blog do pedro eloi
cultura, política e viagens __________________________________________________________________ "A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original" Albert Einstein
terça-feira, 16 de junho de 2026
MINHAS HISTÓRIAS DOS OUTROS. Zuenir Ventura.
terça-feira, 9 de junho de 2026
REPARAÇÃO. Ian McEwan.
"Ela (Briony) estava calma, pensando no que tinha de fazer. A carta para os pais e a declaração formal, ela as escreveria rapidamente. Então estaria livre o resto do dia. Sabia o que se exigia dela. Não apenas uma carta, mas um novo rascunho, uma reparação, e ela estava pronta para começar" (Página 418). Assim termina o romance Reparação, de 2001, do escritor inglês, Ian McEwan. Fiz agora uma releitura. Conforme a anotação ao fim do livro, a primeira leitura foi em março de 2006. Não me lembrava praticamente de nada da primeira leitura.
Reparação. Ian McEwan. Tradução: Paulo Henrique Britto. Companhia das Letras. 2002.Eis aí o teor do livro. Briony é a grande personagem, a protagonista. Vamos então ver quem é ela e o que lhe aconteceu. Por óbvio, o título a entrega, ela cometeu algo de errado e o seu erro exigia uma reparação. Um erro sempre envolve uma relação com outras pessoas. Quem seriam elas? O parágrafo final também nos dá a ideia de que ela estava disposta ao reparo, a reconsiderar algo errado de um longínquo passado. Briony não era uma menina fácil. Ela sonhava ser escritora. Pertencia a uma família, que tudo indica, pertencia a classe média alta. Os outros dois personagens mais diretamente envolvidos são, a sua irmã Cecília e Robbie, este filho da faxineira da casa. Ele era como alguém da casa.
Lá pelos idos dos anos 1935, a família de Briony e Cecília recebem a visita de parentes vindos do norte da Inglaterra. Observar a data é importante, são os anos que antecedem a Segunda Guerra Mundial. Muitos dos fatos narrados são decorrentes da guerra. Para as visitas, a menina prepara a apresentação de uma peça - Arabela em apuros. Ela queria se exibir. É nessa noite que ocorrem os fatos. Ela flagra Robbie beijando Cecília e também, pouco depois, Robbie estaria aos beijos com a prima Lola. Eis os fatos. Há a penalização em função das acusações fortes e convictas de Briony. Há, em função disso, uma mudança profunda nos destinos de todos.
O livro é dividido em três partes, mais uma espécie de apêndice, sob o título - Londres 1999. Isso ocupa as 444 páginas do livro. A primeira parte é dedicada a apresentação e o envolvimento dos principais personagens e as encrencas da família de Briony e Cecília e a visita de seus parentes. A segunda parte se ocupa especialmente de Cecília e Robbie, envolvidos já na Segunda Guerra. Como soldado ele ameniza a sua pena e Cecília trabalhará como enfermeira, atendendo aos feridos, os seres humanos esfarrapados pela guerra. Já a terceira parte é dedicada a descrever os passos de Briony, que também escolheu ser enfermeira e também envolvida no tratamentos dos feridos. No apêndice, encontraremos, no ano de 1999, uma homenagem a escritora Briony Tallis, onde muitos dos fatos do passado são novamente trazidos à memória. O valor do romance está na força da narrativa e na caracterização psicológica dos personagens. Seu passado, psicanálise...
Como não quero adiantar os relatos, me limito a apresentar ainda, apenas o exposto nas orelhas do livro: "O premiado autor inglês Ian McEwan arma em Reparação uma trama fascinante em torno de Briony Tallis, pré-adolescente que nutre a ambição de se tornar escritora.
No dia mais quente do verão de 1935, numa casa de campo na Inglaterra, Briony vê pela janela uma cena incompreensível: sua irmã mais velha, sob o olhar de um amigo de infância, filho da arrumadeira da família, despe a saia e a blusa para mergulhar, de sutiã e calcinha, na fonte do quintal. A partir desse episódio e de uma sucessão de equívocos, a aprendiz de romancista, movida por uma imaginação febril e pela inexperiência, comete um crime que marcará a vida de toda a família. Briony passará o resto de sua existência tentando desfazer o mal que causou.
No nível mais imediato, Reparação é um drama psicológico que tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial e as tensões de classe da sociedade britânica. Como vários críticos já observaram, há semelhanças interessantes entre esta obra e Pelos olhos de Maisie, de Henry James: em ambas, o núcleo é uma menina inocente tentando entender o mundo adulto da paixão e da sexualidade. Só que aqui temos, além do ponto de vista da protagonista, também os dos outros personagens centrais, de modo que os mesmos episódios são apresentados sob vários ângulos.
Mas o romance ganha uma nova perspectiva com base num dado que só é revelado no epílogo. Retrospectivamente, o leitor percebe que o que estava em jogo ao longo de toda a obra, além da questão da culpa e do perdão, eram as relações entre estética e ética. E só então se dá conta de que o livro cuja leitura está terminando, à parte ser uma narrativa deslumbrante, é também uma reflexão sofisticada a respeito da natureza da literatura, seus poderes e limitações".
