terça-feira, 18 de março de 2014

O Velho e o Mar. Ernest Hemingway.


Livro para ser lido de um só fôlego. Um pequeno livro, mas profundo em seus significados. É livro que ganhou o prêmio Pulitzer (1953) e de um escritor premiado com o Nobel de literatura, o prêmio de 1954. Logo depois, portanto, da publicação de O Velho e o Mar (1952). Uma obra da maturidade de Ernest Hemingway. A solidão do velho Santiago, a sua amizade com o menino Manolin, os diálogos com os peixes e as aves do mar, em particular com o grande espadarte fisgado, os seus sonhos movidos pelas lembranças de um homem velho e experiente, que se afastam mais rapidamente que as nuvens do céu e, acima de tudo, a sua grande tenacidade em provar, que mesmo depois de velho, ele não pode e não aceita ser considerado como um fracassado. Realiza esforços sobre-humanos, na luta com o espadarte fisgado para provar isto. Em troca recebe o reconhecimento dos companheiros pescadores, mesmo não tendo sobrado nada do peixe, comido pelos tubarões.
Capa do livro O Velho e o Mar. O livro ganhou o prêmio Pulitzer de literatura. Hemingway foi premiado com o Nobel de literatura de 1954.

A história é simples e quase já está contada em único parágrafo. Santiago é um velho e experiente pescador, pelo jeito já meio apartado de seus companheiros, pois, por quase três meses, nada mais pesca de significativo. Só lhe resta a perseverança e a amizade do menino Manolin, a quem ensinara a pescar. Manolin se afeiçoa ao velho, mas como deve obediência ao pai, ele é obrigado a trabalhar em outros barcos, mais produtivos. O velho sente  e sofre com isso, mas não o condena. Mas muito menos ainda, ele entrega os pontos. Depois de exatos 85 dias, pois 85 é o número da sorte, ele novamente se lança ao mar, lamentando não poder acompanhar os resultados do beisebol.

Com o mar mantem uma estreita relação, com o mar, com as aves e com os peixes. O mar em espanhol (ele escreveu o romance em Cuba, antes estivera na Espanha) é feminino, é La mar. Apenas os novos pescadores, ricos e jovens e com altas tecnologias de pesca o chamam de El mar. Mas o mar, como as mulheres é afetado pela lua e é capaz de praticar selvagerias e crueldades. Tem dó das aves, pela difícil vida que levam, exceto as aves de rapina e as mais fortes. Uma das forças do livro são estes diálogos, que estão presentes ao longo de toda a obra. São as suas conversas com a natureza, em sua solidão. Um desses diálogos, possivelmente o mais belo e digno, é o que se dá na luta final com o seu espadarte, este é o nome do peixe fisgado, peixe raro e entre os mais apreciados e de alto valor. A sorte do número 85. O diálogo persiste ao longo de umas dez páginas, e obedece aos movimentos do peixe, em sua busca por liberdade. Vejamos estes diálogos em sua parte final:
Imagem retratando a luta de Santiago com o espadarte fisgado.

"Consegui.Talvez consiga agarrá-lo desta vez. Puxem, mãos. Aguentem, pernas. Faça-me o favor de conservar-se lúcida, cabeça. Aguentem para me fazer um favor. Nunca me traíram. Desta vez vou agarrá-lo. Não, desta maneira não consegue nada. Desta vez tenho de trazê-lo para junto do barco. Já não sou capaz de aguentar muitos outros círculos.  Sim, você pode. Pode aguentar durante toda a vida. Você está me matando, peixe. Mas tem o direito de fazê-lo. Nunca vi nada mais bonito, mais sereno ou nobre do que você, meu irmão. Venha daí e mate-me. Para mim tanto faz quem mate quem, por aqui. Já agora, velho Santiago, você está ficando com a cabeça muito confusa. Você precisa conservar-se lúcido. Conserve-se lúcido e aprenda a sofrer como um homem. Ou como um peixe".

Mas depois do peixe sob controle, devidamente amarrado ao barco, começa a luta contra os tubarões. Nesta luta perde todas as suas poucas armas e solta outra preciosidade: "Sim você devia ter trazido muitas coisas. Mas não as trouxe, velho. Agora não é o momento de pensar naquilo que você não tem. Pense antes no que pode fazer com aquilo que tem". A luta contra os tubarões é enigmática. Não seria uma alusão ao fato de que todos os resultados do esforço humano acabam sendo abocanhado pelos tubarões?

O velho Santiago e o menino Manolin. Muita afeição e ternura, no aprendizado da pesca.

Mas finalmente o velho Santiago chega ao porto, apenas com a carcaça do peixe. Todos o ajudam, em sinal de respeito ao velho e bom pescador, mesmo que já despojado do resultado do seu trabalho. Existem outras virtudes e qualidades para serem admiradas. Manolin cuida do velho. Lhe providencia café e não permite que os outros pescadores lhe venham perturbar o sono, nem que seja em gesto de congratulação. O livro termina com uma cena de ternura: "O que é aquilo? - perguntou ela (uma turista americana) ao garçom, apontando para o longo esqueleto do grande peixe, que agora não passava de lixo à espera de ser levado pela maré.
-Tiburón - respondeu-lhe o garçom, tentando explicar, em espanhol, o que sucedera. -Tubarões.
-Não sabia que os tubarões tinham caudas tão belas e tão bem formadas - comentou a mulher.
-Eu também não - replicou o companheiro.
Lá em cima, na cabana, o velho estava dormindo de novo, com o rosto escondido no monte de jornais que lhe servia de almofada. O garoto estava sentado a seu lado, observando-o. O velho sonhava com leões".

Ah, sim. Também tem uma lição básica de economia no livro: "-Isso é fácil. Qualquer pessoa me empresta dois dólares e meio", diz Manolin, ao que Santiago retruca: "-A mim também emprestavam. Mas não quero pedir emprestado a ninguém. Primeiro pede-se emprestado. Depois pede-se esmola". Mas deixa eu sair desse campo da economia, senão alguns inescrupulosos palestrantes vão usar estes esforços da persistência de Santiago em suas palestras corporativas de motivação, pretendo aumentar vendas...,ou coisas parecidas.

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