quarta-feira, 3 de maio de 2017

Stefan Zweig. Adeus Europa.

Os livros de Stefan Zweig há muito estão em minha lista de espera. Há muito despertaram a minha curiosidade. Agora, com a estreia do filme Stefan Zweig - Adeus Europa, lançado no Brasil no final de abril de 2017, tive com o autor um encontro um pouco mais marcado. Vamos, de início contextualizar um pouco o famoso escritor austríaco. Ele nasceu em Viena em 1881 e era descendente de judeus muito ricos. Morreu em Petrópolis junto com Lotte, a sua mulher, ambos por suicídio. Zweig era escritor renomado e apenas Thomas Mann o superava em número de leitores.
Carta promocional de Stefan Zweig - Adeus Europa.


O filme, embora sendo uma autobiografia, fez uma opção para apresentar apenas recortes de sua vida, a partir do exílio, em 1936, com cenas passadas no Brasil, na Argentina e nos Estados Unidos. Zweig conseguiu fugir em tempo hábil, se livrando assim das garras da ascensão do nazismo e de todas as suas atrocidades. De uma maneira geral a crítica cobra um maior conhecimento da vida do escritor pois, para o pessoal absolutamente leigo, haveria dificuldades em situá-lo. Não sei se seria realmente o caso. Quais são efetivamente os critérios que levam alguém ao cinema? Ver Zweig segue a uma deliberação, a uma escolha.

O filme começa com uma recepção luxuosíssima ao escritor na embaixada brasileira, no Rio de Janeiro. Lá foi recebido em festivo almoço, com rica decoração, com a mesa ornamentada  com flores muito coloridas, com cores muito brasileiras. O banquete da recepção não foi mostrado, apenas os discursos. Zweig estava a caminho de Buenos Aires para um encontro mundial de escritores que visava celebrar a liberdade de expressão. É neste momento que ocorre uma cena bastante elogiada pela crítica. Uma entrevista coletiva para a imprensa. Os jornalistas procuraram de todas as formas arrancar uma confissão anti Hitler, que ele recusou. Seriam necessários maiores dados biográficos para entender os motivos desta criticada recusa. Seria uma função do escritor?

De Buenos Aires o escritor ruma para os Estados Unidos, sem antes passar por uma cidade do interior da Bahia, onde recebe homenagens bastante hilárias, marcadas pelas características do prefeito fanfarrão e dos improvisos, com atrasos e desacertos e, inclusive, uma gafe da direção. O sotaque não é baiano, é português. Antes da homenagem são mostrados canaviais e algumas coisas relativas ao seu cultivo. Zweig mostrou profundo interesse, fazendo inúmeras anotações. Zweig se tornou um grande entusiasta do Brasil, de seus encantos e de sua gente.

Outra parte bem interessante do filme mostra Zweig em Nova Iorque. Lá ele se reencontra com a ex mulher que lhe faz duras cobranças para que ele ajude, com o uso de sua notoriedade, na fuga de outros escritores alemães e austríacos que encontravam grandes dificuldades em empreenderem suas fugas. Creio que, mais uma vez, faltam dados biográficos para uma maior compreensão das cenas. Ele era considerado bastante recluso e talvez por isso ele fosse considerado como pouco propenso a exposições.

Na parte final o filme volta-se novamente para o Brasil, para Petrópolis, mais precisamente, a morada derradeira do escritor. Mostra-o entusiasmado pela paisagem, com a rica flora, a sua integração com a população local e o contato com amigos que também se encontravam no exílio. Em meio a isso vem o lúgubre desfecho. Tanto o escritor, quanto a sua mulher cometem o suicídio, por envenenamento, durante o carnaval de 1942. Estas cenas são magnificamente trabalhadas, mais insinuando do que mostrando. Um dos destaques do filme é a atuação de Josef Hader no papel de Zweig. O seu olhar e o seu semblante indefinido são sempre portadores de alguma perturbação. A direção do filme é de Maria Schrader.

Stefan Zweig deixou uma carta de despedida. Localizei a sua parte final onde ele expõe a razão do ato extremo. As dores do mundo, dilacerado em guerra, eram superiores às de sua capacidade de, pelas palavras, ainda conseguir imprimir mensagens de esperança, função maior de sua arte. Mas vejamos este parágrafo: "A cada dia fui aprendendo a amar mais  e mais esse país, e em nenhum lugar eu poderia ter reconstruído por completo a minha vida, justo quando o mundo de minha própria língua se acabou para mim, e meu lar espiritual, a Europa, se auto-aniquila".

Quanto a leitura, três livros me chamam mais a atenção. A biografia escrita por Alberto Dines, Morte no Paraíso - A Tragédia de Stefan Zweig; o seu livro sobre o Brasil Brasil, o país do futuro e a sua autobiografia O Mundo de ontem.








2 comentários:

  1. Gostei muito do seu Blog. Coloquei-o nos meus favoritos , para sempre dar uma voltinha e aprender um pouco mais. Grata por deixa-lo na mensagem do face...marina trindade

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  2. Oi Marina, que bom que gostou. Receber elogios sempre é um estímulo. Muito obrigado.

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