E mais duas apresentações do livro, agora da contracapa: "A narrativa, como sempre em McEwan, mantém uma tensão ameaçadora, lenta e incansável. A leitura é magicamente cativante, e nunca antes McEwan havia mostrado tanta compaixão para com a vulnerabilidade do coração humano" (The Sunday Times).
"McEwan é um contador de histórias irresistível, um criador de narrativas que prendem o leitor até a última página. Mesmo para seus padrões exigentes, este último romance é extraordinário. Marcas registradas do estilo de McEwan, as frases, de grande eloquência e delicadeza, que em obras anteriores por vezes racionalizavam em excesso a evocação dos sentimentos, ganham ressonâncias ainda mais profundas em Reparação" (The Times).
Do escritor temos também a resenha de Sábado.
http://www.blogdopedroeloi.com.br/2021/12/sabado-ian-mcewan.html
quarta-feira, 3 de junho de 2026
Eny e o grande bordel brasileiro. Lucius de Mello.
Leituras de entretenimento. Um livro que guardo comigo desde o seu lançamento em 2002. Eny e o grande bordel brasileiro. O autor é Lucius de Mello, que foi repórter da TV Globo, na cidade de Bauru. Agora já poso contar que o famoso bordel brasileiro ficava na cidade de Bauru. Até hoje não se sabe quem ficou mais famoso, se foi o bordel ou o sanduíche que deu nome à cidade. E, eu cá, após me deliciar com a leitura, me indago: mas o que é que poderia transformar a história de um bordel e a de sua proprietária num belo e marcante livro. Para explicar, recorro a Fernando Morais, que prefacia o livro:
Eny e o grande bordel brasileiro. Lucius de Mello. Objetiva. 2002."Agora cai-me em mãos um novo Lucius de Mello, autor desse delicioso Eny e o grande bordel brasileiro - um livro em que o leitor não consegue descobrir onde termina a reportagem e onde começa a ficção. Se pudéssemos juntar em uma só obra uma personagem e quatro autores, teríamos Eny no papel central e Racine, Nelson Rodrigues, Gabriel García Marquez e Sófocles assinando este trabalho desconcertante que Lucius oferece aos leitores.
É pensando assim que me permito entender este conjunto deslumbrante de fatos, este chafariz surrealista que foi a vida de dona Eny - ou simplesmente, da 'Eny de Bauru', a proprietária de um dos mais célebres e festejados prostíbulos do Brasil. O fatalismo de tragédia grega, que põe sempre o destino à nossa frente, enquanto fugimos dele, parece confirmar todas as teses literárias, artísticas e psicológicas que colocam a trama da vida como uma folha ao vento, um cão morto na correnteza, à espera apenas do tempo para acontecer, para cumprir o determinismo".
A história de Eny é uma história comum a muitos brasileiros, ou, no caso, brasileiras. Remete à Itália, à bela região de Salerno. De lá, já casado, sai Nicolau Cezarino, em busca de um futuro melhor no Brasil. Depois traria ao Brasil, já com a situação consolidada, Rosa, sua esposa. É assim que começa a tragédia ítalo-brasileira familiar dos Cezarino. Entram em cena uma madrasta e uma Magdalena, personagens do mal, da tragédia. Quis o destino que Eny tivesse as suas origens como um fruto dessa tragédia. Uma semente do sempre atormentador demônio, que sempre assustou tanto a Rosa, amedrontada com as uvas. O nome Eni, explica Lucius, vem do grego oínos, que significa vinho, vinho da Campânia, a terra do nono. Ah, o vinho e seus efeitos.
Assim já entramos no enredo da reportagem romanceada com a qual Lucius nos presenteou. Eny, a protagonista já entrou em cena e, lembrem-se, ela será vista pela família como a portadora de genes maléficos. Rosa jamais se conformará com os caminhos por ela percorridos e jamais a perdoará por causa desses descaminhos. Inconformada com a pobreza e a cotidianidade da vida ela sai de casa em busca de outros caminhos. Estes começam pela própria São Paulo, passando depois pelo Rio de Janeiro, Porto Alegre, Paranaguá e terminando na florescente cidade de Bauru, no interior de São Paulo. Em consequência, dinheiro e fama.
Um pequeno detalhe da vida de Eny não passa despercebido ao autor. Eny e sua irmã tiveram um professor de música, um professor particular, pago enquanto a família tinha condições para tal. Este professor ia para além da música. Falava de cultura e de política. Comentava sobre os acontecimentos do dia a dia, o que aguçava a curiosidade das meninas, suas alunas. É a deixa que o autor encontra para embelezar e revestir o seu livro de grandeza e de valor. Ele transformou seu relato num belo livro de história, de cultura, de psicologia e de sociologia, enfim, num belo livro de realidade brasileira. Uma viagem que começa na distante Itália e que vem ao Brasil, acompanhando a política do fim do Império, da abolição da escravização, da troca do regime imperial pelo republicano e, mais de perto, já envolvendo personagens que passaram pelo famoso Eny's Bar.
