quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A Forma da Água. Guillermo del Toro.

Desde o anúncio das indicações ao Oscar era este filme, A forma da água, que mais expectativas me trazia. Seja pela direção de Guillermo del Toro ou seja, pelas treze indicações à estatueta que recebeu. A crítica também lhe dedicou raro entusiasmo. Não é um filme fácil. Ele se situa muito no campo do simbólico e está aberto para a interação. Não é um filme cansativo. O desenrolar do enredo te prende o tempo todo. Ele fala por enigmas, sendo inclusive muda, a personagem principal.
O cartaz promocional do filme A forma da água.

O filme retrata os anos 1960. A guerra fria está bem visível e é o mote principal do filme. Num laboratório secreto dos Estados Unidos é cultivado um monstro para servir de experimento na corrida espacial, para onde os russos já tinham lançado um cachorro e um ser humano. Os agentes americanos deste laboratório são pessoas extremamente cruéis e o Dr. Hoffstetter merece, inclusive, todo o ódio e desprezo da muda, Eliza.

Já que começamos a falar dos personagens, vamos a eles, em seu envolvimento na trama. Elisa, junto com Zelda são pessoas encarregadas pela limpeza. Zelda se torna cúmplice de Elisa na proteção ao monstro. Elisa conta ainda com a ajuda de seu vizinho e melhor amigo, um pintor não tão bem sucedido, Giles, para a realização desta sua empreitada. Um dos pontos fortes do filme é a relação de cumplicidade que existe entre as duas, que, exatamente, por serem da limpeza, serviço pouco valorizado, não atraem as suspeitas sobre elas. Eliza se envolve amorosa e sexualmente com o monstro.

Tecnicamente o filme é, diríamos, perfeito. É também um filme cabeça, sendo Guillermo del Toro responsável, tanto pela direção, quanto pelo roteiro filme. Normalmente esta soma é responsável por grandes filmes. As indicações ao Oscar, um recorde absoluto nesta versão 2018, somaram nada menos do que treze indicações. São elas, as de melhor filme, melhor diretor, melhor atriz (Sally Hawkins no papel da muda Elisa), melhor roteiro original, melhor ator coadjuvante (Richard Jenkins, no papel do vizinho e amigo, Giles), melhor atriz coadjuvante (Octávia Spencer, no papel da colega de trabalho, Zelda) e mais as indicações técnicas de melhor design de produção, fotografia, montagem, figurino e mixagem de som.

Do Adoro Cinema tomo esta referência altamente elogiosa: "Uma ode aos desajustados, aos incompreendidos, aos outsiders e aos párias". No mesmo Adoro Cinema ainda lemos: "Com o filme, Guillermo del Toro usa todas a ferramentas do cinema para criar um universo mágico, cheio de alegorias, que ilumina aqueles que não se encaixam. Se algum dia você já se sentiu só no mundo, essa é a sua praia. Ou o seu tanque".


Vejamos ainda uma afirmação do próprio del Toro sobre o seu filme: "O filme é sobre conectar-se ao 'outro'". "A ideia de empatia, de como nós precisamos uns dos outros para sobreviver. E é por isso que o título original do roteiro que eu escrevi era 'Um Conto de Fadas para Tempos Complicados'. Não à toa, os únicos amigos de Elisa são uma mulher negra e um gay que está no armário". Com certeza, um filme pretensioso. Li agora, que existem acusações de plágio com relação ao roteiro do filme. Polêmica no ar. As acusações existem desde as indicações ao Oscar que o filme recebeu.

Este filme levou quatro estatuetas. O melhor filme, a melhor direção, o melhor design de produção e a melhor trilha sonora original. Premiadíssimo.

4 comentários:

  1. Muito bom, excelente,pretendo assisitr o filme.

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  2. Muito obrigado pelo seu comentário Rosemary. Assista sim, vale muito a pena.

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  3. Parece que este filme é um dos melhores que o diretor Guillermo del Toro dirigiu. Michael Shannon fez um ótimo trabalho no filme. Eu vi que seu próximo projeto, Fahrenheit 451 será lançado em breve. Acho que será ótimo! Adoro ler livros, cada um é diferente na narrativa e nos personagens, é bom que cada vez mais diretores e atores se aventurem a realizar filmes baseados em livros. Acho que Fahrenheit 451 sera excelente! Se tornou em uma das minhas histórias preferidas desde que li o livro, quando soube que seria adaptado a um filme, fiquei na dúvida se eu a desfrutaria tanto como na versão impressa. Acabo de ver o trailer da adaptação do livro, na verdade parece muito boa, li o livro faz um tempo, mas acho que terei que ler novamente, para não perder nenhum detalhe. Sera um dos melhores filmes lançamentos em 2018 acho que é uma boa idéia fazer este tipo de adaptações cinematográficas.

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  4. Se ele resolver fazer, será ótimo. Mas eu cheguei ao livro pelo filme do Truffaut, que é ótimo. Agradeço o seu comentário, Luciana.

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