quarta-feira, 20 de maio de 2015

A Mística Foz do Rio São Francisco.

Numa estada em Maceió eu aproveitei a oportunidade para conhecer a maravilhosa foz do rio São Francisco. Gostei tanto, que estando agora em Aracaju, resolvi repetir o passeio. E, asseguro, foi ainda mais maravilhoso do que na primeira vez. O rio São Francisco, muito mais do que o rio da "integração nacional", é o grande rio da generosidade nacional, isso pela sua água, numa região em que ela tanto falta, quanto pelas belezas que ele patrocina. O Velho Chico.
O local em que iniciamos o nosso passeio. A primeira imagem.

O Velho Chico desagua no oceano depois de percorrer 2.800 quilômetros e dar vida a  510 cidades localizadas às suas margens, em cinco estados diferentes. Destas cidades, 13 se situam no lado sergipano e 11, no alagoano. Nasce em Minas Gerais, alcançando depois a Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Tem grande importância histórica na ocupação do solo brasileiro e, maior ainda, é a sua importância econômica por sua água, cada dia mais utilizada em projetos de irrigação e como fonte para a produção de energia. Uma transposição, não isenta de polêmicas, amplia a sua influência benfazeja.
O nosso grupo. Observem uma senhora em cadeira de rodas. O filho realizou o seu desejo de conhecer a foz do rio, depois de ter conhecido as suas nascentes.

O rio e a sua foz divide os estados de Alagoas e Sergipe. A cidade próxima, pelo lado alagoano é Piaçabuçu, com 18.000 habitantes e a 130 quilômetros de distância da capital. Pelo lado sergipano encontramos Brejo Grande, bem menor, com 8.000 habitantes e um dos menores IDHs. do Brasil. Dista a 112 quilômetros de Aracaju. A economia dessas cidades é bastante primária e se origina basicamente da pesca e da exploração do turismo. Os camarões estão rapidamente entrando no cardápio, por culturas artificiais.
Quando as dunas aparecem - já estamos muito próximos da foz.

Quando se chega às margens do rio é feito o embarque para se chegar até a sua foz. Dependendo da agência de turismo você embarca em catamarã ou em barcos menores. Quando da primeira vez, eu embarquei em um catamarã e, dessa vez, o passeio foi de barco. O catamarã transporta umas 250 pessoas, enquanto que os barcos tem a sua capacidade limitada a 45 pessoas. A minha experiência diz que o passeio é muito mais bonito quando é feito de barco. Para essa afirmação eu me baseio em dois dados. O barco realmente chega até a foz e não apenas nas suas proximidades e dá voltas em torno das ilhas que o rio forma em sua foz, dando assim a oportunidade de conhecer os mangues. O nosso passeio também teve um atrativo muito particular, a simpatia do popular perereca, um misto de guia e animador.
Pena que não saiu a voz. "Esse é o lugar". Ali se dá o encontro.


O passeio é deslumbrante e acompanhado de forte mística. Você é embalado pelas mansas águas do rio e, ao mesmo tempo, sente o balanço das ondas, num encontro bastante amistoso e sem provocar o fenômeno da pororoca. O dia estava calmo. Mas esse encontro nem sempre deve ser tão tranquilo. Às margens você vê areias claras e finas, formando belas dunas, onde as tartarugas desovam tranquilamente, protegidas pelo Projeto Tamar.
A imagem mais próxima. As ondas do mar e as águas do "Velho Chico".


Tanto o catamarã, quanto os barcos menores atracam às margens para duas atividades à sua escolha. Você pode optar por um banho ou fazer compras num shopping. Foi assim que o guia qualificou a feirinha de artesanato e venda de cocadas nas proximidades do local do atracadouro. O artesanato se ocupa com imagens do santo, de peixes e de pescadores e as cocadas recebem os sabores de frutos típicos da região. Com muito gosto comprei imagens do santo, peixes e um pescador. Depois comecei a me preocupar com o seu transporte. Do santo, nenhuma imagem se quebrou.
O artesanato no shopping. A produção e a venda é obra do mesmo artista.


A compra da imagem do santo é acompanhada de um cerimonioso ritual. Você o mergulha nas águas e faz três agradecimentos e três pedidos. Como não pertenço a crença da teologia da prosperidade fiz primeiro os agradecimentos e depois os pedidos. Para quem eu trouxe como lembrança, pedi permissão ao santo, para deixar em aberto, tanto os agradecimentos, quanto os pedidos, para que eles possam ser feitos pelos contemplados, por ocasião de seu recebimento.

Conversando com os, simultaneamente, artífices e vendedores dos produtos de seu trabalho, o que por si só, já lhes confere um peculiaridade toda especial, eles demonstram a sua alegria de viver, dedicando as horas em que os barcos chegam para a venda de seus produtos, para daí voltarem para as suas casas e se ocuparem da criação e produção de sua arte. Também me contaram das dificuldades dos dias em que Velho Chico, com as suas tempestades protesta contra os maus tratos recebidos. Apesar de se darem bem e conhecerem as manhas e as intimidades do Velho, ele não deixa de, de vez em quando, lhes pregar algumas peças de surpresa, com tempestades imprevistas.
Entre as ilhas, a vegetação do mangue. Um processo de purificação das águas.


Já de volta ao barco, uma visita ao cenário da liturgia da purificação das águas, antes de se lançarem ao mar. Um passeio pelos mangues, entre as diversas ilhas da foz. A vegetação é belíssima e,como disse, é um ritual de purificação pelos maus tratos recebidos ao longo de seu percurso. O almoço aconteceu num restaurante muito simples, abençoado pelo santo e com uma comida caseira, com uma carne de sol acebolada que ganhou grau de excelência por unanimidade dos comensais. Despedidas e volta para Aracaju foram os próximos passos. Seguramente um lugar que vale muito a pena conhecer e voltar por diversas vezes. Quanto aos meus pedidos para o santo..., deixa para lá.
Uma imagem muito bela, muito simbólica. O transporte escolar.


Uma observação final sobre os receptivos. Eu tive problemas com a Nativa, o agente que opera e representa a CVC. Eles remarcaram o meu city tour por três vezes e só pude realizá-lo no última dia de minha estada, quando não havia mais jeito de transferi-lo. Ainda bem. Providenciei os meus pacotes com uma outra agência localizada na Feira do Turista, na orla de Atalaia, a Sollar - Viagens e Turismo. Poucas vezes fui recebido com tanta atenção. Por seu intermédio fiz a compra dos meus passeios. O passeio para a foz eu fiz com a Farol, que eu recomendo muito. Assim que cheguei de volta ao hotel, já me ligaram mostrando preocupação se tinha ocorrido tudo bem.

A foz do rio também foi o cenário para o filme "Deus é Brasileiro", que também pretendo assistir proximamente. Imagens incríveis continuam povoando a mente.





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