Eny gostava dos personagens políticos e afagava a todos. Eles em muito contribuíram para a fama de seu bordel. Assim como também os personagens da música, da literatura e da cultura brasileira. Sem dúvida nenhuma um dos pontos altos do livro. Assim como a história de Bauru, também envolvida em pecado e, por essa razão, carregava uma excomunhão desde o início do século. Evidentemente que a questão religiosa e moral também fazem parte do livro. Discriminação, exclusão e preconceito de um lado e benemerência, solidariedade e caridade do outro. A moral e a eterna hipocrisia que acompanha essa palavra. A generosidade de Eny não tinha tamanho.
Mas veio a decadência. Veio a concorrência dos motéis e a mudança nos padrões de comportamento. Uma aula de sociologia e de psicologia. As rebeliões do ano de 1968 ajudaram a transformar o mundo... A pílula anticoncepcional. Os dois últimos capítulos, os de número 20 e 21 são maravilhosos. O autor fala de sua percepção das mudanças, também percebidas por Eny.
"A cafetina referia-se à mudança dos costumes, inconformada com o grande número de moças que já estavam deitando com os namorados antes do casamento. Para a corretora de amores, ter aquela multidão de clitóris inexperientes como adversários era demais. Um desperdício de moeda. A empresária sabia o valor da matéria-prima dos seus negócios. Com suas meninas em baixa, o mercado desvalorizado, não restava mais nada a fazer senão falir com dignidade e um gole de esperança. Daria o que ainda resta do meu decadente patrimônio pela virgindade das donzelas, confidenciava ao silêncio. Elas abrem as pernas e eu fecho as portas. Será que o nosso tempo acabou mesmo? Será que minha vó Rosa tinha razão? Que o demônio quer se vingar da gente?". E em suas elucubrações procurava acertar as contas com São Jorge, o santo guerreiro, seu protetor (Página 272).
E, do último capítulo, uma frase síntese do tamanho da generosidade de Eny: "Eu sempre ajudei os coitadinhos, posso perder meu patrimônio, minha saúde, mas nunca o meu sentimento de solidariedade" (Página 283). A trajetória de Eny é contada ao longo de 21 capítulos, distribuídos ao longo de 292 páginas. Para corroborar a presença das análises de conjuntura política e cultural da época, ao final existem até as referências bibliográficas utilizadas.
Mauro Rasi, dramaturgo natural de Bauru, ocupa a orelha da contracapa do livro: "A Casa da Eny foi uma referência da cidade, quase tão famosa quanto o sanduíche. No tempo dos viajantes, era só falar de Bauru que se pensava em sacanagem. Até poucos anos atrás a associação era imediata. Devemos isso a ela. Mas naqueles pudicos anos, quando ia com minha mãe ao Mercado Municipal e éramos obrigados a cruzar a rua do pecado, como era conhecida a famosíssima rua Costa Ribeiro, ou 'aquela rua', como diziam lá em casa, mamãe me fazia baixar a cabeça. Deste modo, fiquei com a visão impressionista da zona do meretrício. Formas difusas, cores fugidias e muita imaginação. Devo ter sido uma das raras pessoas que foram à zona com a mente e não com o corpo. Eny nos faz ter saudade do pecado".
E como começamos com Fernando Morais, vamos também encerrar com ele. Da contracapa, a sua recomendação: "Prepare-se para levar um banho de beleza, de história e de maravilhosa literatura". E eu acabo de sair desse banho.
terça-feira, 26 de maio de 2026
A SANGUE FRIO. Truman Capote.
quarta-feira, 20 de maio de 2026
LULA - Biografia. Volume 2. Fernando Morais.
Um presente valioso. Mal e mal fiquei sabendo que o volume número 2 da biografia de Lula acabava de ser lançado, recebo um telefonema, me perguntando se eu já o havia comprado. Como disse que não, veio o pedido para não comprá-lo, que eu iria ganhá-lo de presente. Coisas da minha maravilhosa amiga Suzi. Sem demora recebi Lula - biografia. Volume 2, de autoria de seu consagrado biógrafo Fernando Morais. O Brasil está muito bem de biógrafos.
Lula - biografia. Volume 2. Fernando Morais. Companhia das Letras. 2026.
Como recentemente li a biografia de Castello Branco, de autoria de outro grande biógrafo, o Lira Neto, (Também autor dos três maravilhosos volumes sobre Getúlio), me veio a tentação de fazer uma comparação. Resultado: Empate. Estava maravilhado com a aula de história do Brasil dada pelo Lira Neto com a biografia do Castello, riquíssima em análise de conjuntura de época. Mas agora, com o término da leitura da biografia do Lula, também riquíssima em detalhes de bastidores, além de precisas análises conjunturais, é que eu optei pelo empate, ou melhor, pela vitória dos dois.
