sexta-feira, 4 de maio de 2018

A Verdade Vencerá. Luiz Inácio Lula da Silva.

O livro é de março de 2018. Lula já estava condenado em segunda instância, mas ainda não estava preso. Trata-se de A Verdade vencerá - O povo sabe por que me condenam. A autoria é atribuída a Luiz Inácio Lula da Silva e, de fato é, pois trata-se de uma entrevista concedida para Ivana Jinkings, Gilberto Maringoni, Juca Kfouri e Maria Inês Nassif. A organização do livro é de Ivana Jinkings, a editora é a Boitempo. A  transcrição da entrevista ficou a cargo de Mauro Lopes. O livro tem também textos de Eric Nepomuceno, Luiz Fernando Veríssimo, Luiz Felipe Miguel e Rafael Valim. As notas de rodapé, contextualizando dados da entrevista, se constituem numa preciosidade, o mesmo deve ser dito a respeito de dois álbuns de fotografias.


O trabalho foi realizado em tempo recorde. Havia muita urgência. Sobre a realização desta hercúlea tarefa, Ivana Jinkings, em nota da edição, nos relata o que segue: "Na quarta feira, 31 de janeiro deste ano (2018), fui conversar com o Lula em seu escritório, no bairro do Ipiranga em São Paulo. Recebeu-me pontualmente para uma conversa que deveria durar trinta minutos, mas se prolongou por duas horas e meia. Falamos de tudo: do processo movido contra ele, da vida, de livros e, claro, de minha proposta de colher dele um depoimento que se tornasse livro. Pediu-me um tempo para pensar e conversar com seus advogados. Dois dias depois, telefonou e disse: 'Vamos fazer'.

A partir daí, criou-se uma força-tarefa para a montagem da edição, incorporando autores dos textos complementares e a equipe de entrevistadores. Nos encontros que se seguiram, o ex-presidente mostrou-se aberto e não evitou responder nenhuma pergunta - talvez nunca tenha havido uma entrevista em que se desnudasse tanto. O resultado, os leitores poderão conferir no volume que ora apresentamos".

Quero reforçar a ideia do desnudamento. Se pairavam dúvidas sobre o relacionamento de Lula com Dilma após a eleição desta, a reposta a todas as curiosidades possíveis está bem explicitada. Da mesma forma, com relação ao impeachment, de como ele se tornou possível, está tudo bem detalhado. Dilma é, seguramente, uma pessoa de muita competência mas de dificílimo relacionamento. Lula conta, inclusive, sobre o fato de não ter sido ele o candidato a presidente em 2014. Também a nomeação de Levy para a Fazenda recebe ásperos comentários. Se houve complicações no relacionamento, os responsáveis são apontados. João Santana ganha destaque. Quis criar uma Dilma descolada do Lula. Uma Dilma puro-sangue.

Evidentemente que o tema principal da entrevista/livro é a perseguição que Lula sofreu por parte do poder judiciário. Em suas análises entra também na questão da caracterização da elite brasileira e o seu caráter perverso, com seus preconceitos raciais e de classe. Ele fala explicitamente sobre o que mais irritou a esta elite, a questão do ingresso dos filhos de trabalhadores na universidade: "Eu tinha (a questão do acesso à universidade) porque era um compromisso meu. Não tive o direito de fazer, então quero que os filhos dos trabalhadores façam. Vou passar para a história como o presidente que até agora mais fez universidades, mais escolas técnicas, que mais jovens colocou na universidade. Isso é uma coisa de que eu tenho muito orgulho, e por isso recebi muitos títulos (33 honoris causa)".

Aproveita para citar outros feitos, que sob seu julgamento foram os mais importantes de seu governo: "Se somar a isso o combate à fome, os doze anos de aumento de salário, do salário mínimo, e todas as conquistas sociais, os títulos que recebi não foram méritos meus, mas da evolução do povo brasileiro, de muita gente que ajudou" (página 19).

Na contracapa aparece uma frase sua em destaque: "Não fui eleito para virar o que eles são, eu fui eleito para ser quem eu sou. Tenho orgulho de ter sabido viver do outro lado sem esquecer quem eu era". É um livro para a história, contada pelo seu principal protagonista. Uma livro para historiadores, cientistas sociais e políticos e para os juristas.

Também merecem destaque os textos de autores convidados. São belíssimos, repletos de significados. Me levaram a algumas lágrimas. A eles dedicarei posts especiais. Depoimentos que brotam da reverência, da amizade e do reconhecimento a Lula como um líder carismático, que elevou a dignidade e a autoestima de seu povo e que colocou o Brasil no seu mais elevado patamar em suas relações internacionais ao longo de toda a sua história. Um líder e um estadista global, possivelmente uma das maiores lideranças mundiais do início do século XXI. O Nobel da Paz seria um prêmio à sua sensibilidade no combate à fome. Desta fome ele livrou quase quarenta milhões de brasileiros. Não pela caridade mas por políticas públicas. Um livro absolutamente necessário.

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