terça-feira, 27 de julho de 2021

A história dos Cavaleiros Templários e do Templo. Charles G. Addison.

Há muito eu queria enveredar no campo da leitura sobre os Cavaleiros Templários. As minhas referências eram poucas, retiradas apenas de livros didáticos. Recentemente li o memorável romance histórico Ivanhoé, de Walter Scott. Nele aparecem os reis Ricardo Coração de Leão e João sem Terra, reis muito vinculados os Cavaleiros e às Cruzadas. Isso me motivou a buscar literatura e atender às minhas curiosidades. O livro que comprei foi A história dos Cavaleiros Templários e do Templo, escrito por um dos membros do Templo Interno de Londres, no ano de 1842. Livro, portanto, escrito por um membro pertencente à ordem, que subsistiu e ainda subsiste, mesmo após a condenação papal da entidade.

A edição da Contraponto de A história dos Cavaleiros Templários e do Templo. 2012. Tradução Vera Ribeiro.

Mesmo com o posicionamento favorável aos Templários, as minhas curiosidades foram inteiramente satisfeitas. O livro é fiel aos fatos históricos e chamo a atenção para os dois temas tratados pelo livro: a história dos templários e a história do Templo. O Templo é uma enorme igreja que pertencia à ordem e que sobreviveu à sua extinção. Charles G. Addison (1812 - 1866), advogado e historiador inglês, escreveu o livro e a sua edição data do ano de 1842. O livro que eu li é da Contraponto e publicado no ano de 2012. Mostro este dado para ilustrar a importância do livro e a curiosidade que o tema desperta. Um livro de 1842 ganhando nova edição.

Recorro inicialmente a uma pequena síntese, de autoria de César Benjamin, retirada das orelhas do livro: "Em 1118, doze anos depois da Primeira Cruzada, um grupo de nove cavaleiros obteve permissão do rei cristão Balduíno II para se estabelecer no antigo Templo de Salomão, em Jerusalém, no lugar onde hoje existe a mesquita de Al-Aqsa. Pretendiam criar um contingente militar permanente para proteger os peregrinos que se dirigiam à Terra Santa. Dez anos depois o papa Honório II formalizou a existência da Ordem dos pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, formada por monges combatentes que faziam voto de pobreza e castidade (Acrescento também o voto de obediência, seguramente o mais cobrado). Subordinados diretamente aos papas, independentes de qualquer poder secular ou eclesiástico, eles logo adquiriram grande reputação como principal força militar cristã na linha de frente contra os muçulmanos. O manto branco que usavam, com uma cruz vermelha no lado esquerdo do peito, tornou-se famoso em toda a cristandade e respeitado nos campos de batalha. "Um Cavaleiro Templário", dizia São Bernardo de Claraval (o padroeiro da ordem), "é destemido e está seguro por todos os lados. Sua alma é protegida pela armadura da fé, assim como seu corpo está protegido pela armadura de aço. Está, pois, duplamente armado. Não precisa temer nem demônios nem homens".

Uma ilustração dos guerreiros templários. Tenho vários souvenirs.

Durante 180 anos (1095 ou 1099 - 1291) que duraram as Cruzadas, os Templários acumularam enorme poder e fortuna em castelos, terras, imóveis, navios e tesouros com os quais criaram o primeiro grande sistema bancário europeu, tornando-se credores de nobres e reis. Porém, depois que a Terra Santa foi conquistada pelos muçulmanos, em 1291, o apoio à Ordem diminuiu, até que Filipe IV, rei da França, obteve autorização do papa Clemente V para lançar uma implacável perseguição contra ela, sob a implausível acusação de praticar cultos demoníacos. Prisões, torturas e execuções públicas se sucederam. Em 18 de março de 1314, Jacques de Molay, o último grão-mestre, foi queimado vivo em Paris, lançando desafios e imprecações contra o rei e o papa.

