quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Os Últimos Dias de Pompéia - Edward Bulwer Lytton.

As poucas vezes que eu tinha ouvido falarde Pompéia, sempre foi num sentido muito negativo. teria sido uma cidade destruída pela ação de um vulcão e que este teria sido acionado por Deus contra esta cidade, por ela levar uma vida absolutamente pecaminosa. A dissolução dos costumes teria sido total e como consequência teve o merecido castigo da justiça divina. Por pecado, a única coisa que a gente entendia por isso, eram aqueles relacionados ao sexo. teria sido uma nova Sodoma e Gomorra.
Como agora acabo de visitar esta maravilha - as ruínasda cidade de Pompéia - fiquei mais curioso ainda. A visita em Pompéia foi feita da melhor maneira possível, isto é, com um guia local fabuloso. Lá comprei também um livro e um DVD sobre a estrutura da antiga cidade. Tudo maravilhoso. Conto no Diário de uma viagem.
Já de volta, procurei comprar o livro Os Últimos Dias de Pompéia, do escritor inglês Edward Bulwer Lytton, pois suspeitava que esse livro teria sido a fonte para toda a difamação. E eu não estava errado. descobri que o autor era além de escritor, um político conservador e que viveu uma vida perturbada, em todos os sentidos. Viveu no século XIX, entrre 1803 e 1873. Está enterrado na abadia de Westminster, embora tenha a ver com a fundação da ordem rosacruz. Passou, inclusive, por internamentos de ordem psíquica. Escreveu basicamente para ganhar dinheiro. Capítulos diários eram publicados.
Foi difícil achar o livro. Sua última edição se encontra esgotada. Recorri a sebos. O encontrei. Não é lá grande coisa, mas a histórininha é bem contada. Não atende as expectativas com relação àquilo que efetivamente teria sido a destruição, a não ser alguns pequenos detalhes. Só a aproveita, para nela inserir a sua história.
A destruição de Pompéia, para lembrar, ocorreu no dia 24 de agosto do ano 79 da era cristã.
A história gira em torno de alguns personagens principais: Glauco, o grego; Nidia, a escrava cega da Tessália; os irmãos Ione e Apecides, que recebem a tutoria de Arbaces, o egípcio, que é o grande personagem do mal. No final quase tudo dá certo para os personagens principais. Glauco se casa com Ione, após vencerem o mau Arbaces e terem sobrevivido à erupção do Vesúvio. No final se convertem ao cristianismo.
Quanto a questão do livro contribuir com a fama de que a destruição de Pompéia foi um castigo divino, creio que não resta qualquer dúvida. Veja o que ele mesmo escreve sobre o Livro, numa espécie de pós fácio: "Foi então que um estrangeiro, oriundo daquela ilha distante e bárbara cuja simples menção fazia o romano imperial estremecer sempre que era mencionada, contemplou estas ruínas. Refletiu muito sobre aqueles homens poderosos e sobre os importantes fatos ocorridos na cidade de Poméia. Como tudo é passageiro... Imaginou que muitas pessoas gostariam de conhecer aqueles trágicos acontecimentos e então escreveu esta história".
Anotei algumas passagens em que está marcada a questão da ira divina. Todas na parte final. Vejamos:

"É a mão de Deus! - exclamou Olinto - Louvado seja"! (Olinto é o personagem cristão),
"Aquilo não o (Olinto) amedrontava, apenas representava uma prova imensa do poder de Deus"
"Deus apareceu para condenar a nova Gomorra!"
"Aproxima-se a hora em que o senhor virá julgar-nos! Ai do idólatra e do adorador do bezerro"!
"Chegou a hora! - repetiu Olinto. Os cristãos fizeram eco a suas palavras e, com eles, todo o povo -CHEGOU A HORA!"
Mas o mais importante encontra-se no pós fácio. Vejamos:

"Passaram-se dez anos. Eis a carta que Glauco escreveu a Salústio (seu amigo romano): Pede-me que vá visitá-lo em Roma, meu caro amigo Porém, eu respondo que é preferível você vir a Atenas. Abandonei para sempre a cidade imperial, sua confusão e seus fúteis prazeres. Doravante, desejo viver em minha Pátria. Prefiro mil vezes viver à sombra de nossa grandeza passada, à vida luxuosa que vocês desfrutam.
Segundo você, não devo ser feliz neste triste lugar, lembrando-me de uma glória já extinta e fala-me com arrebatamento da magnificência de Roma, do luxo de sua corte imperial. Salústio, meu amigo, não sou mais o que era. Os sofrimentos e tudo quanto passei acalmaram o sangue ardoroso da minha juventude. Minha saúde jamais recuperou seu antigo vigor e conservo ainda a memória de minha prisão no úmido calabouço dos criminosos, o horror do último dia de Pompéia. Pobre Nídia! Levantei um sepulcro em sua memória. Ione, minha doce e querida Ione, todos os dias deposita algumas flores nessa sepultura. Nídia com seu bondoso coração merecia um monumento, aqui em Atenas.
Você menciona a seita dos cristãos, que vai crescendo em Roma. Pois a você, Salústio posso confiar meu grande segredo: também eu pertenço a essa crença.
Após a destruição de Pompéia, tornei a encontrar Olinto... Abençoado seja! Com ele aprendi a crer na existência de um Deus único e verdadeiro, o mesmo que me livrou das garras do leão e dos perigos do Vesúvio. Ouvi, acreditei, adorei. Ione, a quem amo mais que nunca, também abraçou a nova fé"... E por aí vai.
Creio que assim satisfiz a minha curiosidade em torno da questão. O livro planta firmemente esta idéia de que a destruição de Pompéia não se deveu a nenhum fenômeno natural, mas que foi obra da ira e da justiça divina. Alguns dados sobre a destruição são bem interessantes. Vale a leitura.
Vista do Vesúvio, a partir da cidade de Pompéia.

Um comentário:

  1. http://martinsmilton.blogspot.com.br/2010/08/pompeia-e-o-micro-armagedon.html

    ResponderExcluir

Obrigado pelo comentário. Depois de moderado ele será liberado.