segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

1917. Sam Mendes. Oscar 2020.

Domingo chuvoso e sonolento. A temporada do Oscar 2020 me fez assistir o segundo filme com maior número de indicações, dez no total. Trata-se de 1917, do diretor e roteirista Sam Mendes. A data de 1917 remete a um dos mais tristes episódios da história da humanidade, a Primeira Guerra Mundial, ocorrida entre os anos de 1914 e 1918. Foi uma das mais sangrentas das guerras e que atingiu, especialmente, toda a parte central da Europa.

A guerra teve as suas causas imediatas, relacionadas ao Império Austro-húngaro, mas os verdadeiros motivos eram de ordem econômica. Foi uma guerra de impérios econômicos, em que se confrontaram a Alemanha e a Inglaterra. Vamos lembrar as alianças que se formaram. De um lado estava a Tríplice Entente, com o império austro-húngaro, a Alemanha e, por um breve tempo, também a Itália. Do outro lado, A Tríplice Aliança formada pela Grã Bretanha, França e Rússia. A Rússia sai dessa guerra, fazendo a sua Revolução de 1917. Mas 1917, não é essencialmente um filme de guerra. Usa o seu cenário para mostrar particularidades dela.
Cartaz promocional do filme. O tempo é o inimigo, além de todos os obstáculos.

1917 faz uma exaltação a dois personagens dessa guerra, que normalmente seriam absolutamente anônimos, seriam os heróis sem medalhas, que se formam ao longo de todas as guerras. São dois cabos que recebem uma missão especial, a de levar ao Coronel Mackenzie uma mensagem do Comando, para deter o seu exército, diante de uma cilada armada pelos inimigos alemães. Os dois teriam que atravessar uma região dominada pelo inimigo. Era uma missão totalmente impossível de ser realizada. Se fosse realizada com êxito poderia salvar 1600 soldados.

Ao final aparece na tela uma mensagem bem ilustrativa sobre o roteiro do filme, de autoria de Sam Mendes e de Krysty Wilson-Cains. As letras que aparecem nos informam que Sam ouviu a história dos dois cabos, contada pela sua avó. Os dois cabos são Schofield e Blake. Blake tinha um irmão nesse exército a ser salvo. Assim começa a missão, que tem como prazo o imediato de um único dia, o dia 6 de abril de 1917. A realização dessa missão leva uma hora e cinquenta e nove minutos na tela.

Como vimos, a missão seria impossível, pois, teriam que atravessar campos inimigos. As cenas são impressionantes e mostram bem o cenário devastador da guerra, tida como a mais sangrenta de todas. Aparecem trincheiras abandonadas, túneis escavados com armadilhas que poderiam desabar com a passagem e o leve toque de um simples e inevitável rato. Inimigos estão à espreita em todos os cantos. Um avião cai na proximidade dos dois. Eles salvam o piloto do avião em chamas, mas este retribui com um tiro em Blake. Schofield o mata. Blake também não resiste. Schofield terá que cumprir a missão sozinho.

Novos obstáculos. Pontes destruídas, águas correntes em torvelinhos traiçoeiros. Finalmente chega aos companheiros. Aí entra em cena a burocracia e a disciplina militar. Schofield tem enormes dificuldades em se encontrar com o comandante, que o recebe com reticências, após já ter ordenado o primeiro dos ataques. As tramas abertas ao longo do filme começam a se fechar. Schofield encontra o irmão de Blake, lhe entrega os seus pertences e escreve a carta prometida para a mãe do companheiro de sua missão. É medicado, alimentado e recebe o descanso após total exaustão. O valor desses dois soldados é o verdadeiro tema do filme.

O filme me fez lembrar muito da batalha de Maratona em que o exército de Atenas venceu o poderoso e invencível exército persa. Essa vitória deveria ser comunicada a Atenas. Fidípedes foi encarregado dessa missão. Após percorrer os 42,195 quilômetros que o separavam de Atenas, chega exausto, comunica a mensagem e morre. Como glória, sobrou a homenagem realizada em todas as olimpíadas.

O filme é dirigido por Sam Mendes, que divide o roteiro com Krysty Wilson-Cains. Na interpretação dos cabos estão George Mac Kay, como cabo Schofield e Dean-Charles Chapman, como o cabo Blake. Chamam atenção também a fotografia e a trilha sonora. O filme recebeu o prêmio maior no Globo de Ouro e conta com dez indicações ao Oscar, a saber:
Melhor filme
Melhor diretor
Melhor roteiro original
Melhor fotografia
Melhor trilha sonora original
Melhores efeitos visuais
Melhor direção de arte
Melhor mixagem de som
Melhor edição de som
Melhor maquiagem e penteado.

Recebeu três Oscar. Os de:
Melhores efeitos visuais, melhor fotografia e melhor mixagem de som.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pelo comentário. Depois de moderado ele será liberado.