segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Eric Hobsbawm

Na abertura da página do UOL me deparo com a notícia da morte do talvez, último dos grandes intelectuais do nosso tempo. Encontrei-me com suas obras nos anos 80. Li primeiramente a sua grande trilogia: A Era das Revoluções 1789 - 1848. A Era do Capital 1848- 1875 e a Era dos Impérios 1875 - 1914. Depois, já nos anos 90, Hobsbawm escreveu o quarto livro: A Era dos extremos o breve século XX - 1914-1991. Neste agora quarteto, o autor nos apresenta um panorama da construção do mundo contemporâneo a partir, exatamente de 1789, ou seja, a partir da revolução francesa. Nestes livros apresenta a história da evolução do mundo liberal capitalista em suas diferentes fases, fases estas que estão presentes nos títulos e datas dos próprios livros. A sua fase revolucionária, em que, a partir da revolução francesa vai até a sua consolidação com as revoluções de 1848, quando praticamente toda a Europa aderiu a ordem burguesa. Segue pela Era do Capital, período em que se consolidam as nações e o espírito nacionalista e a formação de uma ideologia burguesa, até chegar a era dos impérios, da afirmação das grandes nações e a sua expansão imperialista que levou o mundo até 1914.
Eric Hobsbawn, um dos maiores intérpretes do século XX.
A Era dos extremos, o breve século XX é uma alusão ao fato de ele ter começado efetivamente com a primeira guerra e ter terminado em 1991, com o fim da União Soviética e do aparente fim do comunismo, como procuraram afirmar os pensadores liberais, que festejaram a data como o verdadeiro fim da história, entendendo-se por isso, que a evolução da história chegou ao seu ponto mais avançado. Reparem bem, estou falando dos pensadores liberais, portanto muito longe da matriz ideológica de Hobsbawm. Hobsbawm ainda escreve Tempos Interessantes - Uma vida no século XX. O motivo principal de ter escrito este livro foi o de reafirmar as suas convicções e crenças no marxismo. O que mais particularmente me impressionou neste livro foi a narrativa em torno dos seus anos de formação.
Durante o tempo do mestrado li também A Invenção das Tradições, escrito com uma série de colaboradores, O interessante deste livro é a rapidez com que se inventaram símbolos e valores burgueses para a nova era em substituição aos velhos símbolos e valores, de um mundo que já se foi. Tradições, nesse sentido, não precisa ser necessariamente uma coisa muito antiga. Elas se formam e bem rapidamente, de acordo com os interesses dominantes.
A sua obra mais marcante, contudo é a sua história do marxismo, uma coleção de muitos volumes, a qual infelizmente eu não cheguei.
Vida longa e densa. O mundo deve fazer poucas e rápidas referências. Não dá espetáculo! Vivemos uma época em que a figura do intelectual lamentavelmente já diz pouco e em que ele é substituído pelo quase vazio do especialista. A visão ampla de mundo está sendo substituída pela visão estreita e interessada de mundo, mais no sentido de manutenção de estruturas do que na sua revolução. Voltarei a este tema, sobre o qual inclusive já escrevi, sobre a função do intelectual.
Rendo a minha homenagem e fico feliz em ter dado a ele, espaços de abertura na minha formação.