segunda-feira, 10 de setembro de 2018

O retrato de Dorian Gray. Prefácio.

Existem coisas tão belas que precisam ser mais divulgadas. Uma delas é o prefácio deste maravilhoso livro, O retrato de Dorian Gray. Ele foi escrito quando Oscar Wilde (1854- 1900) tinha 36 anos de idade. A arte, a estética. Um poema. Uma obra de arte.
Não é o exemplar que eu tenho. O meu é o da Abril, da coleção Os imortais da literatura universal - 35 - 1972.


O artista é o criador de coisas belas.
Revelar a arte e ocultar o artista é a finalidade da arte.
O crítico é aquele que pode traduzir, de um modo diferente ou por um novo processo, a sua impressão das coisas belas.
A mais elevada, como a mais baixa, das formas de crítica é uma espécie de autobiografia.
Os que encontram significações feias em coisas belas são corruptos sem ser encantadores. Isto é um defeito.
Os que encontram belas significações em coisas belas são cultos. Para estes há esperança.
Existem os eleitos, para os quais as coisas belas significam unicamente Beleza.
Um livro não é, de modo algum, moral ou imoral. Os livros são bem ou mal escritos. Eis tudo.
A aversão do século XIX ao Realismo é a cólera de Calibã para ver o seu rosto num espelho.
A aversão ao século XIX ao Romantismo é a cólera de Calibã por não ver o seu próprio rosto num espelho.
A vida moral do homem faz parte do tema para o artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de um meio imperfeito. O artista nada deseja provar. Até as coisas verdadeiras podem ser provadas.
Nenhum artista tem simpatias éticas. A simpatia ética  num artista constitui um maneirismo de estilo imperdoável.
O artista jamais é mórbido. O artista tudo pode exprimir.
Pensamento e linguagem são para o artista instrumentos de uma arte.
Vício e virtude são para o artista materiais para uma arte.
Do ponto de vista da forma, o modelo de todas as artes é a do músico. Do ponto de vista do sentimento, é a profissão do ator.
Toda arte é, ao mesmo tempo, superfície e símbolo. Os que buscam sob a superfície fazem-no por seu próprio risco.
Os que procuram decifrar o símbolo correm também seu próprio risco.
Na realidade, a arte reflete o espectador e não a vida.
A divergência de opiniões sobre uma obra de arte indica que a obra é nova, complexa e vital.
Quando os críticos divergem, o artista está de acordo consigo mesmo.
Podemos perdoar a um homem por haver feito uma coisa útil, contanto que não a admire. A única desculpa de haver feito uma coisa inútil é admirá-la intensamente.
Toda arte é completamente inútil.

Junto com as obras da coleção saíram as biografias. A de Wilde está no terceiro volume.  Aí aparece uma pequena contextualização deste prefácio:"No prefácio do romance ele esclarece que o artista jamais é mórbido..." e repete as principais afirmações. Os críticos, porém, parecem não se ter dado ao trabalho de analisar profundamente as ideias do autor. A obra foi considerada como envenenadora dos costumes.O link da resenha da obra: http://www.blogdopedroeloi.com.br/2018/09/o-retrato-de-dorian-gray-oscar-wilde.html

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