O primeiro volume de Lula, lançado em 2021, não obedeceu ao ritmo normal de uma biografia, começando pela infância, anos de formação e primeiras atividades que lhe deram projeção. Começou pelos movimentos mais recentes de sua vida, pela sua prisão e exclusão do processo eleitoral de 2018, por obra da nefasta ação em dupla de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol. Dobradinha entre acusador e juiz. O movimento se tronou conhecido como Lava-jato, ou República de Curitiba. Apenas após a narrativa desses absurdos, é que começa a história da infância do filho de Dona Lindu, de sua vida de retirante, vindo para São Paulo, onde mais tarde o veríamos ascender como líder sindical e dar os seus primeiros passos na vida política. Apenas lembrando que em 2021 Lula foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal de todas as acusações de que fora vítima. Enquanto isso, a dupla Moro e Deltan continuam atormentando a vida política dos paranaenses.
Feita essa digressão vamos ao segundo volume. O seu teor abrange um dos momentos mais bonitos de nossa história, o período da saída dos intermináveis 21 anos da ditadura militar e o florescer dos maiores movimentos de participação popular, com a redemocratização. Por ela passamos pelo movimento em favor das eleições diretas - Eu quero votar para presidente -, pelo movimento em favor da anistia e da constituinte e do retorno das eleições diretas para presidente da República. Água nova brotando e inúmeras novas demandas da democracia encontraram espaço de manifestação e realização. Demandas reprimidas, feito água caçando jeito, para usar a bela expressão do nosso querido poeta Manoel de Barros. E Lula, em todos esses movimentos, sempre protagonista. Este segundo volume termina com a sua eleição em 2002, o primeiro operário a ocupar a Presidência do Brasil.
O próprio Fernando de Morais conta o teor deste segundo volume, ao seu final: "Neste segundo tomo eu reencontro Lula já refeito de sua primeira derrota, como candidato a governador de São Paulo, em 1982. Este volume acompanha os bastidores de sua trajetória na campanha das Diretas Já, a retumbante eleição para Constituinte e as Caravanas da Cidadania, em que ele esquadrinha o Brasil de cima a baixo. Trata também das três derrotas nas frustradas campanhas presidenciais, sua tentativa de aliança com o PSDB, na eleição presidencial de 1994, e encerra com o coroamento de sua carreira, na vitória para a Presidência da República de 2002".
O grande valor do livro está na narrativa dos bastidores, nos detalhes que não foram suprimidos, no cotidiano de uma pessoa viva e ativa participante dos fatos, assumindo postura e compromissos sem jamais se omitir. Responsabilidades enormes. O livro é de fácil compreensão por um motivo muito simples. É a narrativa de fatos contemporâneos. Eu pessoalmente, vivenciei esses fatos. Participei de todos esses movimentos. Em Umuarama, lembro perfeitamente da campanha pelas Diretas Já, da Constituinte (Junto com a companheirada da APP, estive três vezes em Brasília), dos comícios pró-Lula, de 1989, dos cara-pintadas e do Fora Collor. Naquele tempo já havia muito ódio contra Lula, um operário querendo disputar um lugar, sempre de exclusiva competência da classe patronal. Nesse tempo eu exercia funções de direção sindical, de direção no Partido dos Trabalhadores, de formação de quadros do PT na escola de Cajamar e na participação do processo eleitoral de 1990, como candidato a deputado federal, na única certeza de ajudar a somar votos para a bancada do PT. Em 1990 o Paraná elegeu três deputados federais: Edésio Passos, Paulo Bernardo e Nedson Nicheletti. Neste micromundo também fui um pouco protagonista. Com a leitura consegui me situar melhor no meu próprio mundo. E isso foi maravilhoso.
O capítulo que mais profundamente me marcou foi de número dez - Lula roda 30 mil quilômetros para fazer um doutorado sobre o Brasil profundo -. É o capítulo da primeira das Caravanas da Cidadania, na qual ele reproduz o seu caminho de retirante nordestino para o sudeste brasileiro, caminho percorrido por tantos outros brasileiros, em busca de trabalho e um pouco de dignidade humana em centros mais desenvolvidos, que, mais cedo que outras, receberam os investimentos do Estado. Essa caravana deve ter contribuído em muito na formação de toda a sensibilidade social da qual Lula é dotado. Não tem como ficar indiferente a tanta miséria sentida por Lula, na repetição de sua trajetória de vida.
O livro, ao todo, contem 333 páginas, divididas em 14 capítulos. E, reforçado pela leitura da trajetória nada fácil da vida do Lula, de suas dificuldades e de seus êxitos, me confesso reconfortado e animado para mais uma batalha, a batalha deste ano de 2026. É luta por democracia. É luta por civilização. É luta por direitos e dignidade. É luta por humanidade. Vamos continuar construindo o terceiro volume da biografia do maior personagem contemporâneo de nossa história. Concluo como Fernando Morais termina este segundo volume, citando Gilberto Freyre, diante das transformações brasileiras de 1930. Não estranhem:
Eu ouço as vozes
Eu vejo as cores
Eu sinto os passos
De outro Brasil que vem aí.
