o ecossistema à nossa volta, visando a não muito mais do que nosso próprio conforto e divertimento, mas jamais encontrando satisfação. Existe algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis que não sabem o que querem?". pp. 427-8.



4 comentários:

  1. Olá Pedro.
    Tenho esse livro, mas, confesso que não o li. Comprei-o entusiasmado para ler, porém, outras leituras fizeram-me deixa-lo em standby. Agora vou retoma-lo. Parece ser interessante.

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    1. José Feitosa, em primeiro lugar agradeço a sua manifestação. O livro é realmente interessante e o foco é muito bom. Veja só a frase final sobre o perigo de deuses insatisfeitos, os sapiens.

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  2. Olá, estou chegando agora no blog (que encontrei por acaso pesquisando sobre Machado de Assis) e já posso dizer que estou gostando muito das publicações. Li Sapiens e fiquei muito admirado com a inteligência e perspicácia do Harari. Pretendo ler também os seus Homo Deus e 20 lições para o século XXI.
    Grande abraço, estarei frequentando este espaço de desenvolvimento intelectual!

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    1. Muito obrigado pelo seu elogioso comentário, Matheus. Quando eu me aposentei da sala de aula, prometi para os meus alunos e para mim mesmo continuar fazendo a agitação cultural. Quanto ao livro, confesso que a sua leitura foi uma agradável surpresa. Que visão de mundo e da humanidade!

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