Amazônia. Este post já estava pronto, mas o modifico com esta introdução sobre um retrato da Amazônia. Este retrato é retirado do livro, também ele uma consequência da viagem, Rebelião na Amazônia - Cabanagem, raça e cultura popular no norte do Brasil, 1798-1840, de autoria de Mark Harris. É a abertura do segundo capítulo, - A vida no rio. Primeiramente uma citação, uma espécie de epígrafe:
"O terreno é todo coberto por uma mata impenetrável; as casas e os povoados ficam à beira d'água, e praticamente toda a comunicação é feita por via fluvial. Essa vida semi-aquática é uma das características mais interessantes da região. [...] Os nativos da região são todos fabricantes de barcos. Os brancos residentes no lugar logo verificam que o índio é um carpinteiro nato. Causa espanto ver as frágeis embarcações em que eles enfrentam caudalosas correntes. [...] Eles se mostram particularmente prudentes, quando transportam estrangeiros, e os viajantes portugueses e brasileiros já estão acostumados a deixar o manejo do barco inteiramente por sua conta". Henry Walter Bates, Um naturalista no rio Amazonas.
Agora vamos ao texto introdutório do autor: "Central em qualquer retrato da Amazônia, é o sistema fluvial por si só. Os rios não apenas proveem comida e água; o fato de viver ao longo dos rios, e com eles, dá forma à vida e provoca a imaginação de ambos, residentes e visitantes. No século XVII, novas práticas, tecnologias e percepções associadas à rede dos rios emergiram como parte do regime colonial. A abertura dos portos do Atlântico ao comércio exterior, em 1808, trouxe outras influências, como a escuna a vela rápida, mercadores estrangeiros e suas finas mercadorias, embora não o livre movimento de embarcações estrangeiras nas águas amazônicas, o que só veio a ocorrer após 1867. Somente a construção de estradas, que se iniciou no final da década de 1950, na abertura da rodovia Belém-Brasília, a predominância do modo de vida ribeirinho veio a ser desafiada, e a floresta, por sua vez, ameaçada. No entanto, ainda hoje, muitos rios permanecem a mais importante fonte de nutrição, renda e meio de transporte. Um pescador de Óbidos me disse, em 1993, que seu bem-estar provinha de beber água, diretamente, do rio Amazonas, enquanto as pessoas de classe alta, na cidade, que não o faziam, eram fracas e sofriam de todos os tipos de doenças. Do mesmo modo, moradores ribeirinhos preferem a canoa, para viajar, em vez de caminhar" (Página 49).
Um amanhecer na Amazônia.
Agora vamos ao Post, que já estava pronto.
Em uma roda de conversa ao longo de um almoço, decidimos, o meu amigo Valdemar e eu, empreender mais uma viagem. O mote seria a festa do Sairé, realizada em Alter do Chão, um distrito da cidade de Santarém, na foz do rio Tapajós, entre os dias 17 e 21 de setembro de 2026. A festa do Sairé é uma festa indígena de mais de trezentos anos de tradição. Ela sofreu adaptações religiosas, introduzidas pelos padres jesuítas. Mais adiante falaremos mais detalhadamente sobre essa festa que reúne multidões. Alter do Chão está se transformando num novo polo turístico brasileiro e mundial, devido à beleza de suas praias que receberam a denominação de Caribe brasileiro.
Livro sobre o encanto dos botos e a festa do Sairé, que comprei em Alter do Chão.Sugeri que nessa viagem incluíssem uma ida a Belém, numa viagem de barco, uma odisseia à parte. Uma viagem pelo rio Amazonas com duração de praticamente sessenta horas em condições bastante precárias. Então vamos à logística dessa viagem. Hoje é fácil chegar a Santarém. Existem voos a partir de Brasília e Belo Horizonte, além das tradicionais ligações com Manaus e Belém. O nosso voo foi por Brasília. Santarém, pelo censo do IBGE, de 2022 possui 331.937 habitantes mas a estimativa atual já ultrapassa os 360.000 habitantes. A fundação da cidade data de 1661. É a terceira maior cidade do Pará (superada por Belém e Ananideua) e grande polo econômico, com destaque para o seu porto, pelo qual se escoam os produtos da agricultura comercial do Mato Grosso. É a sede da UFOPA, a Universidade Federal do Oeste do Pará, fundada em 2009, sob o governo do presidente LULA, a primeira no interior da Amazônia. Uma cidade de um futuro muito promissor. Sobre ela também falaremos mais. Comprei vários livros sobre o seu histórico.
