quarta-feira, 3 de junho de 2020

A fábula do sapo e o pirilampo

Ao ler o belo livro O homem medíocre, do ítalo argentino José Ingenieros, deparei com essa fábula do sapo e do pirilampo. Não vou entrar aqui no mérito do livro. Já fiz isso em outro post. Ele aponta as características daquilo que ele considera como sendo os defeitos morais constituintes da mediocridade. A fábula se encontra no V capítulo do livro, que tem por tema a inveja. Com a fábula o autor encerra um subtítulo sobre a paixão dos medíocres. O livro de Ingeniores data do ano de 1913. Dou o link da resenha.
http://www.blogdopedroeloi.com.br/2020/06/o-homem-mediocre-jose-ingenieros.html
O homem medíocre,da Editora do Chaim. A fábula se encontra na página 141.

Eis a narrativa da fábula: "Toda a psicologia da inveja está sintetizada numa fábula, digna de ser incluída nos livros de literatura infantil. Um sapo pançudo coaxava em seu pântano quando viu um pirilampo resplandecer no alto de uma pedra. Pensou que nenhum ser tinha o direito de exibir qualidades que ele próprio não possuiria jamais. Mortificado pela sua própria impotência, pulou sobre ele e cobriu-o com seu ventre gelado. O inocente pirilampo atreveu-se a perguntar: Por que me cobres? E o sapo, congestionado pela inveja, só conseguiu interrogar por sua vez: Por que brilhas?"

Moral da história! Ah, não precisa! Está mais do que evidente. A fábula está muito bem colocada num capítulo que trata sobre a inveja.  Mas eu queria saber mais. Queria saber o autor e,.... No Google encontrei mais e fiquei satisfeito. No aprendendocriando.blogspot.com encontrei a fábula em forma de verso, e o pirilampo virou vaga-lume. Está assim:

"Entre o gramado do campo
Modesto, em paz, se escondia
Pequeno pirilampo
Que sem o saber, luzia.

Feio sapo, repelente
Sai do córrego lodoso,
Cospe e baba, de repente
Sobre o inseto luminoso.

Pergunta-lhe o vaga-lume:
- "Por que vens me maltratar?"
E o sapo com azedume
- "Por que estás sempre a brilhar?"

O blogspot tem a assinatura de Amara Pedrosa, que é bióloga, e como tal apela para o politicamente correto: "Como assim, feio sapo, repelente". Com toda a razão. Mas Amara nos dá uma outra informação importante: a fonte. A fábula está contida no livro de João Ribeiro, com o seguinte título: Grande fabulário do Brasil. João Ribeiro tem uma conhecida História do Brasil. Em tempos de tanta inveja, julguei oportuno publicar. Em outra versão o sapo virou uma serpente, mas a moral da história é a mesma.


2 comentários:

  1. Sensacional publicação de um sensacional livro.Faz lembrar a fábula do sapo e do boi.

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  2. "Porque brilhas". Algo insuportável para os invejosos. Que bela fábula e que livro notável. Agradeço o seu comentário.

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