Este verso motivou a campanha de 2002 - (Duda Mendonça) da Esperança vencendo o medo.
E o post do volume I.
http://www.blogdopedroeloi.com.br/2023/02/lula-biografia-fernando-morais.html
terça-feira, 12 de maio de 2026
CHINA - O socialismo do século XXI. Elias Jabbour e Alberto Gabriele.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Memórias do cárcere. Graciliano Ramos.
Uma antiga dívida ou um grave déficit em minhas leituras. Conheço razoavelmente bem o escritor Graciliano Ramos, mas ainda não tinha lido a sua grande obra - Memórias do cárcere. Como já relatei em post anterior, no dia 11 de fevereiro de 2026 fiz uma cirurgia de prótese de quadril, uma cirurgia que exige um longo tempo de recuperação. Me preparei para enfrentar esse período com a compra de alguns livros. Entre eles figurava o livro de Graciliano em que ele relata os horrores da prisão, de um período conturbado de nossa história, ainda mais, quando não se sabia exatamente o teor da acusação que pesava contra ele. Os conturbados tempos da ditadura de Getúlio Vargas, do Estado Novo.
Memórias do cárcere. Graciliano Ramos. Record. 2025.Na memorável biografia do escritor, de autoria de Dênis de Moraes, ele cogita sobre as possíveis motivações: "Ignoro as razões por que me tornei indesejável em minha terra. Acho, porém, que lá cometi um erro: encontrei 20 mil crianças nas escolas e em três anos coloquei nelas 50 mil, o que produziu celeuma. Os professores ficaram descontentes, creio eu. E o pior é que se matricularam nos grupos da capital muitos negrinhos. Não sei bem se pratiquei outras iniquidades. É possível. Afinal o prejuízo foi pequeno, e lá naturalmente acharam meio de restabelecer a ordem". Sobre ele pairava a genérica acusação de ser comunista, pecha aplicada a todos os intelectuais que confrontavam a ordem, a ordem estabelecida.
A prisão ocorreu em março de 1936 e perdurou até janeiro de 1937. Ocorreu após o levante comunista de 1935. O livro acima de tudo é uma grave denúncia desse período em que se cometeram todo o tipo de atrocidades e arbitrariedades. E eu lamento dizer, um período um tanto esquecido de nossa história. O livro de 685 páginas, é dividido em quatro partes, a saber: Parte I. Viagens (ela contém, como afirma o título, as viagens que ele foi obrigado a fazer, já a partir de sua prisão, em Maceió, donde foi levado até Recife e de Recife, em navio, até o Rio de Janeiro. Essa viagem de navio é constituída por páginas que figuram entre as mais horrorosas do livro. Um verdadeiro navio negreiro, lembrando o tempo do tráfico negreiro).
Parte II. Pavilhão dos primários. (Aí está relatada a chegada ao Rio de Janeiro e os tempos em que aguardavam julgamento. Um tempo de indefinições e o grande temor de que o pior pudesse acontecer. Serem levados para a Colônia Correcional, na Ilha Grande, onde os presos políticos teriam que conviver com os presos comuns, criminosos dos mais diversos matizes. Com certeza, os momentos mais angustiantes desse período de prisão). Parte III. Colônia Correcional. (Na Ilha Grande. Aumentam os sofrimentos em que se somam os tormentos psicológicos com as dores do sistema prisional. Ao final são devolvidos à cidade do Rio de Janeiro).
Parte IV. Casa de correção. (São devolvidos ao Rio de Janeiro, no mesmo local da prisão anterior. Nesse período recebe, na prisão, a visita do advogado Sobral Pinto, que assume a sua defesa. A situação melhora, prenunciando os tempos da volta da liberdade. Nunca sofreu qualquer tipo de acusação formal). Para melhor entender o valor da obra, além da denúncia do sistema penal e dos sofrimentos psicológicos a que um preso, ainda mais quando inocente, é submetido é importante analisar o perfil psicológico do escritor, que por certo em muito lhe agravou o sofrimento. Vamos buscar esse perfil, na já mencionada biografia de Dênis Carvalho:
"Casmurro ou cordial, arredio ou língua solta movida à cachaça, irritadiço ou afável - o velho Graça talvez tenha sido um pouco de tudo isso. Importam menos a fisionomia austera, os gestos contidos, as palavras ao sabor do humor. Protegia-se com a casca, feito um caracol. O segredo para descobrir o âmago de seu coração era remover a armadura, flagrá-lo desprevenido em seus afetos, nunca fugindo às dúvidas". Vejamos um pouco mais:
Dênis deixa a palavra aberta para que Jorge Amado também pudesse caracterizá-lo: "Graciliano parecia seco e difícil, diziam-no pessimista; era terno e solidário, acreditava no homem e no futuro". E o biógrafo arremata: "Permanecem vivos entre nós o ser humano alinhado aos semelhantes em qualquer circunstância, se fosse o caso em uma cela abjeta e imunda; o militante comunista que sustentou a tensão entre as exigências da lealdade partidária e os seus princípios morais, literários e estéticos; o magnífico escritor de um tempo de conflitos, que acreditou sempre que o homem tudo pode na terra - até mesmo construir a felicidade".
