domingo, 19 de janeiro de 2020

MEDO. Trump na Casa Branca. Bob Wooddward.

O acesso que tive a Medo - Trump na Casa Branca, de Bob Woodward se deu em consequência do episódio em que Sérgio Moro compareceu ao programa de Pedro Bial na televisão. Moro, perguntado sobre leituras, confessou-se assíduo leitor, mostrando especial preferência por biografias. Perguntado sobre as últimas lidas, não conseguiu se lembrar de nenhuma. Posteriormente, Gregório Duvivier, em artigo na Folha de S.Paulo, deu ao ministro três sugestões. Entre elas, a de Bob Woodward. Foi assim que cheguei ao livro.
A edição brasileira da Todavia.

Vou começar a resenha falando de Woodwward, o autor. Na orelha da contracapa lemos: "Bob Woodward é editor associado do Washington Post, onde trabalhou nos últimos 47 anos. Cobriu nove presidências nos Estados Unidos. Foi vencedor de dois prêmios Pulitzer, o primeiro ao lado de Carl Bernstein pela cobertura do caso Watergate e o segundo em 2003, como chefe de reportagem da cobertura dos ataques terroristas do Onze de Setembro. É autor de dezoito livros, todos eles best-sellers". Bob nasceu em 1943.

Essas são as suas credenciais. Na capa, junto ao título lemos: "Mais de um milhão de livros vendidos na primeira semana nos Estados Unidos". "Explosivo", "devastador", "sem precedentes", "um retrato assombroso", "diligente, rigoroso, minucioso e ético" e "assustador" são algumas qualificações do livro apresentadas na contracapa.

Quanto ao título, Medo, nos deparamos nas justificativas, numa frase em epígrafe, pronunciada em 2016, que bem define quem é Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos: "O verdadeiro poder - nem quero usar tal palavra - é o medo". Depois, na página 188, temos uma explicitação ainda maior: "O verdadeiro poder é o medo. O que conta é a força.  Jamais demonstre fraqueza. Você tem que ser sempre forte. Nunca se deixe intimidar. Não existe escolha". Assustador.

Vamos à apresentação do livro pela orelha da capa: "... Medo é o mais íntimo retrato já concebido dos primeiros anos de uma presidência norte-americana. Partindo de uma campanha que elegeu Trump, Woodward realizou dezenas de entrevistas e juntou centenas de documentos, notas, diários e memorandos para detalhar os bastidores do controverso mandato de Trump. Conhecido pela minúcia de suas investigações, Woodward coloca o leitor dentro das reuniões que decidiram assuntos tão fundamentais quanto o declínio do apoio dos Estados Unidos à Otan, a saída do Acordo Climático de Paris, as relações com a Coreia do Norte, Rússia, China e Irã e a violência racial de Charlottesville em 2017.

O leitor conhecerá o processo, muitas vezes caótico, que levou a essas decisões, e também o jogo de traições entre assessores, as disputas internas de poder e as crises quase diárias que o governo Trump enfrenta. Um painel assustador, em que funcionários do alto escalão do governo roubam documentos do Salão Oval para que Trump não os assine e o Partido Republicano precisa lidar com um presidente avesso a protocolos, desconfiado da diplomacia e em guerra aberta com a imprensa. Poucas vezes um governo foi visto de forma tão crua e, em tempos de fake news, tão elucidativa e real".

O livro contém 42 capítulos, sem títulos, mas sempre dedicado a um tema determinado. Quem acompanha a política, tem uma ideia dos principais temas abordados. As questões com a Coreia do Norte e também a do Sul (Korus e presença do exército), o Irã, o Iraque, a Síria, o Estado Islâmico, o Afeganistão e os Talibãs e a Rússia, talvez a sua dor de cabeça maior. Na questão interna, os tributos, as tarifas que remetem aos problemas do globalismo confrontado com o nacionalismo, as questões de racismo e da imigração. A grande questão é a instabilidade do presidente, a sua aversão a reuniões de planejamento e decisões e a sua absoluta imprevisibilidade. Sobra ainda o veneno de seus tuítes. Creio que que já tem seguidores entre outros presidentes. Está fazendo escola.

Em meio ao livro tem um bloco de fotografias de seus principais assessores e o relato sucinto dos problemas que com eles enfrentou. Os primeiros e principais já foram demitidos. É uma espécie de síntese do livro. Os relatos são realmente minuciosos, mas a leitura flui. O livro é um relato perfeito das tramas e das sujeiras que envolvem o mundo da política, que vão para muito além dos limites de nossa inocente imaginação.

Para deixar uma imagem do livro, recorro à sua última frase. Nela é narrada a opinião de Dowd, o seu advogado para tratar da relação com a Rússia, e que abandona a causa em virtude da absoluta desobediência de Trump em seguir as suas orientações: "Mas naquele homem e em sua presidência, Dowd havia enxergado uma imperfeição catastrófica. Entre todas as ferramentas que utilizava no debate político - as evasões, as negações, os tuítes, as omissões, as acusações de notícias falsas e a indignação -, Trump tinha um problema primordial que Dowd sabia muito bem qual era, mas que jamais seria capaz de dizer ao presidente: 'Você é um puta mentiroso'".

A edição brasileira tem 397 páginas e é uma edição da Todavia. Trabalharam na tradução André Czarnobai, Paulo Geiger, Pedro Maia e Rogério Galindo. Só o futuro nos dará respostas com relação ao imprevisível e perigoso presidente.

Creio que no Brasil temos também agora um livro similar sobre Bolsonaro. Trata-se de Tormenta - o governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos, da jornalista "BRASILEIRA" Thaís Oyama, com edição pela Companhia das Letras.
A edição brasileira Tormenta, de Thaís Oyama. Companhia das Letras.



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