quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Povo Brasileiro 9. - O Brasil Caboclo.

De novo Darcy Ribeiro faz a maior parte dos comentários sobre o mais bonito dos Brasis, o Brasil caboclo, o Brasil  amazônico, das riquezas e dos povos da floresta. Chico continua lendo trechos de Darcy e Aziz Ab'Saber e  Márcio de Souza também comentam e, com raro brilho. Também são lidos textos do padre Vieira e de Rondon. Enquanto isso ao longo de todo o capítulo são mostradas a florestas e os rios, os produtos nativistas e os peixes, bem como manifestações de fé deste Brasil caboclo.
No Brasil mais profundo, encontramos o Brasil Caboclo.

Muitos índios e poucos portugueses, misturados pelos jesuítas, eis a origem do nosso caboclo, que habita no lugar de beleza incomparável, beleza só nossa e de alguns vizinhos, a beleza da Amazônia. O chamado Jardim da Terra, de uma extensão imensa. Lá impera a exuberância e o mistério, o mito das riquezas, do ouro e da prata. Das mulheres guerreiras, de gigantes e de anões, das drogas e das plantas fantásticas. Se eu tivesse que falar da minha terra, diz Aziz Ab'Saber, diria que ela convive com raízes ainda  pré-históricas e que copia o que existe de mais moderno no mundo ocidental. Diria também, em termos de futuro, que temos os maiores recursos hídricos de rios, riachos e igarapés, de rios brancos, negros e violáceos, o maior domínio de natureza tropical e as florestas com a maior biodiversidade da terra. Bela perspectiva.
A exuberância do Brasil caboclo, amazônico. Muito sol, muita água, muita planta. Que biodiversidade!

A chegada dos europeus representou a catástrofe. As doenças que trouxeram entraram no corpo dos índios para dizimá-los. Foi o sarampo, a bexiga, as cáries dentárias, a caxumba e as gripes. todas mataram grande número de índios. Os que sobraram foram transformados em escravos, para a coleta das drogas do sertão, ou então ficaram sob o controle da catequese de jesuítas, carmelitas e franciscanos. O narrador vai lendo texto do padre Vieira, lamentando a morte de dois milhões de índios, em trinta anos. Este caboclos se transformaram em índios genéricos, sem língua própria, sem identidade. Uma enorme massa de índios, de poucos brancos e negros formou uma nova matriz étnica. Falavam o tupi, uma língua estrangeira que lhes foi trazida pelos jesuítas. O português era apenas a segunda língua, que foi se firmando, graças aos esforços, no segundo reinado. Viviam das drogas do sertão e da abundância da natureza, da forma mais rudimentar e primitiva.

A partir de 1880 ocorreu a primeira grande transformação, que marcou o seu maior florescimento econômico. A borracha abriu um ciclo econômico vinculado com a exportação, com a Europa. Para lá é que eram drenados todos os recursos. O seringueiro levava uma vida desgraçada e que conheceu uma nova forma de exploração, o sistema de aviamento. Ele recebia adiantamente as mercadorias que precisava, poucas na verdade: comida, roupas, pólvora,  e pagava depois, mas nunca conseguia pagar. As contas sempre pendiam para um lado só. Manaus transformou-se na capital mundial da borracha e Belém na capital da Amazônia.
O teatro de Manaus, símbolo do fausto da borracha.

Depois da primeira guerra o cenário muda. A Malásia domina o mercado da borracha e aqui ocorre a debandada. Empresários se suicidam, casas e palácios começam a ruir e Manaus, a primeira cidade brasileira a ter telefone, energia elétrica e bondes, na década de cinquenta nem energia elétrica mais tinha. Um novo período de desastres se reabrirá com o projeto dos militares golpistas. Queriam integrar a amazônia, loteando-a para os grandes grupos internacionais. Com a Transamazônica queriam levar a modernidade à região. Mas só inauguraram uma nova via crucis de conflitos agrários e de destruição de áreas indígenas. A desintegração e os conflitos tomam conta da região. A contradição é percebida e os povos da floresta se organizam. A morte de Chico Mendes representa simbolicamente todo este conflito. O narrador lê um texto do marechal Rondon sobre o absurdo do loteamento da Amazônia, um projeto atrasado, lastimoso e vergonhoso. As terras, onde jamais o homem civilizado pôs os pés,  numa inversão monstruosa de ordem tanto moral, quanto racional, passou a ser propriedade privada, para no futuro, ali se promover a expulsão de índios e ainda acusá-los de intrusos, salteadores e ladrões.
Olhem a maravilha! Integração entre o homem e a natureza. Ah! se essa natureza fosse tratada como a Mãe Terra, a Pachamama inca.