Os documentos originais dos julgamentos nunca foram divulgados. A grande frota templária desapareceu sem ser capturada. E o arquivo central da Ordem foi destruído em 1571 pelos otomanos. O fascínio em torno dos Templários subsistiu na forma de lendas e especulações, com poucas fontes confiáveis. Em 1842, o advogado e historiador inglês Charles G. Addison publicou, finalmente, o resultado de suas extensas pesquisas, que usaram fontes hoje indisponíveis. É o livro que o leitor tem em mãos. É uma completa história da Ordem, desde sua criação até a recuperação do Templo de Londres, que ainda hoje está em pé. Uma história real, feita de fé, proezas militares, conspirações, traições e grande emoção".

O livro está assim estruturado: Os nomes dos grão-mestres da ordem, de 1118/19 a 1314; várias ilustrações; sumário e apresentação de César Benjamin e o prefácio do autor. Aí começa o corpo do livro que tem 14 capítulos. Tudo isso ocupa 365 páginas. Os dez primeiros contam a história da ordem e os quatro últimos são sobre a restauração e a organização em torno do Templo de Londres. Tenho algumas observações a fazer. Tratava-se de uma organização religiosa militar, uma espécie de um exército papal europeu, muito poderoso. Havia a Ordem dos Templários, organizada em torno da proteção aos peregrinos em romaria à Terra Santa, peregrinação que rendia polpudas indulgências, e a Ordem dos Hospitalários que atendiam os doentes e feridos em viagem. Os Hospitalários não sofreram a extinção papal. Eram admirados e muito queridos pela população. Acumularam grande fortuna, oriunda de doações. Todo o capítulo V se ocupa em traçar um mapa de seus bens. Estavam ativos em toda a Europa, com destaque para Inglaterra e França. 

O Convento de Cristo. Tomar. Portugal. Do meu arquivo de fotos. Em Portugal os Templários apenas trocaram de nome: Cavaleiros de Cristo.

Os muçulmanos forram os seus grandes adversários, primeiramente sob o comando de Saladino. Mas a derrota final foi para as forças egípcias. Suas regras, minimamente detalhadas, eram muitas e a obediência era cega. As desavenças ocorreram por causa dos choques com os reis, com o papa e com as ordens religiosas. O extermínio foi feito com extrema violência. Por meio de torturas arrancavam qualquer confissão que fosse desejada pelos inquisidores. Como ilustração, para conhecer um pouco da ordem, apresento um item de seus princípios, revelador de todo o fanatismo de que eram impregnados. "Mas os soldados de Cristo travam com segurança as batalhas do Senhor, sem temor algum do pecado por liquidarem o inimigo ou do perigo de sua própria morte. Pois que dar ou receber a morte por Cristo nada tem de crime, e sim de muita glória (página 54)".

O Templo de Londres foi reconstruído e os "novos" Templários se dedicaram ao Direito e ao seu ensino. A defesa de seus princípios agora se daria através das instituições jurídicas e não mais pelas armas. Muitos de seus hábitos, costumes e tratamentos mútuos são hoje incorporados pela maçonaria. O último grão-mestre, observem a designação, foi Jacques de Molay, que até hoje tem seguidores entre católicos extremamente conservadores. Em suma, repito, foi uma leitura muito valiosa. Confesso que fiz uma certa leitura "dinâmica" quando ela se tornava repetitiva e martelava em cima de descrições muito detalhadas. Com certeza, recomendo.  Sim, também os reis Ricardo Coração de Leão e João sem Terra apareceram. Inclusive existe uma alusão à Magna Carta, que o rei João foi obrigado a assinar na chamada rebelião dos barões. Deixo também o link do livro Ivanhoé. 

http://www.blogdopedroeloi.com.br/2021/06/ivanhoe-walter-scott-as-origens-do.html



2 comentários:

  1. Obrigada por compartilhar suas pesquisas e leituras. Também tenho um certo fascinio e muita curiosidade pela história dessa "ordem" religiosa e militar. Do mesmo modo, sempre suspeitei que nela os maçons buscaram inspire-se para executarem seus ritos e constituição hierarquia.

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    1. Perfeita a sua percepção, Suzete Frigeri da Costa. Agradeço a sua manifestação. Quanto a compartilhar as minhas leituras, é um trabalho que eu gosto muito de fazer e está dando ótimos resultados. Muitos acessos.

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