sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Django Livre. - Quantos prêmios irá levar?

Quarta feira, 23 de janeiro, foi o dia escolhido para ver Django Livre. Com esse filme inicio um tour para ver os principais filmes indicados para o Oscar de 2013. Amor, de Michael Haneke, diretor do inesquecível  A Fita Branca e - Lincoln, de Steven Spielberg serão os próximos. Já tinha assistido antes a Argo e lamento profundamente que Os Intocáveis não conste de nenhuma indicação.
O cartaz de Django Livre, do AdoroCinema.

Django Livre gira em torno do tema da escravidão e o cenário dessa trama será o sul dos Estados Unidos. Dois dos principais personagens já aparecem nas cenas iniciais do filme: o alemão Dr. Schultz (Christopher Waltz - globo de ouro como melhor ator coadjuvante), um dentista caçador de recompensas, aparece em seu trabalho, se defrontando com traficantes de escravos, que tem as cabeças a prêmio. Um dos escravos, Django, é libertado e recebe a proposta de ser uma espécie de sócio do Dr. Schultz. Lhe agrada o papel de matar brancos e ainda ser recompensado por esse trabalho.

Nas conversas entre o dentista (é espetacular a sua carroça, com o dente) e o escravo liberto emerge a mitologia alemã. A esposa de Django se chama de Brunhilde e fora escrava em casa de alemães, sabendo inclusive falar alemão. Brunhilde e Siegfried são personagens permanentes desta mitologia, tão presentes nas óperas de Wagner. Da busca de Siegfried por Brunhilde, por analogia, Django estará atrás de sua Brunhilde, em versão de escravos negros. Tarantino gosta de subverter a história. Um Faroeste com herói negro.
Django Livre : foto Christoph Waltz, Jamie Foxx
O Dr. Schultz e Django, juntos. Foto de AdoroCinema.

O Dr. Schultz, já em sociedade com Django, primeiramente irão acertar contas com Calvin Candie, um latifundiário e escravocrata dos maiores. Neste momento são introduzidos no filme outros dois personagens notáveis. Calvin (Leonardo DiCaprio) e Stephen (Samuel Jackson). Calvin é o vilão, símbolo da decadência provocada pela escravidão. O seu divertimento preferido é o de assistir lutas entre humanos, até a morte de um dos contendores. O outro vilão é um negro caseiro, que cumpre importante papel na dominação sobre a sua raça, a raça negra. Mostra inclusive uma inteligência superior a de Candie, o vilão branco. Cenas horrorosas, mas em nada supérfluas. Os diálogos entre o Dr. Schultz e Candie são notáveis. É o momento do filme em que ocorrem as cenas de maior violência. DiCaprio, em entrevistas, declarou até um certo constrangimento em fazer o papel, exigindo, inclusive algumas mudanças.
Leonardo DiCaprio, como o vilão, símbolo da decadência sulista, Calvin Candie. Foto: AdoroCinema

Existe uma cena anterior, que é de uma ironia memorável. A cena dos encapuzados, numa alusão ao surgimento da Ku Klux Klan. O humor ácido atinge aí um de seus clímax.

Quando Django aparece absolutamente sozinho e irremediavelmente perdido, os dois negros, Django e Stevie, entravam a sua luta. Stevie é uma amostra do que o negro é capaz, contra o seu próprio povo, quando se disputa algum espaço de poder. Mas, como Django é o mocinho deste faroeste, ele obviamente será o vencedor, mas não antes de uma nova sequência de cenas de absoluta violência, aliás uma das marcas registradas de Tarantino. Brunhilde será resgatada.
Django Livre : foto Kerry Washington
A bela Brunhilde negra, a ser ser resgatada pelo Siegfried negro, Django. Foto: AdoroCinema.

Tarantino é um roteirista, diretor e até ator (aparece neste filme com um pequeno e insignificante papel, que logo leva a pior) e, é um homem ainda novo. Ele nasceu em março de 1963, estando portanto, agora com 49 anos, o que significa que ainda teremos muito Tarantino em nossos cinemas. O seu envolvimento com o cinema começa muito cedo, quando aos dois anos a sua família se muda do Tenesse, onde nasceu, para Los Angeles. Desde cedo é habitual frequentador das sessões de cinema. Um de seus primeiros empregos na vida foi trabalhar numa famosa locadora de filmes em Manhatan Beach, sendo balconista na vídeo Archives. É o seu contato vivo com o cinema.

Como profissional se destaca desde cedo como roteirista e todos facilmente percebem o seu conhecimento enciclopédico (Veja em Django a relação com a mitologia e a referência a D'Artagnan, personagem de Alexandre Dumas) e a notabilidade de seus diálogos. A fama já lhe vem nos anos 90 e se consagra, especialmente, com Os Bastardos Inglórios, de 2009. Certamente estamos agora diante de sua melhor obra.

Tarantino, como diretor deve ser extremamente exigente na formação de seu elenco e deve cobrar uma característica sua, dos atores escolhidos: o absoluto envolvimento com a trama e paixão no empenho, condições sem as quais não se faz um grande filme e um grande cinema.

Ganhará Oscar? Com certeza. Ele deverá repetir o Globo de Ouro como o melhor roteiro. Dê uma olhada nos concorrentes. Neste dá para apostar com firmeza. Também não será nenhuma surpresa se Christopher Waltz repetirá o Oscar de melhor ator coadjuvante, já ganho com Bastardos Inglórios. O resto é aguardar. Não concorre como melhor diretor, nem como a melhor trilha sonora, que é simplesmente memorável. As cinco indicações são:

Melhor filme.
Melhor ator coadjuvante, com Christopher Waltz, no papel de Dr. Schultz.
Melhor roteiro original, do próprio Quentin Tarantino.
Melhor fotografia, com Robert Richardson.
Melhor edição de som.

Se não ganhar nada, o que dificilmente ocorrerá, certamente a causa residirá no tema abordado pelo filme, uma chaga ainda não totalmente cicatrizada na cultura americana, que é a questão da escravidão e a questão racial e, ainda, a forma da abordagem. A ironia é difícil de ser suportada e tolerada. Um grande filme a ser visto e certamente com direito a bis, em tela de cinema.

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