Até hoje a civilização se mostrou incapaz de produzir um sistema de viabilidade econômica às condições da floresta tropical. E, enquanto Chico lê, a câmara mostra cenas das consequências, como os misticismos e os trabalhos degradantes. O Brasil precisa vencer o desafio da amazônia e tem que mostrar ao mundo, que nem tudo é mercado e competição e que o índio precisa de medidas especiais de proteção, para que as populações do Brasil Caboclo não sejam reduzidas à condições de vida de extrema pobreza. E Darcy quase chega a nos pregar: lá vive o povo mais culto da terra, o povo mais culto do Brasil. Tem dez mil anos de sabedoria herdada, de convívio com a natureza e de saber sobreviver nela, sem degradá-la. O que não seria de uma economia que incorporasse o cupuaçu, o bacuri e tantas outras frutas numa agricultura organizada. A própria mata se enriqueceria. O que não seriam as fazendas de criação de peixes e de jacarés.O cenário de fundo vai mostrando estas maravilhas.
Escolhi esta foto como símbolo do Jardim da Terra, do qual Darcy fala.

Darcy termina, afirmando que ninguém tem o que nós temos. Imaginem o turismo levando o mundo inteiro para ver as belezas da selva amazônica, e todos andando pelados pelas matas. Temos o maior sol, a maior  floresta e a maior biomassa. O mundo mais rico, o mais exótico e o mais bonito. Temos as eternas promessas do Eldorado Nós temos o Jardim da Terra.
Mais uma foto do Paraíso terrestre, o jardim do Éden, que é a amazônia. O encontro das águas do rio Solimões e do Negro.

Ir a Manaus, Belém também é muito bonita, é um dos maiores encantos que se pode imaginar. Quando a conheci, visitando filho que trabalhou por lá, comprei um álbum, em CD, de 400 fotografias, mostrando paisagem, flora, fauna, folclore, artesanato, etnias, arquitetura e gastronomia. Uma maravilha só. As fotos são de Nelson Jobim e Ana Butel. As quatro últimas fotos são deste álbum.



14 comentários:

  1. excelente texto uma verdadeira beleza natural ricas e que precisamos explorar mais as nossas belezas regionais e nacionais .

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  2. Obrigado pelo seu comentário. Eu tive a oportunidade de conhecer um pouco desta maravilha. Conheci Manaus quando o meu filho trabalhava lá.

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  3. Ótimo texto, Pedro. Não ligue para comentários maldosos. Infelizmente a internet está cheia de gente mal educada. Continue com essas maravilhas. Seus resumos foram muito úteis para mim na faculdade e a obra do Darcy foi um achado. Minha nova paixão.

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  4. Oi Amanda. Toda a obra do Darcy é maravilhosa. Grande cidadão brasileiro. Amanda, eu poderia excluir estes comentários, que nem aquele do Fabiano, mas eu faço questão de publicar para mostrar que existe gente assim. Ele não deve gostar do Darcy Ribeiro. Em compensação existe gente bem educada, como você. Agradeço a sua gentileza.

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  5. Agradeço o seu elogio, Alana. Muito obrigado.

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  6. Bom texto, ajudou muito e foi bem mais fácil de entender a obra,PARABÉNS

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  7. Mesmo sob o anonimato, agradeço e elogioso comentário.

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  8. otimos textos um bom resumao

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  9. Mesmo sob anonimato agradeço o elogio.

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  10. Adorei este texto, assim como todos os outros que tenho lido acerca da obra de Darcy Ribeiro. Parabéns e obrigado por me ajudar com as aulas de História.

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  11. Obrigado pelo seu generoso comentário, Paulo Gabriel. Darcy Ribeiro foi um dos maiores brasileiros que este país conheceu.

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