domingo, 9 de abril de 2017

Fausto de Goethe. 3. No cinema.

Fausto é um personagem onipresente na cultura alemã. É uma história extremamente popular. Ele teria vivido ao final da Idade Média. Era um misto de médico, charlatão, adivinho, astrólogo e vidente. Era odiado pelo clero, pois mesmo sem fé, promovia curas. Suas aparições eram concorridas. É uma figura que costuma aparecer em época de crises e de transições. Teria vivido na Alemanha, entre os anos de 1480 e 1540.

Goethe não foi o primeiro a lhe dedicar atenção literária. A sua história já circulava através de edições populares e por uma versão mais esmerada no teatro inglês, por Marlowe, em 1592, um dos antecessores ou contemporâneo de Shakespeare. É um personagem extremamente fascinante para mentes irrequietas, não muito afeitas à tradição da obediência religiosa e de suas verdades absolutas. Originalmente, embora sob o formato de uma peça para o teatro, ela foi escrita para ser apresentada como uma leitura dramatizada.
Cena de Fausto. Grande foco nas contradições entre fé e ciência.

Com a chegada do cinema, seria óbvio que este também lhe lançaria o olhar. Esta tarefa coube ao cineasta alemão Friedrich Wilhelm Murnau, em 1926, ainda nos tempos do cinema mudo. Diga-se de passagem, ele fez uma obra grandiosa. A minha primeira curiosidade se voltou para o roteirista. Quem teria a ousadia para transportar obra de tamanha envergadura para o cinema? Murnau costumava trabalhar com Karl Mayer, mas para o Fausto o escolhido foi um poeta, Hans Kyser, auxiliado por Gerhart  Hauptmann. Porém Murnau fez muitas modificações. Coisas de diretor perfeccionista.

Evidente que escolhas teriam que ser feitas. O filme que eu vi foi o da Coleção Folha - Grandes Livros no Cinema, que vem acompanhado de um libreto. Nele é apresentado um trailer em que são postas duas frases. A primeira diz assim: "Com a intenção de dominar o mundo, Mefisto aposta com um anjo que pode corromper a alma de fausto, um velho professor". E a segunda é assim apresentada: "Mefisto lança uma praga sobre a terra, e Fausto, incapaz de desvendar a cura, renuncia a Deus e à ciência e invoca a ajuda do diabo". Fausto aparecerá como um médico.

O recorte está feito.Num primeiro momento o filme privilegia os embates entre a ciência e a fé, quando o mundo é castigado por uma peste que não tem fim. Como ele não dispõe da fala, apenas os recursos da legenda, das expressões faciais, dos gestos e da música são possíveis. E o são feitos com grandiosidade. No libreto da Coleção Folha existe uma descrição sobre a produção do filme, por sinal, o último de Murnau na Alemanha. Depois ele seguiria carreira nos Estados Unidos. Mas vejamos a descrição, que é de Tatiana Monassa.

"Produzido pela UFA, um grande estúdio alemão do período mudo, o filme de Murnau apresenta diversos traços recorrentes do chamado 'expressionismo alemão'. Os jogos de luz e sombra, os cenários com perspectivas distorcidas e o drama do Mal encarnado por uma figura influente (o que abriu espaço para a interpretação de que esses filmes prefiguravam a ascensão do nazismo) são alguns deles. E esses foram certamente fatores essenciais para a imortalização do filme como a grande versão cinematográfica de Fausto".

Da Coleção Folha - Grandes Livros no Cinema. Fausto.

Fausto, Eine deutsche Volkssage, tem o Fausto interpretado por Gösta Ekman e o Mefistófeles por Emil Jannings, cabendo à jovem Camila Horn a interpretação de Margarida. O filme tem duração de 106 minutos e estreou na Alemanha em outubro de 1926. A Coleção Folha - Grandes livros no cinema tem 25 filmes.

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