"Ela (Briony) estava calma, pensando no que tinha de fazer. A carta para os pais e a declaração formal, ela as escreveria rapidamente. Então estaria livre o resto do dia. Sabia o que se exigia dela. Não apenas uma carta, mas um novo rascunho, uma reparação, e ela estava pronta para começar" (Página 418). Assim termina o romance Reparação, de 2001, do escritor inglês, Ian McEwan. Fiz agora uma releitura. Conforme a anotação ao fim do livro, a primeira leitura foi em março de 2006. Não me lembrava praticamente de nada da primeira leitura.
Reparação. Ian McEwan. Tradução: Paulo Henrique Britto. Companhia das Letras. 2002.Eis aí o teor do livro. Briony é a grande personagem, a protagonista. Vamos então ver quem é ela e o que lhe aconteceu. Por óbvio, o título a entrega, ela cometeu algo de errado e o seu erro exigia uma reparação. Um erro sempre envolve uma relação com outras pessoas. Quem seriam elas? O parágrafo final também nos dá a ideia de que ela estava disposta ao reparo, a reconsiderar algo errado de um longínquo passado. Briony não era uma menina fácil. Ela sonhava ser escritora. Pertencia a uma família, que tudo indica, pertencia a classe média alta. Os outros dois personagens mais diretamente envolvidos são, a sua irmã Cecília e Robbie, este filho da faxineira da casa. Ele era como alguém da casa.
Lá pelos idos dos anos 1935, a família de Briony e Cecília recebem a visita de parentes vindos do norte da Inglaterra. Observar a data é importante, são os anos que antecedem a Segunda Guerra Mundial. Muitos dos fatos narrados são decorrentes da guerra. Para as visitas, a menina prepara a apresentação de uma peça - Arabela em apuros. Ela queria se exibir. É nessa noite que ocorrem os fatos. Ela flagra Robbie beijando Cecília e também, pouco depois, Robbie estaria aos beijos com a prima Lola. Eis os fatos. Há a penalização em função das acusações fortes e convictas de Briony. Há, em função disso, uma mudança profunda nos destinos de todos.
O livro é dividido em três partes, mais uma espécie de apêndice, sob o título - Londres 1999. Isso ocupa as 444 páginas do livro. A primeira parte é dedicada a apresentação e o envolvimento dos principais personagens e as encrencas da família de Briony e Cecília e a visita de seus parentes. A segunda parte se ocupa especialmente de Cecília e Robbie, envolvidos já na Segunda Guerra. Como soldado ele ameniza a sua pena e Cecília trabalhará como enfermeira, atendendo aos feridos, os seres humanos esfarrapados pela guerra. Já a terceira parte é dedicada a descrever os passos de Briony, que também escolheu ser enfermeira e também envolvida no tratamentos dos feridos. No apêndice, encontraremos, no ano de 1999, uma homenagem a escritora Briony Tallis, onde muitos dos fatos do passado são novamente trazidos à memória. O valor do romance está na força da narrativa e na caracterização psicológica dos personagens. Seu passado, psicanálise...
Como não quero adiantar os relatos, me limito a apresentar ainda, apenas o exposto nas orelhas do livro: "O premiado autor inglês Ian McEwan arma em Reparação uma trama fascinante em torno de Briony Tallis, pré-adolescente que nutre a ambição de se tornar escritora.
No dia mais quente do verão de 1935, numa casa de campo na Inglaterra, Briony vê pela janela uma cena incompreensível: sua irmã mais velha, sob o olhar de um amigo de infância, filho da arrumadeira da família, despe a saia e a blusa para mergulhar, de sutiã e calcinha, na fonte do quintal. A partir desse episódio e de uma sucessão de equívocos, a aprendiz de romancista, movida por uma imaginação febril e pela inexperiência, comete um crime que marcará a vida de toda a família. Briony passará o resto de sua existência tentando desfazer o mal que causou.
No nível mais imediato, Reparação é um drama psicológico que tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial e as tensões de classe da sociedade britânica. Como vários críticos já observaram, há semelhanças interessantes entre esta obra e Pelos olhos de Maisie, de Henry James: em ambas, o núcleo é uma menina inocente tentando entender o mundo adulto da paixão e da sexualidade. Só que aqui temos, além do ponto de vista da protagonista, também os dos outros personagens centrais, de modo que os mesmos episódios são apresentados sob vários ângulos.
Mas o romance ganha uma nova perspectiva com base num dado que só é revelado no epílogo. Retrospectivamente, o leitor percebe que o que estava em jogo ao longo de toda a obra, além da questão da culpa e do perdão, eram as relações entre estética e ética. E só então se dá conta de que o livro cuja leitura está terminando, à parte ser uma narrativa deslumbrante, é também uma reflexão sofisticada a respeito da natureza da literatura, seus poderes e limitações".
E mais duas apresentações do livro, agora da contracapa: "A narrativa, como sempre em McEwan, mantém uma tensão ameaçadora, lenta e incansável. A leitura é magicamente cativante, e nunca antes McEwan havia mostrado tanta compaixão para com a vulnerabilidade do coração humano" (The Sunday Times).
"McEwan é um contador de histórias irresistível, um criador de narrativas que prendem o leitor até a última página. Mesmo para seus padrões exigentes, este último romance é extraordinário. Marcas registradas do estilo de McEwan, as frases, de grande eloquência e delicadeza, que em obras anteriores por vezes racionalizavam em excesso a evocação dos sentimentos, ganham ressonâncias ainda mais profundas em Reparação" (The Times).
Do escritor temos também a resenha de Sábado.
http://www.blogdopedroeloi.com.br/2021/12/sabado-ian-mcewan.html

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