quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A Segunda Internacional. Associação Internacional dos Trabalhadores.

Max Beer, em seu livro História do Socialismo e das lutas sociais, nos conta que a Segunda Internacional aconteceu em Paris, em 1889, por ocasião da grande Exposição Internacional. Reparem bem na data. Nela se comemora o centenário da Revolução Francesa. Nesse ano realizaram-se na cidade, dois congressos de trabalhadores. Um foi convocado pelos possibilistas e o outro pelos marxistas. Como podem ver, de novo havia divisão, embora nem Marx, morto em 1883, e nem Bakunin, morto em 1876, estivessem presentes. Novas divisões passaram a existir. O primeiro ato da Segunda Internacional foi declarar o dia primeiro de maio como o dia internacional do trabalhador.
O livro de Max Beer continua sendo a referência para este segundo post.

A sede da Segunda Internacional ficava em Bruxelas e foram organizados oito Congressos. Estes foram realizados em Bruxelas, Zurique, Londres, Paris, Amsterdã, Stuttgart, Copenhague e Basileia. A associação era formada com dois delegados de cada país. Beer divide a Segunda Internacional em três períodos, assim descritos: "No primeiro período, procurou-se estabelecer uma linha divisória entre o socialismo e o anarquismo. No segundo, procurou-se fixar os princípios da luta de classe e a atitude dos partidos socialistas em face dos governos burgueses. Finalmente, no terceiro, procurou-se chamar a atenção dos povos para as crescentes ameaças de uma guerra imperialista e fixar posição da Internacional em face do perigo da guerra".
A Segunda Internacional proclama o primeiro de maio como o dial mundial do trabalhador. Sempre houve grandes comemorações.


O autor faz dura crítica ao movimento, atribuindo-lhe, como o único resultado positivo, a exclusão dos anarquistas, no Congresso de Londres, em 1896. Já no Congresso de Paris ficou estabelecido que somente seriam aceitos como membros da organização quem professasse os princípios do socialismo e aceitasse a necessidade da luta política. A Segunda Internacional ainda proibiu que os membros dos partidos socialistas participassem de governos burgueses, a não ser em  "circunstâncias excepcionais". Mas um grande número de partidos socialistas europeus participaram de governos de coalizão. E uma frase de lamento do autor. "A ação empreendida pela Internacional contra os perigos de guerra fracassou completamente".

Mais lamentos do autor. "Infelizmente, a psicose guerreira, que atacou os dirigentes e as massas nos primeiros dias de agosto de 1914, foi mais forte que todas as decisões dos Congressos. Só algumas pequenas frações do movimento operário começaram pouco a pouco a aplicar os princípios da luta de classe". mais adiante continua. "A guerra mundial (1914-1918) despedaçou a Segunda Internacional. Ou melhor: a "Segunda Internacional foi vítima da contradição entre o patriotismo e o internacionalismo, que trazia em si mesma".
Os seguidores de Bakunin, os anarquistas foram excluídos da Segunda Internacional.


Beer ainda faz uma análise da atuação dos partidos socialistas da Alemanha, da Áustria-Hungria, da Grã Bretanha, da França, da Itália, da Rússia e também dos Estados Unidos. Faz ainda uma análise da atuação da Internacional durante a guerra e no pós-guerra, como a Revolução Russa de 1917 e a Revolução Alemã de 1918-1919 e, ainda a atuação dos partidos na França e na Inglaterra.  As informações de Beer terminam por aí, mas buscamos mais alguns complementos.

Oficialmente a Segunda Internacional foi dissolvida em 1916, mas teve uma espécie de refundação em 1920, mas não de forma unificada. Abdicou das principais convicções socialistas para aderir às convicções social-democratas. Esta durou até 1940 e foi mais uma vez refundada após a Segunda Guerra Mundial, dentro dos princípios da social democracia, mas sem grande expressão política.
A rosa como símbolo do PDT é uma herança da Segunda Internacional.


Mais algumas informações complementares. No Brasil a Segunda Internacional passou a ser representada pelo Partido Democrático Trabalhista, e tendo em Leonel Brizola o seu grande representante. O Partido dos Trabalhadores sempre a recusou. Para avivar a memória, ela é representada pelo símbolo da rosa, que também está presente nos símbolos do PDT. A Segunda Internacional também foi a responsável pela oficialização do Hino da Internacional.

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