Alter do Chão é um pedaço do paraíso. Seu maior atrativo são as suas praias de areias branquíssimas e de águas limpíssimas e cristalinas do rio Tapajós. Elas receberam a denominação de Caribe Brasileiro ou Caribe Amazônico. Alter do Chão é um distrito administrativo de Santarém, 37 quilômetros distante da cidade, com ligação por estrada asfaltada e com cerca de sete mil habitantes. Conta com boa infraestrutura turística. A grande festa da cidade é o Çairé (designação indígena) ou Sairé, uma festa, como vimos, de mais de trezentos anos de tradição. A cidade tem uma estrutura permanente para a realização da festa. A Praça e o Barracão do Sairé e o Lago dos Botos. Nesse lago se dá a disputa entre os dois botos tradicionais da cidade. O Tucuxi e o Cor de Rosa e é uma das principais atrações da festa do Sairé. Mas a festa em si, é de tradição religiosa, como veremos em post especial sobre a festa. Ali próximo se situa Belterra, a cidade onde se fez a experiência da cultura das seringueiras. A Fordlândia também fica na região, mas bem mais para o interior.
A viagem de barco de Santarém a Belém, foi um misto de maravilhoso e horrível. Maravilhoso pelo encanto do rio Amazonas e horrível pelas condições do barco. Um verdadeiro horror. É a forma mais econômica de viajar. Você também pode ir de avião ou de ônibus. Existe a ligação por estradas asfaltadas. A distância em linha reta é em torno de 700 quilômetros e por estrada, dependendo do roteiro, entre 1.200 e 1.400 quilômetros. A viagem de barco demora entre dois e três dias, 55 horas quando tudo transcorre normalmente. Você viaja pelo rio Amazonas, pelo canal de Breves e pela Baía de Marajó. O espírito de aventura nos levou ao barco. Infelizmente não temos a mínima condição de recomendar essa viagem para ninguém. Outras pessoas viajaram em barcos em melhores condições. O barco transporta, tanto mercadorias, quanto pessoas. Passa pelas cidades ribeirinhas de Monte Alegre (65.012 habitantes), Prainha (35.577 habitantes), Almeirim (34.280 habitantes), Gurupá (31.786 habitantes) e Breves (106.968 habitantes), a principal cidade da Ilha do Marajó. Tenho histórias dessa viagem para contar. Pelo que vimos, uma das principais mercadorias transportadas é a canoa.
O destino final foi a cidade de Belém. Um imenso alívio ao final da viagem. Belém é um encanto de cidade. Tem mais de 1.300.000 habitantes e a grande Belém, mais de 2.000.000, incluindo Ananindeua, a segunda cidade do estado. Belém é um agito só. Econômico, social, cultural, religioso... Culturalmente se destacam os inúmeros locais públicos com muita música e dança. Religiosamente temos a fé infinita na Nossa Senhora de Nazaré, a padroeira do Estado e foi também a porta de entrada no Brasil de religiões neopentecostais como o caso específico da Assembleia de Deus., no tempo de aflições da crise da borracha. E a culinária então. A onipresença dos peixes dos rios amazônicos e do jambu como tempero e cachaça. A cidade está rodeada de 42 ilhas fluviais com as suas tradicionais populações ribeirinhas. Um amor de cidade, de um povo acolhedor e hospitaleiro. Eu já estive na cidade no ano de 1972, integrando o Projeto Rondon. Acho que reconheci apenas as mangueiras, onipresentes nas ruas da cidade.
Vou continuar escrevendo sobre a viagem, sobre a cidade Santarém, sobre Alter do Chão, de suas magnificas praias e a sua fantástica festa do Sairé, sobre as peripécias da viagem de barco - de Santarém a Belém e sobre a cidade de Belém. E do Pará, vou relatar os fatos históricos de sua maior rebelião, a Cabanagem. Comprei o livro Rebelião na Amazônia - Cabanagem, raça e cultura popular no norte do Brasil, 1789 -1840, de Mark Harris. Também comprei livros sobre a história de Santarém, sobre a festa do Sairé e sobre a história do Pará. Pelo jeito continuarei viajando por um bom tempo.
Como tenho a resenha do livro do histórico da vinda a Belém da Assembleia de Deus, deixo aqui a resenha.
http://www.blogdopedroeloi.com.br/2025/04/a-praga-do-para-origens-e-crescimento.html

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