Graciliano, pelo seu Memórias do cárcere e pelo conjunto de sua obra é comparado a escritores do nível de um Dostoievski ou Tolstói, comparações que lhe fazem absoluta justiça. No caso das memórias, também me veio à lembrança de Kafka e os meandros de seu O processo. Defender-se de algo sem saber os motivos que levaram à situação vivida. Uma explosão da condição humana, de suas angústias mais profundas.
Para uma melhor aproximação deixo, da orelha da contracapa, a parte referente à obra: "Em março de 1936 é preso, em Maceió, sem culpa formada, sob a alegação de que seria comunista. Passa por várias prisões, em Maceió e Recife. Segue no porão de um navio para o Rio de Janeiro, onde fica quase um ano na cadeia. Diz em uma carta à mulher: 'Estou resolvido a não me defender. Defender-me de quê? Tudo é comédia e de qualquer maneira eu seria um péssimo ator'. Em agosto, ainda na prisão, publica o romance Angústia. Ao sair, vai morar no Rio de Janeiro com a família. Inicia a publicação de alguns contos no jornal argentino La Prensa, entre eles o texto 'Baleia', que faria parte da edição de Vidas secas, publicado em 1938.
Ao completar 50 anos, recebe o prêmio Felipe de Oliveira pelo conjunto de sua obra. Em 1945, filia-se ao Partido Comunista, a convite de Luís Carlos Prestes, e lança Infância. Dois anos depois, sai do prelo seu sexto livro: Insônia. Em 1952, viaja com a mulher, Heloísa, à União Soviética, e as impressões dessa viagem são reunidas em livro póstumo. Sua saúde se agrava no decorrer desse ano. Em setembro é operado sem sucesso e em janeiro do ano seguinte é internado. Morre no dia 20 de março, pela manhã. No mesmo ano, é publicado postumamente Memórias do cárcere".
E uma explicação necessária. O livro está inconcluso. Lhe falta um quinto capítulo. O filho, Ricardo Ramos explica: "Faltava apenas um capítulo destas memórias, quando morreu Graciliano Ramos. Escrevera todos os volumes em trabalho contínuo, lento é verdade, mas sem interrupções. Uma viagem ao estrangeiro, no entanto, ofereceu-lhe o suficiente para um novo livro, um livro que o interessou e o fez abandonar - por algum tempo, supunha, - a obra quase terminada. Já doente, registrando com dificuldade as impressões que os países visitados lhe haviam deixado, não tentou concluir suas memórias do cárcere. E se às vezes procurávamos lembrar-lhe esse fato, respondia: Não há problema. É tarefa de uma semana".
E o que conteria esse capítulo? Ricardo Ramos também nos dá a resposta: "Sensações da liberdade. A saída, uns restos de prisão a acompanhá-lo em ruas quase estranhas". Na contracapa lemos um trecho de suas memórias. Vamos a uma pequena amostra de sua escrita: "Indivíduos tímidos, preguiçosos, inquietos, de vontade fraca habituam-se ao cárcere. Eu, que não gosto de andar, nunca vejo a paisagem, passo horas fabricando miudezas, embrenhando-me em caraminholas, porque não haveria de acostumar-me também? Não seria mau que achassem nos meus atos algum, involuntário, digno de pena. É desagradável representarmos o papel de vítima. - Coitado!
É degradante. Demais estaria eu certo de não haver cometido falta grave? Efetivamente não tinha lembrança, mas ambicionara com fúria ver a desgraça do capitalismo, pregara-lhe alfinetes, únicas armas disponíveis, via com satisfação os muros pichados, aceitava as opiniões do Jacob. Isso constituiria um libelo mesquinho, que testemunhas falsas ampliariam. Tinha o direito de insurgir-me contra os depoimentos venenosos? De forma nenhuma. Não há nada mais precário que a justiça. E se quisessem transformar em obras meus pensamentos, descobririam com facilidade matéria para condenação". Para ser acusado de comunista basta lutar pelos ideais de igualdade e de justiça social. Deixo ainda o post da biografia de Graciliano, a de Dênis de Moraes, a qual já nos referimos.
http://www.blogdopedroeloi.com.br/2013/12/o-velho-graca-uma-biografia-de.html
sexta-feira, 1 de maio de 2026
A milésima segunda noite da Avenida Paulista. Joel Silveira.
sexta-feira, 24 de abril de 2026
1964. A conquista do Estado. Ação política, poder e golpe de classe. René Armand Dreifuss.
sexta-feira, 17 de abril de 2026
CASTELLO. A marcha para a ditadura. Lira Neto.
