quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A Livraria Mágica de Paris. Nina George.

Não sei exatamente como cheguei a este livro. Certamente por alguma recomendação no facebook, ou por e-mail de editoras ou livrarias.  Tenho certa resistência na leitura de best-sellers, mas confesso que valeu muito a pena ler este livro. Trata-se de A Livraria mágica de Paris, da jornalista, professora e escritora alemã,  Nina George. O livro figurou entre os mais vendidos na Alemanha, Itália, Polônia e Holanda. O lançamento do livro foi em 2013 e no Brasil em 2016. O exemplar que eu li, já é de sua oitava edição. Isso no Brasil é fato raro. Na capa da edição está a informação: mais de um milhão de exemplares vendidos no mundo.
O best seller de Nina George. Da Record.


Passo primeiramente a apresentação do livro contida em sua contracapa: "O livreiro parisiense Jean Perdu sabe exatamente que livro cada cliente deve ler para amenizar os sofrimentos da alma. Em seu barco-livraria, ele vende romances como se fossem remédios. Infelizmente, o único sofrimento que não consegue curar é o seu: a desilusão amorosa que o atormenta há 21 anos, desde que a bela Manon partiu enquanto ele dormia. Tudo o que ela deixou foi uma carta - que Perdu não teve coragem de ler.  Até um determinado verão - o verão que muda tudo  e que leva Monsieur Perdu a abandonar a casa na estreita rue Montagnard e a embarcar numa jornada que o levará ao coração da Provence e de volta ao mundo dos vivos".

Esta é a síntese. Jean Perdu amava Manon, que vivia um duplo amor. Manon abandona Perdu e lhe deixa a carta, voltando para casa. Perdu não tem coragem para ler a carta. Vive no seu interessante ofício de livreiro, num barco livraria, ancorado no rio Sena. Mais uma atração destinada aos turistas. O seu mundo se limita aos vizinhos da rua Montagnard e aos dois gatos que mantém no barco. Em seu barco conhece um jovem escritor de sucesso, Max Jordan, acometido da doença dos escritores, qual seja, o entrave ou os bloqueios na criação.

Um dia Perdu avança nos carinhos com a vizinha Catherine mas logo se contém. A memória o remete há vinte e um anos atrás, ao ocorrido com Manon. Lê a carta e toma uma decisão. Navegar para o sul da França, atrás dos vestígios da amada, embora a soubesse morta. Quando desamarra o barco, o jovem escritor Max se lança ao barco para acompanhá-lo, em busca de inspiração. Ao longo do trajeto, um italiano, Cuneo, que sofre de semelhantes males aos de Perdu, também lhes faz companhia. Em meio a viagem, encontros diálogos e memória. E um livro. O livro de memórias de Manon.
O mapa da viagem. A linha contínua com o barco e a pontilhada de carro.


A viagem segue para o sul da França, pelo Sena e seus rios formadores até a cidade papal de Avignon, seguindo daí, de carro para a Provence, a região de origem de Manon.  Muito mais interessante do que a história propriamente dita é maneira de contar da escritora e o encontro dos personagens. Isto leva aos temas que certamente foram os responsáveis pelo grande êxito do livro. O amor, o medo, o medo de amar, os desencontros, a morte e, obviamente os livros. E uma cidadezinha, Sanary, da resistência e abrigo de escritores.

Com exceção da morte de Manon, vítima de câncer, e dos longos anos de desencontros de Perdu, todo o resto da história tem final feliz. O medo de amar passa a ser amplamente superado e a vida, a criação literária e a propensão para o trabalho criativo renascem com todo o esplendor. Max Jordan se dedica à literatura infantil, Perdu a livros especializados e Catherine, a nova companheira de Perdu, a um ateliê de escultura. E Max Jordan se casa com a menina do trator vermelho. Aí tem história.

O livro é dividido em 44 pequenos capítulos, todos eles cheios de romantismo e de belas construções literárias, que podem perfeitamente ser lidos em doses diárias. Com certeza que farão bem para a auto-estima. Certamente você se encontrará em muitas das situações ali narradas. Mas eu não quero encerrar sem fazer uma referência especial ao grande tema abordado que são os livros. Selecionei duas passagens, a primeira diz respeito ao livreiro e a segunda sobre o efeito dos livros:

1. "Quando a avó, a mãe e a menina se despediram e foram embora, Perdu refletiu sobre a concepção equivocada de que livreiros cuidam de livros. - Eles cuidam de pessoas".

2. "A todos abaixo de quatorze anos ele vendia livros por peso: dois quilos por dez euros.
- Não ficamos no prejuízo desse jeito? - perguntou Max.
- Financeiramente falando sim. Mas todo mundo sabe que a leitura deixa as pessoas insolentes, e o mundo de amanhã com certeza vai precisar de algumas pessoas que se rebelem, não acha? 

Que ideias maravilhosas. O livreiros cuidam de pessoas e que no mundo de amanhã precisaremos de pessoas que se dediquem à rebeldia. Depois da leitura me deu uma enorme vontade de viajar pela Provence e desfrutar de sua história, de sua culinária e de seus temperos de alecrim e de tomilho e, especialmente, de seus vinhos.

Ainda em tempo, o livro contém uma série de receitas de comidas que aparecem no livro e um lista dos principais livros recomendados e suas respectivas propriedades terapêuticas.


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