terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Narrativas de uma viagem - 4. Dois dias a esmo em Santiago.

Eu estava magnificamente hospedado em Santiago. Um bom hotel, o Panamericano, e um endereço fabuloso, Teatino e Huerfanos. Bem em baixo um mercadinho, bem estocado de cerveja cusqueña, da qual eu aprendi a gostar, quando conheci a cidade de Cusco.  Estava a duas quadras da Casa de La Moneda e da grande avenida Bernardo O'Higgins e umas dez, da Plaza de Armas e da bela catedral. Muitos cafés com piernas pela redondeza, tanto de vidros claros, quanto de bem escuros, com nomes bem apelativos.
 O Palácio de La Moneda e o cerimonial da troca da guarda.

A minha primeira movimentação foi pela Avenida Bernardo O'Higgins, que como vimos em outro post, é uma avenida de mais de trinta quilômetros e é a espinha central, em torno da qual a cidade se estrutura. Sua direção está no sentido cordilheira para o mar. Recebe diferentes nomes. No começo era só checar as localizações já vistas por ocasião do city tour. Andar em Santiago é muito fácil. O primeiro momento era assistir a troca da guarda, em frente ao La Moneda, as 10h00. Uma magnífica cerimônia cívica que dura algo em torno de trinta minutos. Uma cerimônia cívica. O civismo e o patriotismo são muito cultivados. Ela ocorre dia sim, dia não.
A Universidade do Chile. Faixa de protesto.

Depois andei pela grande Avenida. Universidade do Chile. Cartazes com reivindicações, próprias ao movimento estudantil, num país que cobra pelo ensino superior que oferece. Continuo a andar. A bela igreja de São Francisco e um belo museu, o Museu Colonial, que retrata a presença da ordem de São Francisco ao longo da história da cidade. Tem mais de cinquenta diferentes representações do querido santo. Um belo museu histórico. E tem Gabriela Mistral e o seu testamento em favor da ordem religiosa. Gabriela Mistral (1889 - 1957) foi uma poetisa, educadora, diplomata e feminista chilena, que junto com Pablo Neruda, foi agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura. Ela em 1945 e Neruda em 1971.

Igreja de São Francisco e o Museu Colonial.

Continuo o passeio. Um centro de artesanato. Muita coisa em cobre, a grande riqueza chilena. Pablo Neruda, Violeta Parra, Victor Jara, Salvador Allende, abridores de garrafa, tudo em cobre, são o forte destes regalos. Ainda não comprei, ainda teria amanhã para isso. Continuo o caminho. Universidade Católica do Chile. Foi aí que se aninhou e propagou a doutrina neoliberal no Chile. Os Chicago boys aí foram ensinar. Milton Friedman chegou a ser ministro de Pinochet. Uma Universidade Católica. Foi a porta de entrada do neoliberalismo na América Latina. Depois a PUC do Rio de Janeiro lhe seguiu os passos. Nada muito cristão. A mais anti social das ideologias.
A PUC e o Centro de artesanato.


Ainda segui em frente. Uma bela praça e o famoso Cerro San Cristobal. Como o subimos no city tour, me senti satisfeito. Não me aventurei novamente. Tem bondinho e teleférico. O shopping Costanera não me interessou. Em vez de almoçar preferi experimentar um lanche. De noite eu iria jantar no Bali Hai, assim não haveria problema em lanchar. A guia tinha falado muito destes lanches. Tem carne e recheio de muito abacate. A combinação não é de todo ruim. Ainda subi o Cerro Santa Lucía, que do ponto de histórico é mais importante. A vista é urbana, Cordilheira ao fundo.

Cerro Santa Lucía. Alguns flagrantes. Até um sabiá.

Descansei um pouco, tomando umas cusquenhas, esperando a hora do jantar, o jantar show Balli Hai. É um belo restaurante, a decoração é primorosa, lembrando a Polinésia e localização privilegiada no aristocrático Las Condes. A janta é farta. Um pisco, a famosa bebida que o Chile disputa com o Peru, entrada, uma bela porção de frutos do mar muito bem preparada, prato principal com opção pelo salmão e sobremesa. Meia garrafa de vinho para acompanhar. O show, uma cueca, é um passeio pelo folclore chileno. Norte, centro e sul foram apresentados e, a principal atração fica por conta das danças da Polinésia, o principal apelo do show. Vale muito a pena. Muita agilidade nos movimentos. Logo para mim, que nos meus piedosos momentos de seminário, aprendia que tudo o que se movimenta é pornográfico.
 Momentos do Bali Hay. Uma noite muito agradável. Um brinde com o pisco.

O último dia ficou reservado para a Praça de Armas. Uma visita sem pressa à catedral, que receberá o papa Francisco em janeiro de 2018, uma demorada passada no Museu  Histórico Nacional e ficar bem por dentro da história chilena. Este Museu é semelhante ao Museu da República no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Gostei muito. Me demorei bastante nesta bela praça, com grande destaque para uma estátua equestre de Pedro de Valdívia. Não fui ao Museu da memória, dedicado a Salvador Allende.
Pedro de Valdívia, a catedral e o Museu Histórico Nacional. No casco central.

O restante do tempo foi para as compras das lembrancinhas. O Centro de Artesanato é o local ideal. Também o mercadinho em baixo do hotel me serviu para comprar um Marques da Casa Concha Carmenere e um pisco dentro da escultura do Moai. A minha última noite ficou bem curta. Cinco da manhã já estava em pé, pronto para o transfer para o aeroporto, fazendo a travessia dos Andes, no rumo de Buenos Aires.





Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pelo comentário. Depois de moderado ele será liberado.