Passei por alguns contratempos. Cirurgia marcada para o dia 11 de fevereiro de 2026. A cirurgia seria simples. Em torno de uma hora e o serviço estaria concretizado. Em contraposição, a recuperação seria lenta, com dias intermináveis. Uma prótese de quadril. Na recuperação, muitas sessões de fisioterapia. A dependência pós cirurgia é quase total. Fiquei amparado na casa do meu filho, o Alexis, aonde permaneci até o dia 6 de abril, quando após uma consulta de revisão médica, retornei para casa e aqui para o meu posto. Tudo transcorreu sem dores. A todos os envolvidos, os meus melhores agradecimentos.
Castello - a marcha para a ditadura. Lira Neto. Companhia das Letras. 2020.
No preparo para a cirurgia e, especialmente para a recuperação, fiz a encomenda de alguns livros. Teriam que ser leituras simples, livros para serem lidos na cama. Eu teria que mudar um velho hábito meu. A leitura acompanhada por um caderno de anotações. O máximo que eu consegui foi o de anotar algumas páginas e o tema abordado. Entre os livros encomendados figuravam: Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos, China - o socialismo do século XXI, de Elias Jabbour e Alberto Gabriele e Castello - a marcha para a ditadura, do grande Lira Neto. Pai Firmino, em visita ao enfermo, ainda me trouxe A milésima segunda noite da Avenida Paulista, de Joel Silveira, o primeiro que eu li. Leitura, por sinal, muito agradável.
Hoje é dia 25 de março, quase um mês e meio após a cirurgia. Terminei a leitura do livro do Lira Neto sobre o primeiro dos ditadores militares, da ditadura civil-militar, implantada no dia 1º de abril de 1964, mais militar do que civil. O golpe aplicado era para ser uma "correção de rumos" e duraria até o final do mandato de João Goulart, o presidente golpeado em razão de seu governo que propunha reformas de base, reformas estas, diga-se de passagem, que ainda estão para serem feitas. A "correção de rumos" visava exatamente impedir que estas reformas fossem transformadas em realidade. Esta é a centralidade da monumental obra de Lira Neto datada de 2004 e reeditada em 2019.
Recentemente li o livro do historiador Carlos Fico - Utopia autoritária brasileira - Como os militares ameaçam a democracia brasileira desde o nascimento da República até hoje. O livro, como vemos no subtítulo, mostra o comportamento dos militares ao longo de toda a história política brasileira. Uma espécie de missão salvífica paira no ar ao longo de toda esta história. Ela tem um passado que nos remete à Guerra do Paraguai e à Proclamação da República. Trago esta lembrança para chamar a atenção da primeira página que eu anotei, a página 77. Junto a ela eu anotei - Os tenentes - salvadores da pátria. Eis o texto: "Os conspiradores (os tenentes), que não tinham programa de governo elaborado ou mesmo manifestos políticos definidos, eram movidos pela ideia comum de que caberia aos militares a missão natural de "guardiões" das instituições nacionais. Consideravam que os destinos do país corriam perigo nas mãos dos "paisanos", tidos por eles como uma corja corrupta, movida por interesses pessoais inconfessados. Não hesitaram em assumir eles próprios, os militares, o papel de "salvadores" da Pátria, inaugurando a tradição que irá vigorar nos quartéis ao longo de toda a história republicana brasileira e, mais tarde, irá desaguar no golpe de abril de 1964". Página 77.
Lembrando que o tenentismo foi um movimento da década de 1920, 1922 de modo particular, que visava derrubar o presidente Epitácio Pessoa e impedir a posse do presidente eleito, Arthur Bernardes. Entre os tenentes figuravam nomes como Juarez Távora, Eduardo Gomes, Siqueira Campos, nomes que, por muitos anos continuariam presentes como protagonistas na nossa política. A frase citada já faz parte do tempo da biografia de Castello, quando o encontramos como um jovem tenente de 25 anos no 12º Regimento sediado em Belo Horizonte. O capítulo em que encontramos a citação tem por título - um tenente contra os tenentes. Mas o fato de ser contra não significou um ato de despolitização do futuro ditador, de não sentir o gosto pela política. Castello nasceu em Fortaleza em 1897 e morreu no dia 18 de julho de 1967, em acidente aéreo, nas proximidades de Fortaleza. Exerceu o poder entre 15 de abril de 1964 e 15 de março de 1967.
O livro de Lira Neto, o seu primeiro livro biográfico, passa longe de ser a obra de um iniciante. Ele é profundo e meticuloso e extremamente abrangente, envolvendo a estrutura e a conjuntura brasileira e mundial de toda um época, como deu para perceber com a nota acima citada, dentro do contexto de nossa República Velha. O livro tem 460 páginas, que, para serem lidas, precisam praticamente ser acompanhadas por uma lente de aumento das letrinhas. A vida de Castello é bastante conhecida, mas não os seus bastidores. Por isso antes de dar uma visão geral do livro, vou me ater a fatos que mais de perto mereceram a minha atenção.
