quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O Último Discurso. Charles Chaplin.


Revolvendo antigos arquivos meus, me deparo com o Último Discurso do Charles Chaplin. Lembro até da forma como ele chegou a mim. Eu ainda era professor do Colégio Estadual de Umuarama e uma aluna me deu este texto. Lembro da inteligência e da beleza desta menina, embora não consiga lembrar mais o seu nome. Também não tenho a mínima ideia do que a sorte e o destino lhe reservaram. Mas certamente deve estar muito bem, ao menos, se a inteligência for um requisito para se ir bem.
O filme de Chaplin, em que ele faz o discurso. 

Creio que todo mundo conhece o filme O Grande Ditador. É neste filme que Chaplin faz este discurso. Tenho uma versão do filme, ainda em VHS, e com uma apresentação do mesmo nos seguintes termos: "Chaplin lançou-se, mais uma vez, contra a enlouquecida sociedade moderna, fazendo uma crítica mordaz em que caricaturiza a ânsia de poder e glória de um ridículo ditador chamado Hynkel , alter-ego de Hitler, de cujos exaltados discursos Chaplin realiza uma memorável imitação. Já o humano Carlitos é, nesse filme, um barbeiro judeu que sofre de amnésia, ainda que continue a ser o indeciso e distraído personagem de sempre e que, por acaso, se converte no heroi da trama". O discurso que faz é o oposto do discurso de Hitler. Um dos mais belos discursos do humanismo.Vejamos:

"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar se possível - judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo não para o seu infortúnio. Porque havemos de odiar - desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: 'Não desespereis!' A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. É assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos!

Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos deste poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados tem subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência.Lutemos por um mundo de razão um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à aventura de todos nós.

Soldados! Em nome da democracia unamo-nos!

Hannah, estais me ouvindo? Onde te encontras, levanta os olhos! Vês hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo das trevas para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos Hannah!

A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos Hannah. Ergue os olhos!"

2 comentários:

  1. ESPETACULAR ESSE BLOG . MUITO BOM PARABÉNS ...!

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  2. motosusart, muito obrigado pela sua grande generosidade. Seu comentário é um estímulo.

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