segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Histórias da Gente Brasileira. Volume 1. Colônia. Mary Del Priore.

Há muito tempo que aprecio as obras da historiadora Mary del Priore. Ela sempre consegue inovar, lançando novos olhares sobre os temas tradicionais trabalhados pela história. Tenho neste meu blog a resenha de vários de seus livros. Desta vez ela lançou um projeto bastante audacioso, contando toda a história brasileira, exatamente com o viés do ineditismo de sua abordagem.
Histórias da gente brasileira. As origens da nossa gente.

Estou me referindo ao livro Histórias da Gente Brasileira. É o seu primeiro volume, em que é abordado todo o período colonial. Se estamos tratando do volume 1, evidentemente, que haverá continuidade. Neste volume, um segundo já está anunciado, sob o título As histórias continuam. O foco deste segundo volume será o império. O livro é um lançamento de 2016 da Leya.

No prefácio a historiadora anuncia o objetivo da obra e o método de trabalho: "Você gosta de história? Então, está com o livro certo nas mãos. Porque nele você há de conhecer uma história do Brasil diferente. Não aquela dos grandes feitos, nomes e datas que marcaram o nosso passado; tampouco aquela dos fenômenos extraordinários que provocaram rupturas na nação, mas as histórias do dia a dia, ou melhor, de todos os dias da semana.  Histórias feitas por personagens anônimos do passado, que raramente são apresentados, pois se confundem com o tecido social em construção. Uma história da gente brasileira no labor cotidiano, inventando, produzindo e ganhando o 'pão de cada dia'".

O livro é relativamente longo. Tem 427 páginas, com fartas ilustrações, acompanhando ainda, um glossário e uma rica referência bibliográfica, as verdadeiras fontes primárias para o estudo da história do Brasil. Ele está dividido em três partes: Parte 1. Terra e trabalho. Parte 2. O supérfluo e o ordinário: casa, comida e roupa lavada e  Parte 3. Ritmos da vida: nascimento, adolescência, uniões, doença e morte.

A primeira parte é a mais longa e é formada por 14 capítulos. Necessariamente passa pelos nossos primeiros ciclos econômicos. Vejamos os títulos que terra e trabalho receberam: 1. "Ao cabo do mundo": no início era o céu e a terra. A sobrevivência, o trabalho e os dias. 2. A terra do lenho do diabo. Céu ou inferno? 3. Medo, sempre... Pavor e fascínio: as sedutoras Amazonas. 4. Índios no cotidiano de brancos. 5. A cana nossa de cada dia: Para crescer e multiplicar. 6. Mulheres de açúcar: Com a mão na massa - ou melhor, no pilão e na moenda. 7. Compras e vendas da rua ao sobrado: mobilidade e fortuna de negros e mulatos. 8. Artes e ofícios do ouro: Da arte de encontrar fortuna. 9. Os homens do caminho: O grito de partida: "Boa estrada!". 10.Entre a cidade e os sertões. 11. Companheiros do dia a dia: A civilização do couro no Nordeste. 12. A luta da gente contra os males de sempre: Quando o inexplicável acontecia: calamidades. 13. Cidades mestiças: O beija mão do vice-rei. 14. E além do trabalho?
A segunda parte se dedica verdadeiramente ao cotidiano, ao dia a dia. É formada por dez capítulos: 1. Do teto à casa da morada. 2. "Pode entrar". 3. Eu me lavo, tu te cobres, nós sujamos: catinga e limpeza. 4. No fogão a lenha: paladar e alimentação. "Comida de escravo" e culinária africana. 6. Para matar a sede. 7. Na terra do açúcar: doces. 8. Coberto e descoberto. 9. Belas ou feras? 10. O supérfluo e o necessário.

A terceira parte acompanha esta gente entre o nascimento, sua formação, seus ajuntamentos ou casamentos até as suas mortes. Muito interessante. É formado por seis capítulos. 1.Os verdes anos: tempo de nascer e crescer: Amar, educar, modelar e restringir. 2. Adolescência: existia? Pais soturnos e filhos amedrontados. 3. Tempos de unir-se, tempo de família: Amores, amor, famílias e família: plural. 4.Tempo de todos os desejos. 5. Corpo doente e corpo sadio: duelos entre a vida e a morte. 6. Tempo dos mortos e de morrer: O aqui e o depois.

O livro cumpriu plenamente a sua finalidade e, no intuito de provocar a sua leitura publico ainda parte de sua contracapa: "Iniciando pela colônia uma jornada por nossos mais de quinhentos anos, ela joga luz sobre os anônimos que deram forma ao país. Aqui, a vida das ruas interessa mais do que datas marcantes; o dia a dia no trabalho da gente simples chama mais atenção do que nomes famosos; e os hábitos e costumes revelam mais do que a história tradicional costuma contar". Expectativas cumpridas, ficamos no aguardo do segundo volume.
 

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