sábado, 5 de setembro de 2020

O caso Morel. Rubem Fonseca.

Mais um livro da coleção Biblioteca Folha (2003). É uma coleção de 30 livros, contemplando literatura brasileira e universal. O livro da vez foi o de número 7, O caso Morel, de Rubem Fonseca. (1925- 2020). É o terceiro livro que leio desse escritor, recentemente falecido. Anteriormente li Agosto, um bom livro e O seminarista, do qual não gostei. Também tive dificuldades em ler O caso Morel. Questões de gosto.
O caso Morel. 2003. Biblioteca Folha.


Creio que todos sabem que a especialidade de Rubem Fonseca é o romance policial. Ele mesmo foi comissário de polícia no início de sua vida profissional, conhecendo bem, portanto, o seu novo campo de trabalho, abraçado posteriormente, o da literatura. O caso Morel é o seu primeiro romance. Também enveredou pelo campo do cinema. O livro é datado do ano de 1973, no auge do regime civil/militar, instaurado pelo golpe de 1964.

O romance, como o título indica, é um típico caso policial. Paul Morel é um artista e como tal é uma pessoa bem articulada na elite econômica e social do Rio de Janeiro. O romance ganha valor à medida em que ele é uma crônica do cotidiano da vida pobre dessa gente rica. Sexo, em todas as formas possíveis, e morte perpassam todo o romance. As práticas sado/masoquistas ganham grande destaque. Heloísa Wiedecker adorava apanhar enquanto tinha relações sexuais. Paul Morel lhe satisfazia esses desejos até seus limites extremos. Essa relação é a essência do Caso Morel. Heloísa aparece morta na praia e começam as investigações. Essas se misturam com a escrita de Morel.

A insatisfação do ser humano está onipresente. Freud estava certo. O desejo e a sexualidade movem o ser humano. Morel é um eterno insatisfeito, assim como as mulheres que frequenta. Ele, inclusive, inventou uma nova relação familiar. Se não for nova, a palavra harém também pode designar a sua invenção. José Geraldo Couto, colunista da Folha, dá informações precisas sobre o livro, na sua contracapa:

"O artista de vanguarda Paul Morel, preso por um crime violento que ele próprio não sabe se cometeu, resolve escrever um livro contando sua vida. Para isso, pede ajuda ao escritor e ex-delegado Vilela, a quem entrega trechos do manuscrito à medida que vai escrevendo.

O caso Morel intercala o relato do prisioneiro - repleto de orgias e de reflexões irônicas sobre a arte e a cultura de nosso tempo - com seus desencantados diálogos com Vilela, uma espécie de alter ego de Rubem Fonseca, que havia surgido em A coleira do cão (1965) e reapareceria depois em vários contos e romances do escritor, especialmente em A grande Arte (1983).

Publicado em 1973, O caso Morel é o primeiro romance de Rubem Fonseca e contém todos os elementos que fariam dele um dos escritores mais influentes da literatura brasileira das últimas três décadas. A narrativa veloz, incisiva, a observação aguda do lado mais obscuro do comportamento humano, o hábil domínio dos diálogos, a presença da violência sob todas as sua formas - física, psicológica, moral -, o trânsito frequente entre o registro culto e o popular, o exame implacável das contradições sociais, tudo isso faz deste livro um dos grandes romances policiais de nossa época e uma das obras mais fortes de um autor obcecado pelas pulsões básicas do homem: sexo e morte".

O livro é narrado em 22 pequenos capítulos e um FIM. Desse Fim tomo uma informação interessante sobre a ilustração do crime. Além de Morel, também um ladrão era suspeito do mesmo.

"Um ladrão é considerado um pouco mais perigoso do que um artista. 
Matos foi visitar Morel, contou para ele os últimos acontecimentos: a morte de Félix, a reabertura do inquérito, as perspectivas de liberdade imediata.
No entanto ele não parecia muito satisfeito".



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