Primeiramente quero destacar a enorme rede de picuinhas e intrigas da vida da caserna. Ciumeiras nas promoções, artimanhas nas transferências de quartéis e nas posições e postos estratégicos de comando. Inúmera páginas são dedicadas às intrigas entre ele, Castello, e o seu arqui-inimigo Costa e Silva. Nesse sentido merece especial atenção a disputa entre os dois pelo comando do processo "revolucionário". É uma luta entre os considerados "moderados" (Castello, Geisel) e os da "linha dura" (Costa e Silva, Médici). Por que atento para isso? Porque é um fato que permanece em nossa história. Basta lembrar o voto do então deputado Jair Bolsonaro, proferido na votação do impeachment da presidente Dilma, junto com uma homenagem ao famoso torturador da "linha dura", Carlos Brilhante Ustra. Esta divisão no exército tem raízes profundas.
O livro passa pela visão das entranhas do governo daquele que pretendia apenas concluir o mandato do presidente deposto, João Goulart, mas, que na verdade, abriu o caminho para A marcha para a ditadura. Castello abriu, pelos Atos Institucionais, o caminho para os militares da "linha dura", ou melhor, para Costa e Silva, para o AI-5 e para os "anos de chumbo", como o período ficou caracterizado em nossa história. Castello pavimentou o caminho para A marcha para a ditadura para, como lemos no epílogo do livro, em seu penúltimo parágrafo: "De 1964 a 1985, os generais ficaram 21 anos à frente do poder. Deixaram um saldo de cerca de 10 mil exilados, 7.387 acusações formalizadas por subversão; 4.682 cassados e cerca de 300 mortos e desaparecidos". Página 428.
Também não poderia deixar passar em branco o fato da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, nas campanhas da Itália, na tomada de Monte Castelo. Castello era um dos protagonistas brasileiros dessa expedição, de tanto heroísmo, como lemos nos livros de nossa história oficial, que, no entanto, teve inúmeras trapalhadas. Mas a minha atenção ao capítulo se dá por um outro motivo. Lutamos sob o comando do exército dos Estados Unidos, em uma aproximação dos comandantes dos dois exércitos. Essa aproximação será decisiva nos anos posteriores à Guerra. Os anos da Bipolaridade do mundo e da Guerra Fria. Como consequência dessa aproximação surge a Escola Superior de Guerra e a doutrina da Ideologia da Segurança Nacional. Esta doutrina, somada ao IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) e ao IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), órgãos da sociedade civil, foram fundamentos na formação da Opinião Pública favorável ao golpe. Também as medidas econômicas merecem um merecido destaque, como a desnacionalização da economia e a política de concentração de rendas.
Mas vamos à estrutura do livro: são nove capítulos, prefácio, prólogo e epílogo. Os capítulos tem por título passagens do hino nacional, em interação com o fato histórico abordado. Os capítulos são: Capítulo I. "As margens plácidas": infância e juventude (1897-1922); Capítulo II. "Um povo heroico": A rebeldia nos quartéis (1922-38); Capítulo III. "Filho teu não foge à luta": O Brasil e a Segunda Guerra Mundial (1939-45); Capítulo IV. "O sol da Liberdade": O frágil interlúdio democrático (1945-63); Capítulo V. "A Terra desce": O golpe contra a democracia (1963-64); Capítulo VI. "A clava forte": Os miliares no poder (1964-65); Capítulo VII. "És tu Brasil": À sombra da linha dura (1965); Capítulo VIII: "Entre outros mil": A Batalha da sucessão (1966-67). Capítulo IX. "À luz do céu profundo: A morte veio do ar (1967).
Vamos ainda à contracapa, uma parte do prefácio de Heloísa Starling: "Primeiro presidente da ditadura instaurada em 1964, Humberto de Alencar Castello Branco é um personagem-chave da história do Brasil contemporâneo. Seu curto mandato ainda hoje enseja reavaliações e revisionismos. Exercendo com habilidade e discrição o poder quase absoluto, Castello lançou as bases do regime de força que atormentou o país durante duas décadas. Ora visto como monstruoso e implacável, ora como tolerante e sensato, o estrategista do golpe civil-militar continua a levantar polêmicas, mas, contraditoriamente, sua trajetória tem sido pouco estudada. Em sua primeira grande biografia, agora em nova edição, Lira Neto apresenta uma visão abrangente e equilibrada sobre o homem, o militar e o político, munido da mais completa documentação já reunida sobre Castello. O autor da chamada trilogia Getúlio investiga em profundidade a vida e as lutas do general franzino que, sem disparar um tiro, derrotou inimigos e aliados na guerra sem quartel pelo poder máximo da República".
Deixo ainda dois posts, relacionados com o período do golpe: A Ideologia da Segurança Nacional e sobre as reformas de base do governo de João Goulart.
http://www.blogdopedroeloi.com.br/2020/11/a-ideologia-da-seguranca-nacional-padre.html e
http://www.blogdopedroeloi.com.br/2017/01/jango-conversa-com-joao-vicente-12-1.html









